O cantor Leonardo foi criticado – um ato de pura maldade – por trabalhar durante a convalescença do filho

Durante os cumprimentos, ao final da missa de sétimo dia pelo falecimento do marido, a viúva (colega de trabalho) comentou comigo que estava querendo solicitar um período de férias.

Não concordei e a aconselhei a retornar imediatamente ao trabalho; argumentei que seria a melhor forma de concentrar a mente em outros assuntos para ultrapassar aquele período difícil.

Ela aceitou minha ponderação.

A mídia noticiou, em 1º de maio deste 2012, que o cantor Leonardo estava abalado com as críticas que recebeu por continuar trabalhando enquanto seu filho lutava pela vida, em estado de coma, causado por um acidente automobilístico em 20/04/12.

Transcrevo uma das notícias a respeito da questão: “’Fico muito triste e perplexo com a maldade humana’, disse ele, por meio de sua assessora Ede Cury. Segundo Ede, Leonardo manteve a agenda de compromissos por precisar ocupar a cabeça com trabalho. Além disso, os shows e participações em programas já estavam marcados há muito tempo e se cancelasse, estaria prejudicando os envolvidos, contou ela ao UOL”.

Foram justas a revolta e a decepção de Leonardo, pois não se justifica que ele parasse de trabalhar para ficar apenas acompanhando, do outro lado da parede, o trabalho da equipe médica, que reúne os profissionais especializados na sobrevivência.

As críticas a Leonardo me remeteram ao acontecido com a hoje colunista da Folha, Danuza Leão.

Ela passou por duas tragédias muito divulgadas: a morte de seu filho Samuel Wainer Filho, repórter de destaque da TV Globo, num acidente automobilístico (1984), e, posteriormente, cuidou de sua irmã Nara Leão, cantora símbolo da Bossa Nova, que teve um câncer cerebral e faleceu em 1989, após anos de sofrimento.

Numa entrevista posterior, Danuza fez um comentário aparentemente natural: disse que a dolorosa morte da irmã foi mais chocante e desumana do que a morte quase instantânea do filho.

Foi o suficiente para que lhe chovessem críticas, baseadas no argumento de que o sentimento maternal se sobrepõe a qualquer outro.

Fingiram não entender que ela se concentrou num prisma determinado: o sofrimento humano que advém de uma doença grave, terrível tanto para o doente quanto para os familiares que o assistem.

Esta velha prática da mídia de repercutir opiniões sobre atos e palavras de gente famosa cria a oportunidade de exacerbar preconceitos, radicalismos, desrespeito. E deixa transparente a ambição de conseguir marketing pessoal, de aparecer a qualquer custo.

Fecho o artigo com uma boa notícia: Pedro Leonardo recebeu alta hospitalar em 09/07/12, após 80 dias de internação, sendo um mês em estado de coma.

E parece que vai poder voltar a trabalhar.

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