Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (XVI)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

Em setembro começava com uma determinação do governador escalado Laudo Natel, criando um novo órgão, que tinha a sigla: SIRCFFSTETT. Ou seja, Setor de Investigações e Repressão ao Crime de Furtos de Fios de Serviços de Transmissões Elétricas, Telegráficas ou Telefônicas. Deve ser de lascar o cara trabalhar lá, atender o telefone e ter que dizer: ‘Aqui é da SIRCFFSTETT’. 

A peça ‘Liberdade, Liberdade’ estreava em Belo Horizonte e a Censura cortava apenas a palavra prostituta, substituindo-a pela expressão ‘mulher de vida fácil’, o que, na atual conjuntura, nos parece um tanto difícil. Ninguém mais tá levando vida fácil. 

Enquanto estudantes faziam manifestações por todo o país, desembarcava no Galeão, vindo do Recife, o General Rafael de Sousa Aguiar, chefe do IV Exército, que explicava aos repórteres: ‘Em Pernambuco está tudo calmo e a Imprensa aqui do Sul é que fica inventando coisas, querendo encontrar chifre em cabeça de burro’. Vinte e quatro horas depois chegava ao Rio a notícia de que 150 estudantes tinham sido presos em Recife. Pelo jeito tinham achado o chifre.

Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (XV)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

Em Belém do Pará um vereador era o precursor dessa bobagem de proibir mulher em anúncio publicitário. É verdade que o Prefeito Faria Lima, de São Paulo, foi mais bacaninha ainda, porque iria — mais tarde — proibir mulher e propor que ‘figuras da nossa História ilustrassem os anúncios’, isto é, Rui Barbosa vendendo sabão em pó, Tiradentes (já definitivamente barbudo) fazendo anúncio de lâmina de barbear, etc. No entanto, quando da proposta do precursor, na Câmara de Vereadores de Belém, um outro edil protestou, afirmando: ‘O mal não reside nas figuras femininas, mas no coração de quem vê nelas o lado imoral. Eu, por exemplo, seria capaz de olhar a foto de minha mãe nua e não sentiria a menor reação’. Nome desse vereador que respeita o chamado amor filial: Álvaro de Freitas, ao qual aproveitamos o ensejo para enviar nossos parabéns. 

E julho começava com uma declaração muito bacaninha da Deputada espiroqueta Conceição da Costa Neves, que afirmava nos bastidores da Assembleia Legislativa de São Paulo: “A ARENA, se quiser, pode cassar o meu mandato e fazer dele supositório para quem estiver precisando”.

E esta é clássica:

O Coronel brigou com o Major porque um cachorro de propriedade do primeiro, conjugava o verbo defecar bem no meio da portaria do edifício de onde o segundo era síndico. Por causa do que o cachorro fez, foi aberto um IPM de cachorro. King — este era o nome do cachorro corrupto — cumpriu todas as exigências de um IPM. Seu depoimento na Auditoria foi muito legal. Ele declarou que au-au-au-au.

Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (XIV)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

Começa o novo martírio de Tiradentes! Um historiador mineiro levantou a questão, dizendo que Tiradentes barbudo e cabeludo era besteira, pois o mártir da Independência era alferes, e portanto, usava cabelo curtinho, como todo militar. O bla-bla-blá comeu firme e obrigou o Marechal Presidente a se manifestar, assinando um decreto que estabelecia a figura de Tiradentes a ser cultuada, isto é, seria a mesma da estátua do falecido, colocada na frente do Palácio Tiradentes, antiga Câmara Federal, no Rio. Nessa altura já tinha sido distribuído para as escolas um Tiradentes bem mais remoçado, sob protesto de professoras primárias que diziam ser o outro ‘mais respeitável’. Recolheu-se o Tiradentes mocinho, emitiu-se uma nota de Cr$ 5.000, com a forca aparecendo e o ‘Diário Oficial’ publicou a resolução presidencial de se venerar ‘a efígie que melhor se ajusta à imagem de Joaquim José da Silva Xavier gravada pela tradição na memória do povo brasileiro’. Quando todos esperavam que iam deixar Tiradentes sossegado, no ‘Diário Oficial’ seguinte ao da publicação do decreto presidencial, constava uma retificação que ninguém entendeu, dizendo: ‘Onde se lê Joaquim José, leia-se José Joaquim’. Ora, todo mundo sabe que o nome do mártir era Joaquim José, até mesmo aquele samba da Escola de Samba Império Serrano, que venceu um carnaval, mas os que estavam salvando o país tinham dúvidas. Uma plêiade de altas autoridades esteve reunida para confabular e veio a retificação da retificação, O ‘Diário Oficial’ do dia 27-4-66 publicava: ‘Fica sem efeito a retificação publicada no Diário Oficial de 19-4-66, na página 4.101’. Felizmente a coisa parou aí, do contrário iam acabar escrevendo Xavier com CH. 

