Um episódio degradante da política e da economia brasileiras: o uso de bancos estaduais para desvio de dinheiro, resultando em falências e demissões em massa

Depois que o Partido dos Trabalhadores (PT) tornou-se partido do governo, a questão da privatização das empresas estatais foi sendo paulatinamente esquecida da agenda política.

A privatização havia sido a principal base ideológica e de realização administrativa do partido que o antecedeu no domínio político do país, o PSDB; e o presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2001) conseguiu efetivar esse ambicioso e complexo projeto.

Já a retórica do PT, então na oposição, defendia a estatização e demonizava o neoliberalismo, e o adversário político.

O líder petista Lula ganhou o direito democrático de sucessão mas, antes mesmo de assumir o governo, se comprometeu, perante representantes da classe empresarial, a não revisar as privatizações; a contradição foi varrida para baixo da tapete, até cair no esquecimento.

A política de criar empresas públicas teve seu auge nos governos militares-ditatoriais (1964-85), criadores da maior parte das que existiam até o governo Sarney.

Inicialmente eles impunham, de um modo geral, uma administração profissional; ou relativamente profissional, já que era frequente a contratação de funcionários por indicação dos militares mais influentes e de seus aliados.

Mas o sistema degenerou, e os anos 1980 conheceram incontáveis denúncias de irregularidades no setor.

Para não entrar em todos os malefícios da estatização em nosso país, até porque não sou um pesquisador em economia, me restrinjo à área bancária.

O regime militar e os governadores nomeados criaram vários bancos que foram terrivelmente manipulados – principalmente na década de 80 –, com farto desvio de dinheiro.

Desvio direto, mas também indireto: má administração, empreguismo de parentes e aliados, empréstimos pessoais sem comprovação de viabilidade.

O Estado de Minas Gerais chegou a ser o proprietário de cinco bancos (Agrimisa, Bemge, BDMG, Credireal e Caixa Estadual); sobreviveu apenas o Banco de Desenvolvimento que, provavelmente por ter função de fomento, não produzia dinheiro fácil para os políticos.

Um dos meus primeiros empregos foi no maior deles, o Bemge, onde trabalhei por apenas dois meses e 20 dias, tempo suficiente para perceber a perigosa mistura de política com administração de grandes negócios.

(Antes da revolução da informática os cargos de escriturário eram fartos, mas o salário era, literalmente, mínimo.)

O presidente do banco à época (1975), Admardo Terra Caldeira, tinha um currículo acadêmico e profissional como economista, era um tecnocrata – termo em voga na época, com algum caráter depreciativo –, o que não acontecia com o vice-presidente, Pio Soares Canedo, que já tinha sido vereador, prefeito, deputado estadual e vice-governador.

Havia outros diretores indicados por vinculação política, e esta infiltração na primeira linha administrativa transferiu para a segunda linha uma grande parte do poder e também o contato mais direto – às vezes traumático – com os funcionários.

No Bemge, essa segunda linha era representada pelos adjuntos de diretores, funcionários de carreira com direito a decisões que, em instituições bem estruturadas, caberiam aos seus superiores.

Na minha área, o adjunto-chefe tinha o incomum nome de Ubsclender Amâncio: altamente temido pelos bancários, tido como capaz de maltratar ou demitir por motivos insignificantes.

Chegou ao cargo porque sabia onde o poder realmente se aninhava: uma vez ele entrou no elevador acompanhando Pio Canedo, e aos meus olhos de 21 anos me pareceu agir como um cordeirinho.

E essa foi a época boa, época em que os bancos estaduais ainda davam lucro; uma década depois a situação econômica nacional piorou: inflação em elevação e desestabilização política, com a transferência do poder de militares para civis desacostumados com a alta administração.

Os políticos mineiros aproveitaram para lançar garras sobre os cinco grandes cofres: a consequência foi o naufrágio de quatro bancos, o que também aconteceu com de dezenas de outros em vários estados brasileiros.

O Bemge foi encampado pelo Banco Itaú em 1998, transação precedida por um largo investimento de dinheiro dos cofres do Estado de Minas Gerais para sanear a instituição, pelo menos o suficiente para permitir o negócio.

