Bayamo, a segunda mais antiga cidade de Cuba

A classificação de Cuba como “ilha” gera a impressão equivocada de um país pequeno, mas na verdade tem 110 mil quilômetros quadrados, é maior do que o Estado de Pernambuco.

Possui muitas cidades, e uma população que considero elevada: 11,2 milhões de habitantes.

Tem muitas cidades com mais de 100 mil habitantes, inclusive Bayamo, na província de Granma (leste), que registrou 144 mil habitantes no censo de 2002.

Foi a segunda cidade fundada pelos colonizadores espanhóis (1513); a primeira foi Baracoa.

Tive uma passagem por Bayamo em 2005, que narrei em meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita do meu blog original, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm. Também está disponível na seção de artigos (por enquanto é o único) deste blog.

O governo comunista da família Castro está restaurando o centro histórico da cidade para incrementar o turismo; fiz a foto abaixo num feriado, daí a incomum quietude:

Bayamo, Cuba

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A Freira e o Padre (humorismo)

Um padre estava dirigindo para sua paróquia quando viu na estrada uma freira conhecida sua. Ele para e diz:

– Irmã, suba que eu a levo ao convento.

A freira sobe e senta no banco do passageiro, cruza as pernas e o hábito se abre deixando a coxa escultural à mostra.

O padre olha e continua dirigindo. Numa troca de marcha ele coloca a mão sobre a perna e a freira, que lhe diz:

– Padre, lembre-se do salmo 129.

O padre pede desculpas e continua dirigindo. Aquela pernona enlouquecendo-o. Mais adiante, em outra troca de marcha, ele coloca a mão novamente sobre a perna da freira, que repete:

– Padre, lembre-se do salmo 129.

O padre se desculpa dizendo:

– Perdoe-me, Irmã, mas você sabe que a carne é fraca.

Chegando ao convento a freira desce. O padre logo chega a sua igreja e corre até a Bíblia para ler o tal Salmo 129: “Siga buscando, que logo acima encontrarás a glória…”

Moral da história: ou você sabe tudo sobre sua profissão ou vai perder as melhores oportunidades…

Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (VII)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

Foi então que estreou no Teatro Municipal de São Paulo a peça clássica ‘Electra’, tendo comparecido ao local alguns agentes do DOPS para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a.C. Era junho e o pensador católico Tristão de Ataíde, o mesmo Alceu de Amoroso lima, uma das personalidades mais festejadas da cultura brasileira, chegava à mesma conclusão da flor dos Ponte Preta em relação à burrice reinante, ao declarar, numa conferência: ‘A maior inflação nacional é de estupidez’. 

Nas prefeituras municipais é que o Festival se espraiava com maior desembaraço: o prefeito Tassara Moreira, de Friburgo (RJ) inaugurava um bordel na cidade ‘para incentivar o turismo’, enquanto o prefeito de Fortaleza, Murilo Borges, atendia ao apelo do Instituto Histórico cearense e suspendia a construção de um mictório público em frente à estátua de José de Alencar, na praça do mesmo nome. 0 Instituto tinha classificado de ‘incontinência histórica’ a instalação de um sanitário ali, justamente quando se comemora o Centenário de Iracema. Agora o mictório está sendo construído atrás da estátua e o Instituto agradeceu à Prefeitura, ressaltando que ‘as pétreas narinas alencarianas não serão mais molestadas’. Foi uma solução honrosa, sem dúvida, e agora, se alguém ficar aperreado, como se diz no Ceará, que vá atrás da estátua. 

Na Assembleia Legislativa fluminense um deputado chamado José Miguel Simões, sem o menor remorso, pedia moção de solidariedade à novela ‘O Direito de Nascer’, por ver naquela cocorocada toda uma ‘mensagem útil à família brasileira’. Noutra Assembleia, mais importante pouquinha coisa, pois é federal, o deputado Eurico de Oliveira apresentava um projeto de anexação das Guianas ao território nacional. E, felizmente, com essas duas bombas, terminava o mês de junho [de 1965], que é mês de foguetório.

A execução do hino nacional nos eventos esportivos se submete a uma legislação complexa, às vezes contraditória

Guerras e revoluções sempre estiveram presentes ao longo da história da humanidade, e para mobilizar — e depois estimular — os soldados ou as multidões, os líderes adotaram símbolos.

Bandeiras e hinos foram os preferidos, sempre associados à figura idealística da Mãe-pátria.

Mas os grandes conflitos escassearam após o fim da Segunda Guerra (1945) e reduziram a necessidade da mobilização centrada no ideal do patriotismo e em seus velhos símbolos.

No entanto, valores culturais e históricos não desaparecem de súbito, e já se observa uma tendência saudosista ao aumento do uso de bandeiras e do hino brasileiro em cerimônias puramente civis.

A novidade está criando confusões, pois as pessoas sem formação militar não sabem como se portar durante a execução da pomposa música.

A postura física do cidadão é o primeiro problema: algumas pessoas perfilam poses tipicamente militares, outras fazem uma pose meramente formal e outras apenas se levantam.

Percebe-se (e ouve-se) claramente que muitos só se levantam porque querem evitar críticas – e a pecha de “antipatriotas” –, mas consideram o ato não obrigatório ou desnecessário.

E uma minoria se mantém sentada, indiferente.

A obrigatoriedade de cantar o hino também gera dúvidas, mas aqueles que querem evitar críticas usam a opção de mexer com os lábios e fingir que está cantando, pois o som da multidão impede o flagrante.