Correu o mês de maio mais ou menos tranquilo, embora o Coronel Costa Cavalcanti, deputado pernambucano e líder da tal linha-dura, afirmasse que a candidatura Costa e Silva ‘cheirava a povo’, mostrando um defeito olfativo impressionante. Um outro Coronel, chamado Pitaluga, ainda em maio, ao passar o comando de seu regimento, fez um discurso no qual afirmava: ‘A Revolução de março livrou o mundo da III Guerra Mundial’. Lá no Vietnã todo mundo achou que o Coronel Pitaluga tinha razão.

Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (XIII)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

E o Secretário de Turismo da Guanabara, Sr. Rio Branco, mudava a ornamentação para o Carnaval, na Avenida Rio Branco, por uma outra mais leve, e saía-se com esta: ‘Deus me livre acontecer um acidente na Avenida do Vovô’. 

Era dos mais democratizadores o caso criado pelo Coronel Comandante do Batalhão de Carros de Combate, sediado em Valença (RJ), que cercou Barra do Piraí com 800 soldados e exigiu que a Câmara de Vereadores local elegesse os membros da mesa conforme listinha que entregou ao presidente da Assembleia. Dizem que foi a e eleição ‘democrática’ mais rápida que já houve. Num instante estavam eleitos os candidatos do Coronel e, se mais rápida não foi essa eleição, é porque alguns vereadores, ao verem tanto soldado embalado, tiveram que ir primeiro lá dentro, cumprir prementes necessidades fisiológicas. 

Na cidade de Mantena (MG) o delegado deu tanto tiro que a cidade deixou de ter população e passou a ter sobrevivente. Em Tenente Portela (RS) um policial chamado Neider Madruga prendeu toda a Câmara de Vereadores porque o candidato da sua curriola não foi eleito na renovação da mesa diretora. Mesmo com o habeas-corpus aos vereadores, dado pelo juiz local, o Madruga levou todos em cana para Porto Alegre, preferindo ‘fazer democracia com as próprias mãos’. 

Manchete do jornal ‘Correio do Ceará’: ‘Todo fumante morre de câncer a não ser que outra doença o mate primeiro’.

A Freira e o Padre (humorismo)

Um padre estava dirigindo para sua paróquia quando viu na estrada uma freira conhecida sua. Ele para e diz:

– Irmã, suba que eu a levo ao convento.

A freira sobe e senta no banco do passageiro, cruza as pernas e o hábito se abre deixando a coxa escultural à mostra.

O padre olha e continua dirigindo. Numa troca de marcha ele coloca a mão sobre a perna e a freira, que lhe diz:

– Padre, lembre-se do salmo 129.

O padre pede desculpas e continua dirigindo. Aquela pernona enlouquecendo-o. Mais adiante, em outra troca de marcha, ele coloca a mão novamente sobre a perna da freira, que repete:

– Padre, lembre-se do salmo 129.

O padre se desculpa dizendo:

– Perdoe-me, Irmã, mas você sabe que a carne é fraca.

Chegando ao convento a freira desce. O padre logo chega a sua igreja e corre até a Bíblia para ler o tal Salmo 129: “Siga buscando, que logo acima encontrarás a glória…”

Moral da história: ou você sabe tudo sobre sua profissão ou vai perder as melhores oportunidades…

No Leito da Morte (humorismo)

O marido, velhinho, no leito de morte pergunta à esposa:

– Querida, por favor, seja sincera.

– Sim.

– Eu sempre achei nosso nono filho um pouco estranho. Ele tem um pai diferente, não tem?

Em lágrimas, a mulher pede perdão e diz que sim.

O marido então pergunta, curioso:

– E quem é?

E a mulher responde:

– É você, meu bem!

Licitação à brasileira (humorismo)

Um prefeito queria construir uma ponte e chamou três empreiteiros: um japonês, um americano e um brasileiro.

– Faço por US$ 3 milhões – disse o japonês:

– Um pela mão de obra, um pelo material e um para meu lucro.

– Faço por US$ 6 milhões – propôs o americano:

– Dois pela mão de obra, dois pelo material e dois para mim… mas o serviço é de primeira!

– Faço por US$ 9 milhões – disse o brasileiro.

– Nove paus? Espantou–se o prefeito. Demais! Por quê?

– Três para mim, três para você e três para o japonês fazer a obra.

– Negócio fechado! – respondeu o prefeito.