Paseo del Prado, uma rambla decadente em Havana

A decadência de uma época gloriosa. Esta seria – mais ou menos – a sensação de quem se apresenta a uma avenida de Havana/Cuba chamada Paseo del Prado.

Claramente inspirada nas ramblas espanholas (principalmente na região do famoso Museu do Prado, em Madri, origem do nome), é uma avenida com duas pistas separadas por um canteiro central larguíssimo, que funciona como passeio público.

Segundo a Wikipedia, “é uma das artérias mais emblemáticas de Havana, que percorre parte do bairro histórico de Habana Vieja no sentido norte-sul, desde a Fuente de la India e do Parque da Fraternidade Americana e termina a um quarteirão da Calle Industria, que marca o limite do bairro de Centro Habana. A avenida está dividida em quatro secções fundamentais bem delimitadas: o Paseo propriamente dito, o Parque Central, a Esplanada do Capitólio e a Praça ou Parque da Fraternidade”.

Mas a confusa economia cubana arrasou as construções que já foram luxuosas e hoje são prédios decadentes, alguns quase desabando.

Tirei a foto abaixo em 04/11/2005; minha agora aposentada câmera Casio de película não estava muito inspirada no dia e a imagem não explica bem para o leitor o mau estado das construções que um dia foram caras e chiques.

Paseo del Prado, Havana - Cuba. Uma avenida inspirada nas ramblas espanholas, mas decadente

Paseo del Prado, Havana – Cuba. Uma avenida inspirada nas ramblas espanholas, mas decadente

Do prédio mais claro, mais à esquerda, só restou a fachada; lá dentro só tem mato.

A poluição de óleo combustível no mar de Havana gera uma bela imagem que esconde o desastre ecológico

Fiz uma boa viagem turístico-cultural a Cuba em 2005; gerou até um Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm.

A etapa final foi a capital Havana; ao chegar ao centro velho, a primeira fotografia foi motivada pelo primeiro impacto local: a grande presença de óleo na costa marítima.

Uma poluição com óbvios danos ecológicos.

E certamente motivada pelo atraso tecnológico do país-ilha, incapaz de evitar vazamentos e, depois, reduzir suas consequências.

A luz do sol gerou um tom azulado na mistura água-óleo (observar do lado esquerdo, sobre as pedras), um bonito que esconde o feio:

Óleo na costa de Havana, Cuba

Óleo na costa de Havana, Cuba

Carona institucionalizada: os cubanos reduzem a deficiência de transporte público com a venda de bancos livres nos carros

Fiz uma proveitosa viagem a Cuba em 2005; um pouco antes da partida andei me informando sobre a cultura local, mas a todo dia me surpreendia.

É uma nação geográfica e culturalmente ilhada.

Com uma economia incapaz (até pelo bloqueio comandado pelos Estados Unidos) de atender boa parte das necessidades da população, a administração usa até a imaginação para reduzir os problemas.

Em matéria de transporte, vi de tudo: tração animal, humana e mecânica; carrocerias de ônibus montadas em chassis de caminhão e de trem.

E um engenhoso método de aproveitar os bancos vazios dos automóveis, que explico extraindo a informação do meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm:

Ainda em Matanzas, pedi a Cesar [o motorista] para dar uma parada pois queria observar e entender melhor uma situação que eu já havia visto em outros trechos da viagem: um sistema de profissionalização da carona. Nas entradas e saídas das cidades um funcionário público, sempre vestido com um uniforme amarelo-creme e boné do tipo usado pelos antigos carteiros brasileiros, trabalha em pontos de carona, liderando um grupo de candidatos a passageiros. Nas mãos, uma prancheta com uma tabela de preços, de acordo com os trajetos previstos. Quando passa um carro público com lugar disponível, ele o pára e verifica se há algum carona que vai utilizar o mesmo trajeto. Quando isto acontece, ele cobra o valor da passagem de acordo com a tabela e guarda o dinheiro. Uma espécie de “cobrador de rua”, vinculado ao ponto de parada e não à empresa de transporte. A guia Nelia me garantiu que isto só acontece com os carros públicos, do governo ou de seus órgãos, e o motorista é multado quando não obedece a ordem de parar. Ela destacou que carros de turismo, táxis e carros particulares não participam do sistema, frisando que o carro particular é respeitado naquele país comunista como propriedade privada, da mesma forma que acontece nos países capitalistas. “O dono faz o que quiser com seu bem”, garantiu. Sem dúvida, algo bem diferente do que geralmente se pensa em relação ao comunismo.”.

