Erro de tática dos criminosos provocou a invasão policial aos morros cariocas

Dia 21 de novembro de 2010. Criminosos param carros e ônibus no Rio de Janeiro e cometem atos de vandalismo semelhantes e simultâneos, portanto combinados: incendeiam os veículos com combustível que haviam levado. Cometem outros atentados semelhantes nos dias seguintes, inclusive tiros contra cabines policiais.

Mas a sociedade ficou com uma dívida de gratidão com os criminosos.

Contraditório? Não, porque o Estado brasileiro é rápido e eficaz sob pressão e sob comoção popular; só é fraco e lento na administração do cotidiano. Continue lendo »

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Pelé é vistoriado nos aeroportos brasileiros com rigor exagerado

A colunista da Folha de São Paulo Mônica Bergamo publicou uma entrevista com Pelé em 04/06/2006, quando destacou trechos que serão publicados em uma autobiografia. Chamou a atenção a informação de que ele tem dificuldades na alfândega brasileira:

Tenho passado pelos aeroportos de todo o mundo sem mostrar o passaporte. As pessoas sabem quem eu sou e me deixam seguir. Ninguém examina minha bagagem”, diz. “No Brasil, às vezes o pessoal da alfândega abre as minhas malas e remexe todo o conteúdo. No resto do mundo sou tratado de uma forma; no meu país, de outra.”

Quem diz é ele, mas tem lógica. Nosso país é estranho. As pessoas são displicentes em algumas coisas, mas às vezes rígidas demais em outras. É uma cultura desuniforme, indefinida. Como faltam princípios gerais claros, o brasileiro se preocupa demais com “o que vão dizer”. Provavelmente o funcionário da alfândega, ao ver o Pelé, fique mais preocupado com a possibilidade de que algum colega ou chefe diga que ele se encantou com a fama do “homi” e não fez a sua obrigação. Na dúvida, rigor nele!

(Post originalmente publicado em 06/06/2006)

Uma fauna de subempregados cerca os sinais de trânsito das grandes cidades

Os vendedores de rua são uma tradição brasileira; já existiam nas primeiras cidades do Brasil-colônia.

E eram multidões na Europa medieval e pós-renascentista, onde acabaram por alcançar e integrar as classes médias.

Atualmente a atividade é exercida no Primeiro Mundo apenas pelos imigrantes sem melhores opções.

Mas no distorcido Terceiro Mundo, ao contrário, até se multiplicaram com a explosão demográfica.

Em nossa terra são representados pelos legalizados camelôs de barracas e pelos ilegais tradicionais que estão sempre com o tabuleiro pronto para fugir do “rapa”, que são os fiscais das prefeituras.

Outra modalidade: os ambulantes que se expandiram com o aumento do número de automóveis e de engarrafamentos de trânsito.

Em 2006 eles tinham um ótimo ponto em Belo Horizonte, o cruzamento da avenida José Cândido da Silveira com a importante avenida Cristiano Machado.

Posteriormente os sinais de trânsito desapareceram com a construção de viadutos e o grupo se espalhou por outros locais.

Impressionado com a variedade comportamental da legião de subempregados que tinha ponto fixo por lá, escrevi naquela época o seguinte texto: Continue lendo »

O golpe da conta falsa de restaurante

ou O olho do dono engorda o boi e controla os funcionários desonestos nos restaurantes

O velho ditado “o olho do dono é que engorda o boi” continua tendo – infelizmente – grande valia, especialmente em países como o Brasil.

A desonestidade é uma força cultural, ocorre em todas as regiões, em todos os níveis, em todos os instantes.

Uma colega de trabalho teve, anos atrás, uma experiência de restauranteur, quando se associou a outras quatro pessoas para dirigir um restaurante especializado.

Eles descobriram que só teriam chance de sucesso se pelo menos um dos sócios ficasse permanentemente dentro do estabelecimento, de olho em tudo.

Descobriram casos de conluios e acertos entre os funcionários, à procura de qualquer chance de desviar algum dinheirinho. Continue lendo »

No cemitério moram mais valentes do que covardes

No dia 22 de abril de 2006 mais um caso de violência assustou a população belo-horizontina: a morte a tiros do estudante de educação física Paulo Gustavo Viegas Ferreira, no bar e restaurante Paracone, à noite.

A primeira suspeita da polícia foi latrocínio. Mas o avanço da tecnologia trouxe novidades, pois o crime foi filmado por câmeras de segurança. O assassino foi identificado e apreendido: tinha 17 anos. Nos dias seguintes, a polícia concluiu que o estudante de educação física, bem mais forte que o menor, o agrediu e este, sem condição física para reagir, foi até sua casa (em uma favela) onde pegou uma arma e retornou para matar o agressor.

O assassino alegou que o estudante mexeu com a sua namorada e reagiu, mas foi agredido pelo adversário que se aproveitou da superioridade física. O caso está atualmente esquecido pela mídia, mas provavelmente teve poucas consequências para o assassino pois a proteção ao menor, na legislação brasileira, é um fato indiscutível.

A explicação da polícia é verossímil. Recentemente, um especialista afirmou que as mulheres são os pivôs da grande maioria das brigas de bares e restaurantes. E numa briga, a atitude do mais forte é geralmente a agressão, e entre os mais fracos prevalece a reação com uma arma. Continue lendo »

Acusação de racismo contra Monteiro Lobato é um mero ato de promoção pessoal

Na minha infância e juventude fui um voraz consumidor de livros.

Fazendo uma reflexão sobre os autores que mais me influenciaram naquele período, talvez Monteiro Lobato mereça o primeiro lugar.

Seguido de perto por nomes como o ficcionista-científico Jules Verne, o criminólogo Conan Doyle, a memorialista Laura Ingalls Wilder, a chinóloga Pearl S. Buck e o brasileiro José Mauro de Vasconcelos.

Para ilustrar uma matéria do jornal Estado de Minas sobre o mesmo assunto, o chargista Quinho desenhou a criativa charge acima, que dispensa outros comentários. Queria acrescentar a biografia dele, mas o discreto nada citou no próprio blog. Só descobri que nasceu em Manhuaçu (MG) e faz charges para o jornal mineiro há 15 anos. Tem um traço fantástico.

Meu campeão José Bento Monteiro Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948) agora está sob o ridículo ataque dos radicais patrulheiros das políticas raciais, que procuraram — e pensaram encontrar — graves escorregões éticos em expressões isoladas de uma obra de sua vasta literatura infantil. Continue lendo »

Tradutores eletrônicos da internet deixam os cardápios cariocas pra lá de engraçados

Quando a mídia começou a anunciar (em torno do ano 2000) a criação dos tradutores eletrônicos, fiz alguns testes para pesquisar sua eficiência.

O resultado foi decepcionante: não conseguiam encontrar as correlações mais adequadas, e variavam do confuso ao incompreensível.

De lá pra cá esta tecnologia pouco avançou.

A dificuldade não surpreende, pois a estrutura linguística é complexa e não linear. Continue lendo »