Eleições presidenciais no Peru: a opção é entre o câncer e a Aids

A América Latina não esgota a sua capacidade de produzir líderes populistas.

E os países andinos mais atrasados não esgotam a capacidade de escolher seus piores representantes.

E seguem reféns do atraso.

O Peru é um caso bem característico: o segundo turno das eleições presidenciais será disputado entre o nacionalista de esquerda Ollanta Humala e a direitista Keiko Fujimori.

Keiko é filha de Alberto Fujimori, violento e corrupto ditador entre 1900 e 2000.

Uma semana antes do primeiro turno, o mais ilustre dos peruanos vivos, o prêmio Nobel de literatura Mario Vargas Llosa, disse que uma possível disputa entre ambos seria como “uma escolha entre a Aids e um câncer terminal” (segundo matéria da Agência France Presse, publicada no site UOL Notícias). Continue lendo »

Os irmãos de Ibiá se chamam Kéthellyn Kévellyn, Kawan Kayson, Kaych Kayron, Kellyta Kerolayne e Kawane Kayle

O ser humano é geralmente classificado como animal racional, mas com frequência o adjetivo parece surrealista, falso até.

Ao registrar os filhos, milhares ou milhões de brasileiros agem infantilmente: escolhem nomes bizarros ou grotescos apenas para chamar a atenção.

São incapazes de perceber as consequências; afinal, algum dia aqueles bebês vão compreender as chacotas.

Existem leis que permitem aos cartórios recusar nomes, e aos juízes autorizar modificações.

Mas grau de bizarrice é uma questão subjetiva e tais leis podem ser ignoradas ou não aplicadas.

Todos estes comentários cabem no caso abaixo, extraído do Jornal da Alterosa, emissora de tevê de Belo Horizonte, edição de 13/04/11, sob o título “Mãe consegue registrar a filha com o nome Kéthellyn Kévellyn”: Continue lendo »

Dengue e enchentes, manchetes de todo início de ano

A charge acima é do mineiro Duke, cujo site é http://www.dukechargista.com.br

A humanidade avança pelo século 21 e o Brasil parece retroagir ao 19…

Todo início de ano a mídia ganha duas pautas rotineiras: na primeira, os mortos e feridos das enchentes; depois, os mortos e doentes da dengue.

Os engenheiros e os cientistas conhecem as soluções, mas os governantes não conseguem aplicar.

Bem elucidativa foi a matéria televisiva “Dengue provoca dezenas de mortes e já deixa milhares doentes no Brasil”, do global Bom Dia Brasil de 04/04/11, da qual transcrevo a parte inicial: Continue lendo »

João Ubaldo Ribeiro, um cronista de escol

Roubo do jornalista carioca Carlos Zev Solano, autor do blog http://tecnasopa.blogspot.com, a resposta a uma pergunta que ele se fez: “O que é uma crônica?”:

Depois de me afundar em livros, enciclopédias e links na Web me atrevo a dar uma definição sucinta do que vem a ser uma crônica:

Reflexão a respeito de fatos cotidianos, no qual se incluem doses de sarcasmo e inventividade na percepção dos acontecimentos.”

É um tipo de texto que já foi mais importante na imprensa, mas não posso negar que ainda tem espaço e também público leitor.

Um dos melhores cronistas dos tempos d’agora é o baiano João Ubaldo Ribeiro, um mestre na arte de leitura fácil, agradável e criativa. Continue lendo »

O jornalista norte-americano Mac Margolis e a incoerência dos líderes políticos da América do Sul

O jornalista norte-americano Mac Margolis tem uma história semelhante à do compatriota Larry Rohter: enviado para o Brasil como correspondente, fincou raízes por décadas, casou-se com uma brasileira, teve uma filha também brasileira.

Mac mora no Rio desde a década de 1980 e é correspondente da revista semanal Newsweek.

Embora classificado como admirador do PSDB em matéria publicada por Argemiro Ferreira no Observatório da Imprensa (“O neoliberal anti-Lula”, que pode ser acessada clicando aqui), ele não sofreu perseguições do PT, como aconteceu com Rohter, que quase foi expulso do Brasil por ter publicado no New York Times o que todos sabiam: Lula tem problemas com alcoolismo (o então Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos eufemisticamente “determinou o cancelamento do visto temporário” e depois voltou atrás).

Margolis escreve sobre toda a América do Sul, e no artigo publicado pelo O Estado de São Paulo de ontem (03/04/2011) analisou a incoerência dos líderes políticos/populistas regionais, principalmente a falsa democracia com a mídia independente.

Selecionei os seguintes trechos do artigo de Margolis: Continue lendo »

Martinho da Vila analisa a mercantilização do carnaval carioca

O carnaval passou — até o março de 2011 está quase passado —, mas só hoje li uma entrevista de Martinho da Vila em que ele analisa a situação das atuais escolas de samba e manifesta sua saudade, sua nostalgia dos antigos festejos.

Fez uma comparação racional e equilibrada, de quem compreende que comportamentos mudam e não voltam.

Destacou a chegada do profissionalismo às escolas de samba e deu muitas informações e detalhes interessantes.

Especialmente sobre a escolha do samba enredo, transcrevo os dois parágrafos abaixo: Continue lendo »

A Cia. Vale do Rio Doce foi privatizada, mas o governo federal ainda tenta politizar os investimentos privados dela

O Partido dos Trabalhadores é um sério candidato ao título de campeão de mutação político-ideológica na história brasileira.

Quando virou governo, descumpriu todas as promessas e ignorou seus conhecidíssimos lemas.

A reação do eleitorado também foi campeã: comprovou que a memória é curta e acreditou na originalidade do grupo lulístico.

Na sua coluna semanal publicada ontem (27/03/2011) n’O Estado de São Paulo, a comentarista de economia Suely Caldas detalhou as velhas críticas petistas ao governo FHC:

Foi contra a Constituição de 1988, contra a eleição de Tancredo Neves, contra o Plano Real, contra o pagamento da dívida pública, contra as privatizações, contra o fim dos monopólios, contra as políticas monetária e cambial de FHC, contra o Proer, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra a reeleição, enfim contra tudo o que não vinha do PT.”

E a seguir detalhou a posterior gestão dos ex-críticos:

Ao chegar ao poder o partido tratou de esquecer os seus “contras” e renegou seus credos: não mudou uma vírgula na política econômica de FHC, que tanto combatera, não desfez as privatizações, respirou aliviado com o Proer, aprofundou o Plano Real, elevou juros, pagou e multiplicou a dívida pública, para alegria dos banqueiros, que tanto xingara no passado.”

A segunda parte do texto se concentrou numa crítica ao governo, por estar articulando a demissão do presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli. Continue lendo »