Tirei algumas fotos dos “cobradores de rua”, mas acho que elas não ficaram suficientemente boas para mostrar o fato e os trabalhadores; ainda assim, selecionei a que estampo abaixo, sacada em 02/11/2005 na província de Matanzas, estrada para Varadero. O funcionário está à esquerda, de uniforme amarelo escuro:

02nov2005 - Cuba - Província de Matanzas - Estrada para Varadero

02nov2005 – Cuba – Província de Matanzas – Estrada para Varadero

Os conquistadores espanhóis arrasaram com todos os indígenas que habitavam Cuba

Conheci Cuba durante uma viagem que fiz à ilha comunista em 2005, que narrei em meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm.

No pacote estava incluída uma passagem pela Península Zapata, parte sul da província (equivalente aos estados brasileiros) de Matanzas, tendo como atrações uma grande lagoa (Laguna del Tesoro), o Gran Parque Natural Montemar, uma criação de crocodilos e algumas ilhas que já foram habitadas pelos indígenas taino.

A guia explicou que todos os indígenas que habitavam Cuba em 1492, quando da chegada dos conquistadores espanhóis liderados por Diego Velázquez, foram aniquilados.

Eram três os grupos indígenas extintos: os outros eram os guanahatebey e os siboney.

Na Península Zapata os cubanos recriaram cabanas e equipamentos originalmente usados pelos taino; coube à argentina Rita Longo (não fui feliz ao pesquisar na internet a biografia dela) a elaboração de esculturas representando os indígenas.

Na foto abaixo, apresento uma escultura de um taino dominando um cocodrilo, com a interessante opção pela cor rosa:

Escultura da artista plástica argentina Rita Longo na Península Zapata (Cuba: um índio taino dominando um cocodrilo, com a interessante opção pela cor rosa.

Escultura da artista plástica argentina Rita Longo na Península Zapata (Cuba: um índio taino dominando um cocodrilo, com a interessante opção pela cor rosa.

Fidel Castro perdeu o direito do uso internacional da mais famosa marca de bebida cubana, o Rum Bacardi

O rum é uma bebida equivalente à cachaça brasileira, mas tem muito mais prestígio internacional por causa de sua origem caribenha – grande foco de turismo de verão.

E existe uma marca que se destaca, o Rum Bacardi, criado em Cuba por um espanhol, em 1862: “Don Facundo Bacardi comprou uma pequena destilaria por 3.500 pesos em Santiago de Cuba fundando a empresa Rum Bacardi y Compañia”.

Quando Fidel Castro comandou a revolução comunista, em 1959, expropriou a empresa e confiscou “os ativos da Bacardi então estimados em US$ 76 milhões, obrigando a família a exilar-se nos Estados Unidos”.

Ainda segundo a mesma fonte, “a família construiu novas instalações nas Bahamas, Canadá, Estados Unidos e Espanha. Além disso, passou a produzir seu rum em novas instalações no Brasil em 1961. Apesar disso, Fidel Castro tentou vender o rum, pois achava que havia se apoderado da marca. Porém a Bacardi ganhou todos os casos e processos nas cortes da Inglaterra, França, Israel e Japão, onde ele tentou vender o produto. Em meados da década de 70, o rum da Bacardi tinha se transformado no maior sucesso de vendas nos Estados Unidos e consequentemente no mundo”.

Impossibilitado de usar internacionalmente a marca Bacardi, Fidel determinou o uso de outra marca antiga – mas até então sem prestígio internacional –, o Havana Club, para a vendagem do rum que passou a ser fabricado com controle estatal; em 1970 construiu uma grande destilaria/engarrafadora em Santa Cruz del Norte, bem perto da capital Havana (fotografei esta indústria mas a imagem não ficou boa, pois foi feita da janela do ônibus).

Na viagem que fiz à ilha comunista em 2005, que narrei em meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm, a guia me levou à entrada da mansão da família Bacardi, na cidade onde nasceu a empresa, Santiago de Cuba.

Extraí as informações acima num site dedicado a marcas famosas, para acessá-lo, cliqueaqui.

Em Santiago de Cuba tirei esta foto do atual Museu Emílio Bacardi (homenagem ao filho do fundador e principal desenvolvedor da empresa)

Em Santiago de Cuba tirei esta foto do atual Museu Emílio Bacardi (homenagem ao filho do fundador e principal desenvolvedor da empresa)

Saudades do trem Vera Cruz, um transporte que o Brasil despreza e o Primeiro Mundo valoriza, cada vez mais

Provavelmente o trem é o meio de transporte que mais tem evoluído e se valorizado no Primeiro Mundo (EUA, Europa, Japão).

O trem-bala é a tecnologia mais recente.

