Nova crise se avizinha, e o Brasil ainda é ineficiente na produção industrial dos produtos que exporta

Por todo o século 20 se falou que o Brasil estava errado em ter uma política econômica basicamente exportadora de produtos primários e importadora de produtos industrializados.

Ok, a situação melhorou bastante. Mas boa parte do que ainda é exportado poderia receber processamento industrial nas terras brasileiras, em indústrias nacionais, contratando mão de obra também local, além de especializada e melhor remunerada.

Com o acima exposto concorda o físico Ennio Candotti (quatro vezes presidente da SBPC e o atual vice, também professor da Universidade Federal do Espírito Santo) e assim falou ao caderno Aliás do jornal O Estado de São Paulo, edição de 04/03/2012:

Veja, ainda temos um perfil de exportador de matérias-primas. A China nos manda produtos elaborados e nós mandamos matérias-primas. Ela vem fazendo isso nos últimos cinco, oito anos. Há dez anos, portanto, a China não era exportadora de matérias elaboradas. Ou seja, em uma década, o perfil da economia de um país pode mudar, mas isso exige planejamento, esforço concentrado. Temos uma pauta de exportações em que o valor agregado é ainda muito modesto. O fato de termos poucas patentes reflete isso. Discutíamos isso 30, 20 anos atrás, no início da industrialização da Coreia, e ainda não produzimos um carro nacional. A Índia está fabricando um carro de US$ 2 mil, a China vende automóveis muito baratos. Não saberíamos fazer coisa semelhante? Saberíamos, sim. Talvez o fato de exportarmos grãos e minérios nos dê uma situação cômoda de poder gerar riqueza sem investir muito em inteligência.”.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista realizada por Mônica Manir, cliqueaqui.

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Aeroporto de Guarulhos agora tem camelôs circulando entre os passageiros enquanto órgãos públicos disputam a responsabilidade da repressão

Espera-se uma grande movimentação turística no Brasil com a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), e os aeroportos são as portas de entrada.

Mas os grandes aeroportos nacionais não estão bem classificados, nas estatísticas internacionais, em quesitos como organização da entrada de imigrantes, preços de serviços e segurança.

Já fui vítima da deficiência de segurança no Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo, mas felizmente o conteúdo da minha mala não agradou o ladrão, que se contentou em estragar o fecho, sujar as roupas com uma mão molhada (dia chuvoso) e levar uma barra de chocolate. Que entupa as veias!

Recentemente os telejornais mostraram as imagens de roubos perpetrados (palavrinha forte) no Aeroporto de Congonhas, também em São Paulo, por descuidistas que aproveitaram as distrações dos descuidados.

E o jornal O Estado de São Paulo, de 29/04/12, apresenta a última novidade da desorganização brasileira: a tolerância a vendedores ambulantes (camelôs) no interior do aeroporto de Guarulhos, que é o maior do país:

Nos cafés localizados no primeiro andar, entre os embarques nacional e internacional, eles abordam passageiros nas mesas. Sacos com bloquinhos de papel, caneta e chaveiros são colocados ao lado de bandejas com salgados ou sucos, com o preço e a mensagem do vendedor em destaque. 

Quanto mais lotado o aeroporto, mais ambulantes aparecem. Os passageiros ficam meio desconfiados, principalmente os gringos, diz uma vendedora de uma lanchonete que pediu para não ser identificada. A oferta confunde turistas estrangeiros que, sem entender a mensagem em português, não sabem se é gratuito ou não.”.

Eles copiaram um comportamento que é rotina em qualquer grande cidade brasileira: quando um semáforo em local de grande movimento fica vermelho, vendedores-corredores colocam um saquinho de balas no espelho retrovisor dos primeiros carros, geralmente ao preço de um real (para facilitar, pois o prazo é curto) e quando a luz está quase esverdeando eles recolhem o dinheiro ou o saquinho.

Pelo menos eles ainda não estão correndo na pista, entre os aviões…

O problema deveria ser fácil de resolver pois a atividade é ilegal, mas a mesma reportagem ressalta a preguiçosa política do toma-que-o-filho-é-teu:

O delegado Ricardo Guanaes Domingues, titular da delegacia do Aeroporto de Cumbica, diz que cabe à prefeitura de Guarulhos coibir a ida dos ambulantes para o aeroporto.”

No entanto:

A prefeitura de Guarulhos afirma que o problema é da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).”.

E por um terceiro lado:

A Infraero, por sua vez, afirma que tem se esforçado para retirar os ambulantes de áreas públicas, mas ressalta que não tem competência legal para essa ação, uma vez que a área do aeroporto é pública, não privada.”.

Quais são os problemas do comércio ambulante? A matéria não diz, mas são óbvios: perda de impostos, desorganização social e facilitação de roubos, pois é por brechas como esta que os ladrões se infiltram.

Para acesso ao inteiro teor da reportagem, cliqueaqui.

O Parlamento de Budapeste (Hungria)

Informa a Wikipedia que o “Parlamento de Budapeste (em húngaro: Országház) é o local onde se reúne a Assembleia Nacional da Hungria, e um dos edifícios legislativos mais antigos da Europa, que constitui um notável exemplo paisagístico da Hungria e um destino muito popular em Budapeste”. Foi inaugurado em 1904.

A gigantesca construção fica na margem do famoso rio Danúbio, em Peste, que é a parte plana e mais moderna da capital da Hungria. Uma lição de história: Budapeste foi fundada em 1849, por decisão de um governo revolucionário que fundiu três cidades contíguas: Ôbuda, Buda e Peste. Hoje é uma cidade de quase dois milhões de habitantes (quase 20% do total do país).