Poucos de seus ex-funcionários foram beneficiados ou, pelo menos, mantiveram o padrão anterior: a maioria foi demitida pela reformulação administrativa e pela influência da informática na redução da necessidade de mão de obra.

O Banco Credireal sofreu intervenção do Banco Central de 15/05/87 a 15/05/89, e foi privatizado em agosto de 1997.

Mais confusa – não consegui decifrar – é a situação do Banco Agrimisa, que acabou vendido; a internet registra intermináveis ações judiciais, duas décadas depois.

A situação da Caixa Econômica Estadual explodiu antes: chegou a passar por um período de intervenção administrativa (mesmo período do Credireal), o que não conseguiu impedir a posterior liquidação extrajudicial instaurada em 1991.

Entre as irregularidades anunciadas, a mídia descobriu que vários deputados receberam empréstimos financeiros que eles não pagavam, e nem a instituição cobrava.

Seus ex-funcionários ainda encontram guarida em outros órgãos públicos estaduais, mas a mesma sorte não tiveram os funcionários do Bemge, Agrimisa e Credireal, e a maior parte deles perdeu o emprego.

Um longo artigo escrito pelo bacharelando Eduardo André Vargas de Araújo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, relaciona 40 instituições bancárias estaduais que sofreram alguma forma de intervenção do governo federal, quase sempre resultando em privatização ou liquidação (para acesso ao texto, cliqueaqui).

Esta questão dos bancos estaduais – que enterrou um astronômico montante de dinheiro público – exemplifica a importância do liberalismo econômico em países com elevado índice de corrupção: o dinheiro público não pode ter acesso fácil para os gestores, pois inevitavelmente haverá aqueles que vão abusar.

Quanto menos empresas públicas, melhor.

A velha fábula da raposa que tomava conta das galinhas vale como lição e alerta.

Saudades do trem Vera Cruz, um transporte que o Brasil despreza e o Primeiro Mundo valoriza, cada vez mais

Provavelmente o trem é o meio de transporte que mais tem evoluído e se valorizado no Primeiro Mundo (EUA, Europa, Japão).

O trem-bala é a tecnologia mais recente.

No Brasil ocorre o contrário: as poucas linhas ainda existentes são precárias e lentas; tornou-se um meio de transporte inexpressivo, insignificante, supérfluo.

O jornal televisivo Bom Dia Brasil fez uma viagem naquele que a reportagem classificou como “o último trem diário de passageiros em funcionamento no Brasil. Foram 13 horas surpreendentes entre Belo Horizonte e Vitória”.

Rodrigo Alvarez, até recentemente correspondente da Globo nos EUA, conta: “Entre Belo Horizonte e Cariacica, no Espírito Santo, vão ser 664 quilômetros. Carregando 57 carros, com a média de 51 km/h, a locomotiva vai levar 13 horas para chegar ao destino. 

Houve um tempo em que o trem era um luxo tão popular no Brasil que levava 100 milhões de passageiros por ano. Era o equivalente dos ônibus ou aviões de hoje em dia. 

Mas isso foi nos século passado, até os anos 60. Hoje, o trem derradeiro – mantido por força de um contrato de privatização com a Vale – leva pouco mais de 900 mil passageiros por ano.”.

Para acesso ao texto e vídeo, cliqueaqui.

Eu tive a oportunidade de usar um ótimo trem que desapareceu, o Vera Cruz, que ligava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.

Fiz duas viagens: a primeira aos 12 anos, final da década de 1960, e a segunda em 1972, ainda menor de idade.

O jornal Estado de Minas fez uma boa reportagem sobre o Vera Cruz em 12/11/2012; começo por extrair dela o relato que o jornalista Otacílio Lage fez sobre sua viagem de 1973, mesma época de minha experiência:

Antes, já havia ido à capital fluminense, mas de ônibus, pela Viação Cometa, da qual os belo-horizontinos, então, eram reféns. Era início de abril e a noite estava fresca. Viajei em um carro de 76 poltronas, nem todas ocupadas. A composição oferecia carro-leito, com cabines individuais, mas o dinheiro era curto para tanto conforto. Tão logo embarquei, fui para o carro-restaurante tomar cerveja e jantar. Havia muitos casais, poucos solteiros, mas deu para entrosar. Por serpentear muito entre as montanhas de Minas e ter de cruzar as serras da Mantiqueira e do Mar, o Vera Cruz gastava 14 horas para fazer a viagem de 640 quilômetros – por rodovia eram, à época, 445, percorridos em sete horas. Confesso que desembarquei na Estação Dom Pedro II, no Rio, meio mareado. Mais tarde, ajudei a noticiar as sucessivas interrupções do Vera Cruz, que em 15 de março de 1990 foi aposentado de vez. Contudo, aquela viagem, em 8 de abril de 1973, ficou para sempre na minha lembrança”.

