Induzir o freguês e forçar a venda: técnica comercial ou erro cultural?

Sou — como, certamente, a absoluta maioria dos seres humanos — esperto para algumas coisas e burro para outras.

Sou incompetente em moda, em trabalhos domésticos, em engenharia (reformas em casa, obras).

Se enumerasse todos os meus defeitos teria que, por isonomia, enumerar as qualidades; é melhor parar por aqui antes de receber um carimbo de egocêntrico.

Na juventude, eu supria minha incompetência em escolher roupas da moda com a ajuda de um vendedor chamado Devanir.

Ele trabalhava, lá pelos anos 1980 e tantos, numa das lojas da Janjão Modas, extinta rede de Belo Horizonte, e ganhou a minha confiança; manjou o meu perfil e indicava as roupas.

Era, claramente, alguém que posicionava o relacionamento vendedor-cliente acima do comércio frio, do interesse pelos bônus e percentagens da venda, do puxa-saquismo deslavado, do jogo de mentiras para agradar o freguês.

No fundo, era até mais esperto do que os vendedores da atualidade, pois o profissional confiável tem clientela cativa. Continue lendo »

Dilma reconhece publicamente o sucesso do Plano Real (honestidade ou erro político da presidenta?)

Alguém me indica um cirurgião facial? É que meu queixo caiu…

Informa o jornalista Josias de Souza, na Folha de São Paulo de 12/06/2011, que “em carta, Dilma atribui a FHC fim da ‘hiperinflação’”.

Mais do que isso: “Dilma refere-se a FHC como “ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação…””. Continue lendo »

Há quem diga que o fato de Dilma não participar do varejo político seja defeito

Na década de 1980 a economia brasileira se desorganizou, mercê da incompetência do último governo da ditadura militar, o do general João Baptista Figueiredo.

Premido pela circunstância, a mídia dobrou o espaço da economia no seu noticiário.

Com texto irônico, frases curtas e diretas, evitando termos técnicos, Joelmir Beting chegou a ser considerado por muitos como o melhor jornalista especializado no assunto.

Mas havia, e há, outros profissionais que sabem escrever ou falar muito bem sobre o complexo tema, como Suely Caldas, que escreve uma coluna todos os domingos n’O Estado de São Paulo. Continue lendo »

Camelô: é o que sobra para os jovens mal estimulados pela família e pela escola

A praça Duque de Caxias é o centro comercial e social do tradicional bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais.

A 30 metros dela, pela rua Mármore, fica o principal supermercado da região, o Topázio.

Encostados na parede externa do supermercado e das casas vizinhas trabalham quatro camelôs, separados por 5, 10 ou 15 metros de distância uns dos outros, todos vendendo o mesmo produto: DVDs piratas de filmes.

Três jovens na faixa de 20 anos, uma mulher na faixa de 30. Continue lendo »

Síndicos brasileiros não conseguem cumprir apenas o papel de administrador

Conheci Barcelona (Espanha) no último ano que começou com o dígito 1 (1999, para quem está com alguma síndrome de baixa concentração).

E aprendi que é uma cidade de população equivalente a Belo Horizonte, mas menor em tamanho pois as pessoas preferem morar em prédios residenciais.

Perguntei ao meu hospedeiro se os problemas de administração de condomínios eram tão complexos e frequentes quanto no Brasil, e a resposta foi negativa. Continue lendo »

Morre a fogueteira que quase eliminou o Brasil nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1990

Um dos acontecimentos mais bizarros que presenciei no futebol — o que inclui as últimas quatro décadas — aconteceu na disputa de uma vaga para a Copa do Mundo de 1990.

A seleção brasileira fez uma péssima campanha nas eliminatórias sul-americanas e disputava a segunda e última vaga regional contra o Chile, no dia 03/09/1989, no Maracanã.

Se perdesse, só restaria a disputa de uma vaga de repescagem, contra Israel. Continue lendo »

Advogados que vendem recursos a réus desesperados dificultam reforma do Judiciário

jornalista e ex-diretor de redação de O Estado de São Paulo, Pimenta Neves, foi finalmente preso (24/05/11) por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Somente agora, passados 10 anos e nove meses, ele vai cumprir a pena a que foi condenado por assassinar a namorada Sandra Gomide, que na época era a editora de economia do jornal.

Aos 74 anos de idade e com problemas cardíacos, tem grandes chances de um indulto futuro.

Seus bem pagos advogados conseguiram adiar o cumprimento da pena, aproveitando as brechas legais. Continue lendo »