Limonada de mamada, em Vila Velha (ES)

Esta me chegou pela internet. Consta que é uma vendedora de limonada, que cobra R$ 5,00 a copo. Só que ela mudou o formato do copo e achou uma localização sui generis.

A imposição de pequenos poderes é uma manifestação de egos adoentados

Às 11 horas da manhã do dia 03 de junho de 2010 me deparei com uma cena inusitada na pista fechada e exclusiva para caminhadas e ciclismo da avenida dos Andradas, em Belo Horizonte.

Três garis estavam deitados sobre as duas faixas da pista de ciclismo, fazendo um bloqueio total; um deles falava ao celular e usava óculos escuros, em dia inteiramente nublado.

Eles curtiam o prazer de incomodar, de atrapalhar as pessoas, conscientes de que ninguém reagiria; e certamente teriam prazer em brigar com quem o fizesse.

Uma cena pouco provável em países avançados, onde a preocupação com os limites entre o individual e o coletivo é muito maior, às vezes obsessiva.

Mas semelhante a outras ações rotineiras e cotidianas neste país, onde a reação individual é um ato de grande risco.

O pequeno e inútil prazer do trio de garis é o mesmo do jovem que instala alto-falantes potentíssimos no seu carro e dirige lentamente pelas ruas tocando uma música eletrônica americanizada, preferencialmente um rap ou funk, em volume ensurdecedor.

Também é o mesmo daquele que, quase sempre de óculos escuros, camiseta e musculatura definida, caminha pelas ruas com um cão pitt-bull sem focinheira, fingindo que não percebe que pessoas mudam de calçada ou passam por ele amedrontadas, olhando de soslaio. Continue lendo »

O desperdício está se tornando uma característica natural da sociedade moderna

As pessoas com sentimentos humanistas, que valorizam a ideia do “social”, ainda se chocam com o desperdício que caracteriza a consumista sociedade moderna, principalmente quando o produto desperdiçado é um item das necessidades básicas da vida humana como alimentação ou vestuário.

No caso específico do alimento, o desperdício resgata da memória dos humanistas as imagens dos pobres famintos: periféricos das grandes cidades, nordestinos, africanos.

Mas o rápido avanço da tecnologia mudou muitos conceitos: se no passado a produção de bens era insuficiente para as necessidades da população, atualmente está muito acima deste patamar.

Permanece a incapacidade administrativa de levar esta sobra para toda a população, de forma homogênea e uniforme.

Este superavit produtivo (agropecuário, industrial, comercial) tornou o desperdício uma consequência natural dos processos de produção de bens, embora pareça imoral sob os preceitos éticos e religiosos. Continue lendo »

Os veterinários são obrigados a se apresentar ao Exército depois de receber o diploma

O Brasil é um estranho país que tem a capacidade de criar uma profusão de leis, mas não tem a capacidade de anular, de suspender ou extinguir aquelas que se tornam obsoletas e caem em desuso.

Inutilidades que continuam em vigor, mas regulando uma situação inexistente e punindo infratores fantasmas.

São leis que fracassaram por serem subjetivas e mal formuladas, ou perderam a eficiência porque o seu objeto mudou e, com ele, a necessidade de regulação.

Quando me graduei em medicina veterinária, em meados de 1986, recebi uma informação surpreendente: após a formatura, todos os veterinários eram obrigados a se apresentar ao Exército para uma seleção de serviço militar obrigatório. Continue lendo »

O fisiculturismo é uma ode à vaidade exacerbada

Acho que sou um sujeito desprovido de vaidade, ou pelo menos portador de um índice baixo, mas a mesma afirmação seria mentirosa na boca de uma grande parte da humanidade.

Vaidade de verdade, bem acentuada, é um sentimento pouco ou nada racional, mas encontrável até em muitas mentes brilhantes.

Às vezes exige tanto tempo e esforço que boa parte da vida é dedicada a ela.

Tive uma colega de trabalho que chegava diariamente toda maquiada, caprichosamente penteada e seletivamente vestida: certamente reservava as últimas horas que passava em casa antes do início do expediente para tais preparativos.

Ainda mais estranho é o caso dos marombeiros, dos jovens que fazem ginástica pesada para moldar o corpo e acentuar os músculos. Continue lendo »

Futebol de botão, uma alegria do meu passado e também de Roberto Damatta

Sou de uma geração muito influenciada pelo vídeo, mas da era pré-computador, quando a única postura possível era a passividade frente à televisão ou ao cinema.

Nossos jogos eram manuais, o equipamento era material e não virtual; a palavra digital se associava exclusivamente ao dedo, não ao dígito.

A garotada de hoje usa o computador para jogar e brincar, aproveitando os recursos da interatividade que transformam o jogador num participante ativo.

Jogos virtuais de futebol estão entre os preferidos, com imagens cada vez mais realistas.

Este papel foi representado entre os meninos de minha geração pelo futebol de botões, a versão antiga dos games-Fifa. Continue lendo »

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Por que o futebol emociona e paralisa, mas também avilta as multidões?

Como a maioria dos brasileiros, eu já fui fanático por futebol.

Até completar o curso primário — que depois foi incorporado ao ensino fundamental — eu era um menino retraído, mas no ginásio (Colégio Estadual Sagrada Família, em Belo Horizonte) descobri o futebol e as turminhas de colegas.

Roubei dos estudos horas diárias que acabaram destinadas às peladas e ao noticiário do Clube Atlético Mineiro, o time que adotei, sei lá por qual critério.

Aos 15 anos assisti à corrida inaugural do Hipódromo Serra Verde, e troquei os jogadores pelos cavalos.

O futebol perdeu um torcedor mas manteve um admirador, pois tem alguns ingredientes que sempre valorizei: saúde, competitividade e emoção. Continue lendo »