A reportagem dissecou o destino dos velhos trens, e o resultado é triste: “partes da composição estão hoje em pátios ferroviários de Belo Horizonte, Santos Dumont e Juiz de Fora, ambas cidades na Zona da Mata, com os vidros das janelas quebrados, o assoalho trincado”.

E lembra que “o Vera Cruz partia às sextas-feiras e domingos de Belo Horizonte, da Estação Central, e do Rio de Janeiro, da Central do Brasil, às 20h15. A composição era formada por sete ou oito vagões” e que “a primeira viagem da composição foi em 29 de março de 1950, portanto, exatos 40 anos antes de sua saída de circulação”.

Abaixo estampo uma foto da única viagem que fiz pelo trem Vitória-Minas em 25/10/2004; a curva me permitiu incluir na imagem a parte posterior do trem e a seca paisagem da região leste de Minas Gerais:

trem_vitoria

O Bairro da Serra (Belo Horizonte) era um paraíso ecológico em princípios do século 20

Entre as lembranças mais antigas de minhas memórias estão as visitas à tia Maria (1906-95), a irmã mais velha de meu pai, que morava numa casa antiga do Bairro da Serra (Rua do Ouro, 650).

Do interior da casa, a lembrança se fixa nos dois enormes relógios tipo carrilhão – tradição desaparecida –, praticamente dois móveis, dois armários.

O da sala deixou seu som marcante, forte, metálico, definitivamente gravado em minha cabeça, retumbando a cada hora dentro daquele corpo quadrado de madeira escura, da altura de um homem adulto, e uma porta de vidro guardando o badalo e as correntes que forneciam a energia mecânica, empurrando o tempo.

O carrilhão da copa já era peça de museu, creio que nunca o vi funcionando.

E no quintal, nos fundos, a lembrança mais indelével: na ponta do barracão onde morava minha prima Maria Antonieta havia um pequeno portão de madeira e, uns poucos degraus abaixo, se mostrava uma pequena encosta de morro com a nascente de uma bica d’água, que corria fina, discreta, mas constante.

Um passeio às matas, a uma microrrepresentação da natureza pura no meio de uma área urbanizada, uma micropaisagem que já desapareceu em qualquer grande cidade – parques de preservação não contam.

A nascente da tia Maria era uma entre dezenas ou centenas que formavam quedas d’água, regatos e córregos de um bairro das montanhas; todos estes cursos de água já desapareceram ou foram canalizados, em nome do progresso.

Pedro Nava, grande escritor brasileiro e meu ídolo literário, morou na Serra por volta de 1920 e retratou sua hidrografia na página 146 (edição da Ateliê Editorial) de Chão de Ferro, terceiro dos seus seis livros memorialísticos:

De Chumbo, Caraça descia em rampa suave até aquele córrego, um dos muitos que serpenteavam nos mundos indescobertos da Serra. O que eu ouvia, separava nosso terreno do lote vizinho. Descia das encostas da Serra do Curral, das sesmarias do Arquimedes Gazzio, passava nos fundos dos latifúndios do Zé Rizzo, do Dr. Aleixo, recebia a afluência de outro que descia da Caixa de Areia e atravessava a Rua do Ouro, seguiam mutualmente engrossados por dentro das terras do Gomes Pereira e viravam no corregão maior que banhava as glebas do Estevinho. Seguia ora a descoberto, ora debaixo de túneis, dando braços que se juntavam a outros riachos. Acabavam todos no Arrudas, depois no Rio das Velhas velho, depois no marroeiro São Francisco, depois no Mar Oceano. Ao atravessá-lo, paramos no meio da pinguela que o major mandara construir com duas grossas tábuas. Ele marulhava entresseixos dois metros abaixo, mas o ruído grande vinha de uma cascata que olhamos deslumbrados. A límpida língua d’água – límpida mesmo, mais límpida que uma chuva de brilhantes – saía de dentro de plantas agrestes, da vegetação ribeirinha, onde predominavam tufos de samambaias e de avencas gigantescas – como esguicho parabolando do fundo das barbas lodosas de um mascarrão de mármore preto. Atirava-se dentro dum banheiro natural cavado por sua força – mas de que seu jato não turbava a transparência das águas que já ferviam no fundo mineral de cascalho lavado e relavado. O riacho descia dentro de leito inteiriço feito de ganga de ferro, estrondava naquele ponto, borbulgalava e descia.”.

