João Ubaldo Ribeiro tem a receita para evitar o stress dos políticos: liberação rápida da grana

João Ubaldo Ribeiro é o rei da ironia.

Em sua tradicional coluna dominical, publicada em 17/07/2011 n’O Estado de São Paulo, ele usou a inspiração de sempre para criticar o mau uso do dinheiro público no Brasil.

Abriu o texto com uma analogia internacional – talvez para não desagradar os leitores mais nacionalistas –, pegando de gancho a associação que administra o futebol mundial: “a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro”. Bem mesclou criatividade com ironia.

Mais à frente fala das obras públicas brasileiras com um assomo de pessimismo determinista: “Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.”. Leia o resto deste post »

O brasileiro se diferenciou da matriz portuguesa no relacionamento interpessoal

Para os críticos mais duros e mais ácidos, na face oeste da Península Ibérica está a raiz de nossos problemas: de lá herdamos a falta de capacidade organizativa da sociedade, a dependência do papel paternalista do Estado e o desprezo pela formação técnica dos indivíduos.

Mas nem só de semelhanças se estabelece uma comparação entre brasileiros e portugueses: ao comportamento mais rude, exigente e desconfiado daqueles europeus se contrapõe a afabilidade que existe do outro lado e ao Sul do Atlântico.

Provavelmente por consequência do clima tropical e também das múltiplas influências de correntes migratórias.

Em recente viagem a Portugal tive oportunidade de observar um ilustrativo exemplo desta diversidade. Leia o resto deste post »

Luis Fernando Veríssimo ironiza os textos acadêmicos e eruditos

O texto jornalístico é a mais democrática das formas de comunicação social, pois sua regra básica é a redação enxuta, objetiva e direta, permitindo a compreensão do maior número possível de leitores.

Deveria ser adotado pelo mundo acadêmico — o mundo das universidades — que, curiosamente, prefere o texto rebuscado, supostamente intelectualizado; formato que, por isso mesmo, restringe os leitores a um grupo pequeno.

Este rebuscamento hermético tem sido alvo de ironias e gozações, como as deste microconto (um contículo, como o denomina o autor) de Luis Fernando Veríssimo, publicado n’O Estado de São Paulo de 17/07/2011:

Era uma vez uma vaca Vitória. Ela deu um pum – e acabou a história. Mas isto é apenas a narrativa consequencial, descontextualizada, despida dos seus aspectos ecológicos e reduzida a uma linearidade silógica (animal enquanto Natureza não consciente + flato = escatologia nos dois sentidos) cuja brevidade quase aforística lhe empresta uma dimensão totêmica.

E “Vitória”, claro, é um pseudônimo.”

Desrespeito à História e à memória: os destruidores de velhos documentos se consideram pessoas úteis à sociedade

Uma das maiores frustrações dos genealogistas, e pesquisadores em geral, é a descoberta de que documentos úteis foram destruídos por pessoas que desprezam a memória e o passado.

Vândalos que quase sempre se orgulham do feito.

— Papel velho não serve para nada, quem vive do passado é museu, troço velho só serve de alimento para traças, baratas e ratos!

A ignorância é ousada e cheia de iniciativas, por se imaginar sábia…

Minhas pesquisas genealógicas esbarram a toda hora em alguma história de material por eles destruído: arquivos, fotos, documentos, escritos. Leia o resto deste post »

Até pouco tempo, concurso publico era objeto de politicagem

Contam os historiadores que o Brasil sempre teve uma forte cultura de participação e intervenção do Estado na vida econômica do país.

O funcionalismo público — a burocracia, em seu sentido adequado e sem preconceitos — foi, e é, indispensável neste processo, já que é o braço do Dono do Poder.

Mas outra tradição — a irresponsabilidade com o dinheiro público — sempre permitiu aos mesmos donos do poder preencher as vagas da burocracia com os amigos, eleitores, parentes e apoiadores.

O concurso público, quando apareceu, era pra inglês ver. Leia o resto deste post »

Candidatos aprovados em concurso público nem sempre são empossados

O telejornalístico Bom Dia Brasil, de 24/08/09, anunciou que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) obrigou um órgão público do Amazonas a nomear (contratar) todos os candidatos aprovados em concurso, desde que estivessem em classificação equivalente ao número de vagas oferecido no edital.

Num exercício de lógica pura, não seria de se esperar que um caso como aquele chegasse ao Poder Judiciário, pois se um órgão público oferece uma vaga deveria existir o interesse pelo seu preenchimento, concretizada pela convocação dos candidatos aprovados e respeitada a ordem de classificação.

Mas Brasil é Brasil, e vários motivos explicam a não convocação de todos os candidatos aprovados. Leia o resto deste post »

A tolerância não é compatível com a formação de um país moderno, humanista e seguro (como nos casos Palocci e Battisti)

Por volta do ano 2000 eu era diretor de corridas do Hipódromo Serra Verde, em Belo Horizonte, e tive que julgar (presidia uma comissão de três membros) o caso de um jovem jóquei que agredira outro com uma chicotada durante uma discussão.

A formação cultural brasileira falou mais alto: optei por admoestar duramente o agressor e não aplicar uma punição mais dura, certo de que ele entenderia o aspecto educativo.

Algum tempo depois ele discutiu com um treinador de cavalos e também usou o chicote contra ele. Leia o resto deste post »