No Brasil ocorre o contrário: as poucas linhas ainda existentes são precárias e lentas; tornou-se um meio de transporte inexpressivo, insignificante, supérfluo.

O jornal televisivo Bom Dia Brasil fez uma viagem naquele que a reportagem classificou como “o último trem diário de passageiros em funcionamento no Brasil. Foram 13 horas surpreendentes entre Belo Horizonte e Vitória”.

Rodrigo Alvarez, até recentemente correspondente da Globo nos EUA, conta: “Entre Belo Horizonte e Cariacica, no Espírito Santo, vão ser 664 quilômetros. Carregando 57 carros, com a média de 51 km/h, a locomotiva vai levar 13 horas para chegar ao destino. 

Houve um tempo em que o trem era um luxo tão popular no Brasil que levava 100 milhões de passageiros por ano. Era o equivalente dos ônibus ou aviões de hoje em dia. 

Mas isso foi nos século passado, até os anos 60. Hoje, o trem derradeiro – mantido por força de um contrato de privatização com a Vale – leva pouco mais de 900 mil passageiros por ano.”.

Para acesso ao texto e vídeo, cliqueaqui.

Eu tive a oportunidade de usar um ótimo trem que desapareceu, o Vera Cruz, que ligava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.

Fiz duas viagens: a primeira aos 12 anos, final da década de 1960, e a segunda em 1972, ainda menor de idade.

O jornal Estado de Minas fez uma boa reportagem sobre o Vera Cruz em 12/11/2012; começo por extrair dela o relato que o jornalista Otacílio Lage fez sobre sua viagem de 1973, mesma época de minha experiência:

Antes, já havia ido à capital fluminense, mas de ônibus, pela Viação Cometa, da qual os belo-horizontinos, então, eram reféns. Era início de abril e a noite estava fresca. Viajei em um carro de 76 poltronas, nem todas ocupadas. A composição oferecia carro-leito, com cabines individuais, mas o dinheiro era curto para tanto conforto. Tão logo embarquei, fui para o carro-restaurante tomar cerveja e jantar. Havia muitos casais, poucos solteiros, mas deu para entrosar. Por serpentear muito entre as montanhas de Minas e ter de cruzar as serras da Mantiqueira e do Mar, o Vera Cruz gastava 14 horas para fazer a viagem de 640 quilômetros – por rodovia eram, à época, 445, percorridos em sete horas. Confesso que desembarquei na Estação Dom Pedro II, no Rio, meio mareado. Mais tarde, ajudei a noticiar as sucessivas interrupções do Vera Cruz, que em 15 de março de 1990 foi aposentado de vez. Contudo, aquela viagem, em 8 de abril de 1973, ficou para sempre na minha lembrança”.

A reportagem dissecou o destino dos velhos trens, e o resultado é triste: “partes da composição estão hoje em pátios ferroviários de Belo Horizonte, Santos Dumont e Juiz de Fora, ambas cidades na Zona da Mata, com os vidros das janelas quebrados, o assoalho trincado”.

E lembra que “o Vera Cruz partia às sextas-feiras e domingos de Belo Horizonte, da Estação Central, e do Rio de Janeiro, da Central do Brasil, às 20h15. A composição era formada por sete ou oito vagões” e que “a primeira viagem da composição foi em 29 de março de 1950, portanto, exatos 40 anos antes de sua saída de circulação”.

Abaixo estampo uma foto da única viagem que fiz pelo trem Vitória-Minas em 25/10/2004; a curva me permitiu incluir na imagem a parte posterior do trem e a seca paisagem da região leste de Minas Gerais:

trem_vitoria

Camagüey, a terceira mais populosa cidade de Cuba, muito afetada pelas deficiências econômicas do país

Camaguey_CubaCom mais de 300 mil habitantes, Camagüey, é a terceira mais populosa cidade de Cuba. É localizada na região central e capital da província (Estado) de mesmo nome.

Conheci Camagüey durante uma viagem que fiz à ilha comunista em 2005, que narrei em meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm. Ainda não entendi o porquê da sua inclusão no pacote, já que é uma cidade sem atrativos turísticos.

Camagüey está se ressentindo muito da fragilidade econômica do país, principalmente nas residências, com pouquíssima manutenção, como se vê abaixo na foto que fiz lá. A mesma imagem apresenta dois exemplos da limitação cubana em outro importante aspecto econômico-social, que é o transporte de pessoas.

O automóvel dourado, típico dos anos 1940 ou 50, está até restaurado, o que não é comum. Ao seu lado o meio de transporte mais frequente por lá: a bicicleta-táxi. Usa duas rodas atrás e a força humana do condutor para romper caminhos. O combustível é escasso em Cuba.

 

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