Era o córrego Mangabeiras, que deu nome ao agora valorizado bairro vizinho e hoje não passa de uma tubulação sob ruas e casas.

E do arquivo da prima Dulce, filha da tia Maria, consegui duas fotos para ilustrar a lembrança. A primeira é da fachada da casa, hoje substituída por um prédio, semelhante aos que já aparecem no fundo da imagem. A foto é datada de dezembro de 1983; não deve ter durado muita coisa após o clique. Um estilo arquitetônico bem típica da primeira metade do século 20 na capital mineira:

Casa antiga do Bairro da Serra (Rua do Ouro, 650), Belo Horizonte

 

E a segunda foto mostra, à direita, o barracão onde a prima Maria Antonieta iniciou a vida de casada. E é ela quem aparece em primeiro plano com o marido Ailton e um dos três filhos homens, provavelmente o mais velho, Valério. A casinha da esquerda só tinha um cômodo: era a Casa das Três Meninas, construída pelos pais para alegrar a infância das três filhas. À direita, o citado barracão, que termina, alguns metros adiante, no portãozinho que se abre para a natureza pura, que poucos anos adiante ia desaparecer.

Lembranças de uma fofoqueira que não sabia disfarçar

Uso — e estou muito longe de ser o único — a internet para pesquisar e procurar antigos colegas, amigos, conhecidos, com os quais perdi contato.

Lancei um dia desses o nome de uma antiga colega de trabalho e apareceram dados de seu inventário; é falecida, portanto.

Já era veterana três décadas atrás, quando iniciei minha carreira; tinha até tempo para se aposentar, mas alegava que queria adiar a inevitável perda salarial.

É melhor não citar o nome, pois deixou parentes e não vai ficar com biografia favorável nos próximos parágrafos que tenciono escrever; a única referência que posso fazer é que provavelmente era filha de admiradores da história do Império Romano, pois nomes e sobrenomes foram extraídos de seus ícones.

Direto ao ponto: era a típica fofoqueira, sempre preocupada com a vida alheia, em espalhar “falhas” de comportamento de colegas, vizinhos e conhecidos, principalmente as que atentassem contra os ideais então vigentes sobre moral e “bons costumes”.

Mas não era uma pessoa ruim, sádica; seu comportamento era algo infantil, imaturo, não fora moldada para se dedicar a atividades úteis.

Parecia uma caricatura, pois todos percebiam quando ela estava criticando algum colega: encostava a boca no ouvido do ouvinte, às vezes até o tapava com a mão e ainda projetava furtivos olhares para a vítima da fofoca, denunciando intenções.

Tive a oportunidade de ser sua vítima por causa de meu gosto de apostar em corridas de cavalos (o que hoje não faço mais de três ou quatro vezes por ano): meu bookmaker favorito nos anos 1980 ficava uns 30 metros abaixo da casa da irmã dela, bairro Santa Tereza, Belo Horizonte, onde ela geralmente passava os fins de semana.

Lá chegando numa tarde de domingo percebi, à distância, que ela já estava na janela da irmã, vigiando a vizinhança; quando me aproximei um pouco mais, gritou o meu nome.

Tentei bancar o esperto: olhei para outras direções para deixar claro que estava procurando por quem me chamava, mas deixei de olhar exatamente para a janela dela (de propósito, claro!).

O golpe falhou: no fim da tarde, ao voltar para casa, não consegui evitar o encontro, pois ela continuava na mesma janela, na mesma vigília, na mesma falta do que fazer…

Na segunda-feira, ao chegar ao trabalho, logo de manhã, outra colega me chamou para uma conversa particular e soltou o veneno:

— Márcio, hoje eu soube de uma coisa muito feia a seu respeito. Descobri que você é jogador profissional de carteado.