E não saber cantar o hino nacional de cor não é motivo de vergonha: ele é extenso, cheio de palavras em desuso e tem uma construção gramatical complexa. É um constante tema de estudo pelos linguistas.

No dia 20 de maio (2012) tive a oportunidade de observar bem esta insegurança comportamental, que aconteceu pouco antes da realização da principal corrida de cavalos paulista, o Grande Prêmio São Paulo (uma lei local obriga a execução do hino em competições esportivas). Foi o gancho para o presente texto.

Para subsidiar a presente análise, fiz uma ligeira pesquisa, via internet, sobre a legislação e verifiquei que se trata de uma questão mal resolvida, e de consequência mal interpretada.

A lei não é clara; melhor dizendo, o conjunto de leis é confuso, às vezes contraditório, e mal alinhavado.

Encontrei um artigo jurídico, assinado por Gilberto André Borges, intitulado “Legislação sobre o Hino Nacional”; com relação às leis mais abrangentes, de caráter nacional, ele constata que muitas estão em desuso, ou foram alteradas, ou são ignoradas, e ainda assim “na prática, todas estas leis continuam valendo pois nenhuma delas foi expressamente revogada”.

Observei que pululam pelo país projetos de lei estadual ou municipal obrigando a execução do hino, parece até uma onda saudosista que confunde amor ao país com reverência a símbolos.

Mas também encontrei um caso que trafega pela contramão, indício de alguma reação: a Câmara Municipal de Porto Alegre reduziu (em 2011) o uso do hino nacional apenas para os jogos esportivos de caráter internacional e os da Seleção Brasileira.

Em Belo Horizonte, minha origem, segue em tramitação um projeto de lei do vereador Joel Moreira que obriga a execução do Hino Nacional antes do início de todas as atividades esportivas oficiais na capital mineira; o texto prevê que a desobediência acarretará multas de mil a três mil reais e, se houver reincidência, pode causar até a interdição do evento.

Corre o risco de repetir o dualismo marcha-contramarcha da capital gaúcha: se for aprovada, a lei pode causar tantos incômodos que provoque uma campanha de outro vereador para a sua revogação, ou abrandamento.

O Brasil não tem a cultura do acompanhamento da tramitação de projetos de lei nas casas legislativas; o que acontece mais comumente é que a sociedade só toma uma atitude, um posicionamento, quando os efeitos desagradam a uma parcela mais atuante da população.

Inverte a lógica e o racionalismo ao priorizar os efeitos em detrimento das causas.

Santiago de Cuba, a capital da parte oriental da grande ilha comunista

Santiago de Cuba (e não, apenas, Santiago) é a segunda maior cidade de Cuba, com cerca de meio milhão de habitantes.

Segundo a Wikipedia, foi fundada pelo conquistador espanhol Diego Velázquez de Cuéllar, em 1514. Hoje é capital da província (Estado) de igual nome.

Estive em Cuba em 2005: cheguei a Havana numa noite e na manhã seguinte embarquei para Santiago de Cuba num avião da empresa local Aerocaribbean, que cumpriu em duas horas e onze minutos, à velocidade de 450 km/h, os 847 quilômetros que separam as duas maiores cidades da comprida ilha, do quase extremo oeste (Havana) ao quase extremo leste.

Me hospedei no agradável Hotel San Juan mas, infelizmente, não consegui passear nas suas proximidades: na única tentativa fui seguido por cerca de meia dúzia – ou mais – de jovens desocupados que acompanham os turistas pedindo dinheiro e oferecendo mil serviços.

Narrei o fato em meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm.

Felizmente foi o único problema com o jineterismo que sofri no último bastião comunista das Américas.

Sob a proteção de minha guia e do motorista, saquei esta foto, no centro histórico da cidade, da casa restaurada do descobridor Diogo Velasquez, hoje um museu:

Museu em Santiago de Cuba

No Leito da Morte (humorismo)

O marido, velhinho, no leito de morte pergunta à esposa:

– Querida, por favor, seja sincera.

– Sim.

– Eu sempre achei nosso nono filho um pouco estranho. Ele tem um pai diferente, não tem?

Em lágrimas, a mulher pede perdão e diz que sim.

O marido então pergunta, curioso:

– E quem é?

E a mulher responde:

– É você, meu bem!

Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (VI)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

Quando se desenhou a perspectiva de uma seca no interior cearense, as autoridades dirigiram uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a situação local depois da passagem do equinócio. Um prefeito enviou a seguinte resposta, à circular: ‘Doutor Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes, passeata e festas’.” 

Ainda na faixa do nordeste: um telegrama informava que, para não morrerem de fome, os retirantes nordestinos estavam comendo formiga saúva. Isto bastou para que vários jornais consultassem nutrólogos, tendo eles afirmado que, de fato, a formiga apresentava qualidades nutritivas. Era uma temeridade tal afirmação, pois isto talvez fosse o bastante para que tirassem a formiga da boca do nordestino. 

Em Recife, quem tocasse buzina na zona considerada de silêncio, pagava uma multa de Cr$ 200. O deputado estadual Alcides Teixeira sabia disso mas distraiu-se e tocou. Imediatamente apareceu um guarda e multou-o. Alcides deu uma nota de Cr$ 1.000 para pagar os 200 e o guarda informou-o de que não tinha troco. O deputado quebrou o galho: deu mais quatro buzinadas na zona de silêncio, ficou quite com a Justiça e foi embora.