Percebi que só me restava dar uma resposta firme e clara para acabar de vez com a provocação e as fofocas:

— Não é verdade! Eu sou jogador é de corridas de cavalos. Aliás, acho que é uma diversão muito agradável e pretendo continuar jogando por muitos anos.

— Mas eu soube que você foi a uma casa de jogo de cartas… — insistiu.

— Sua informante está enganada. Aquela casa é uma banca de corridas de cavalos. — dei até o nome da autora para deixar claro que controlava a situação, que nada tinha a esconder, ou me envergonhar.

Meia hora depois a própria fonte me chamou e insistiu sobre a história do carteado; eu reafirmei que eu era apostador de turfe.

No final daquele ano, o banqueiro deu uma festinha para os fregueses e incluiu amigos e vizinhos. Pois não é que o mundo realmente dá voltas? Ela, a irmã e as sobrinhas estavam presentes, bebendo às custas de quem certamente difamava pelas redondezas.

Certamente não se deu conta da incoerência; seguiu um padrão de comportamento largamente frequente na sociedade humana.

Mas quem fala muito da vida alheia também costuma se preocupar com a língua dos outros.

Mais à frente, já às portas da velhice, aquela senhora optou por investir nas aparências, mais exatamente no corpo, e fez uma cirurgia plástica facial; o trabalho do médico foi imperfeito e ela não voltou a trabalhar, se escondendo dos colegas.

Ao cabo de alguns meses pediu aposentadoria e foi buscar pertences fora do horário de trabalho para não ser vista, mas deu o azar de ainda me encontrar na sala.

Embora tivesse deslocado uma mecha de cabelos para disfarçar, não me pareceu que o estrago fosse grande, era menor do que o peso da vaidade.

Só voltei a vê-la quase duas décadas depois, já velhinha, alquebrada, amparando-se em muletas e no braço de alguém.

Histórias dos tipos humanos.

Lembranças de um jovem repórter que varava as madrugadas de sexta-feira, em Belo Horizonte, anos 70, trabalhando e comendo muito

O meu bairro de Santa Tereza está se transformando na pátria dos butecos da capital de Minas Gerais.

Com a fama e a procura, mercado aquecido, novos empreendimentos são abertos seguidamente em pontos diferentes de suas ruas, tendo a cerveja e a picanha como protagonistas e seus assemelhados como coadjuvantes bem apreciados.

Na rua Mármore, a principal, em meados deste 2011 abriu-se o Quibelanche, usando o nome de um tradicional bar/lanchonete que funcionou no centro de Belô por muitos anos.

O uso seguiu caminhos legais: o dono do atual é genro do antigo.

Fui um freguês semanal assíduo do amplo e movimentado bar do sogro, em torno de 1973 e 74, um freguês das sextas-feiras.

Naquela época eu era repórter do extinto Jornal de Minas, mas também tinha uma revista de turfe que me dava um pequeno lucro na vendagem de seus menos de 100 exemplares, e nos anúncios singelos e baratos. Continue lendo »

Decepções com a espécie humana: para cada pessoa solidária existem incontáveis brutos e agressivos

Num mesmo único dia, lá pelos anos 80, conheci duas pessoas diametralmente diferentes: um homem solidário e outro agressivo.

O primeiro foi na barragem da Pampulha, em Belo Horizonte: meu carro Fiat 147 estragou na única passagem então existente daquela região da capital mineira, e um solidário com conhecimentos de mecânica parou para me ajudar.

Merece até uma citação um pouco mais aprofundada: chamava-se Zé Rosa e era mecânico de aviões. Seu prazer, seu barato, era parar para ajudar motoristas em dificuldade. Continue lendo »

Enganar os candidatos a empregos, crime que atravessa décadas no Brasil

Na transição entre a adolescência e a juventude passei por uma fase de indefinição profissional.

Estava desempregado e tinha paralisado os estudos no início do segundo grau, mas precisava trabalhar pois a família não passava de classe média baixa e, felizmente, jamais tive vocação para vagabundo.

Comecei a procurar pelo óbvio: anúncios classificados de jornal. Continue lendo »