Fiz a foto abaixo, do Parlamento, em outubro de 2010:

Um capiau mineiro bem munheca (humorismo é sempre bão…)

Um capiau, muito do pão-duro, recebe a visita de um amigo. A certa altura da conversa o amigo pergunta:

— Se você tivesse seis fazendas, você me dava uma?

— Claro, uai!, respondeu o mineiro.

— Se você tivesse seis automóveis, você me dava um?

— Claro que sim, uai!

— E se você tivesse seis camisas, você me dava uma?

— Não!

— Por que não?

— Uai! Porque eu tenho seis camisas!

O último truque de marketing da presidente Cristina Kirchner: a reestatização da empresa petrolífera YPF

Três décadas atrás fiquei muito assustado com a possibilidade de Ronald Reagan chegar à presidência dos Estados Unidos.

Ele era tido como direitista radical e temi que mudasse demais a estrutura político-ideológica do país, o que parecia um caminho para a guerra nuclear com a União Soviética.

Foi eleito em 1981 e, ao contrário do esperado, acabou sendo importante no abrandamento da guerra fria.

Na mesma época, mais exatamente em 1983, a Itália elegeu um primeiro-ministro socialista (Bettino Craxi) e, na verdade, pouco mudou.

Com estas experiências entendi que o Primeiro Mundo não é suscetível a mudanças personalistas e rápidas de seus princípios gerais, mas nas décadas seguintes aprendi que o mesmo não acontece com a América Latina.

Me impressionam a ingenuidade e a falta de um padrão ideológico do eleitorado latino-americano, capaz de eleger líderes com perfis não apenas diferentes, mas opostos aos antecessores. Ou os sucessores.

Com frequência, os eleitos não se importam em efetuar medidas irresponsáveis, capazes de comprometer as estruturas político-econômicas de cada nação e as relações internacionais futuras.

Prevalece o objetivo de cativar o eleitorado e satisfazer sonhos de perpetuação no Poder.

O último show de marketing populista latino-americano foi a retomada da petroleira YPF pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner (o anúncio foi no recente 16/04/12).

O correspondente no Brasil da revista Newsweek, Mac Margolis, analisou a questão argentina e as conexões latino-americanas em sua coluna dominical publicada n`O Estado de São Paulo, em 22/04/2012.

Sobre o caso YPF, esclareceu: “Hoje seu [de Cristina Kirchner] conselheiro é o jovem acadêmico Axel Kicillof, de 40 anos, […] Seria por influência de Kicillof, amigo de seu filho Máximo, que a presidente decidiu tomar o controle acionário da petroleira YPF. O governo acusou os donos espanhóis de preterir a prospecção de novos campos de petróleo e gás para privilegiar acionistas. A empresa admite ter remetido pelo menos US$ 3.5 bilhões em dividendos nos últimos cinco anos, contra investimentos de US$ 11 bilhões. 

Os espanhóis não negam. Mas alegam que não tiveram opção frente aos malabarismos políticos do governo, que congelou os preços de energia, fez disparar o consumo e minou as receitas da empresa. Outrora exportador de energia, a Argentina importou 15% de suas necessidades energéticas no ano passado.”.

Antes, no primeiro parágrafo (ou lide), explica o porquê do título “A dualidade do kirchnerismo”:

Ora a mercurial presidente argentina encarna a administradora responsável, zelosa da saúde fiscal do país e assessorada por um ministério de medalhões. Ora sobe à sacada para bradar contra os imperialistas e declarar-se aos descamisados, um avatar perfeito de Eva Perón.”.

Adiante, detalha o cardápio governista do casal Kirchner:

Na última década, o casal Kirchner – o estilo de Cristina se confunde com o de seu marido e antecessor, Néstor – passou a mão em um punhado de empresas. Reestatizou a Aerolíneas Argentinas e a companhia de água de Buenos Aires, privatizadas na década de 90. Nacionalizou também os bilionários fundos de pensão privados. 

Para cercear a crítica, a Casa Rosada declarou o papel de jornal artigo de ‘interesse nacional’ e passou a controlar a matéria prima da imprensa. Estatizou a estatística ao esvaziar o Instituto Nacional de Estatística e Censo e ameaçou processar quem divulgasse dados divergentes dos oficiais – leia-se maquiados.”.

Duas semanas depois da medida, a mídia já anuncia a divulgação de pesquisas comprovando o crescimento da popularidade da presidente, confirmando a conhecida suscetibilidade do eleitorado latino-americano a bravatas nacionalistas.

Como a memória popular é curta e seu mandato ainda está no início, outras medidas de impacto ainda virão.

Para acesso ao inteiro teor do artigo de Mac Margolis, cliqueaqui.

Um ato de desrespeito e de desprezo à propriedade alheia: colar ou pregar material de propaganda sem autorização

Na década de 1980 comprei meu segundo carro: um Fiat 147, usado, fabricado em 1978, modelo popular da fábrica italiana recém-instalada em Betim, na região metropolitana de minha Belo Horizonte.

Algum tempo depois recebi pela caixa de correio uma propaganda com um plano de revisão barato, enviado pela Cobrasa, a maior ou única concessionária da fábrica em Belo Horizonte.

Jovem ainda, pouco vivido, acreditei que era a oportunidade de fazer uma boa revisão no carro, segura e barata (o preço anunciado no prospecto era convidativo).

O carro voltou com um monte de itens cobrados à parte, uma marca de colisão que não existia antes, e uma placa de propaganda da própria concessionária (a lataria foi furada para a colocação de parafusos).

Mandei uma carta de reclamação, de duas páginas, para a Fiat e para a concessionária.

Jamais foram respondidas e a concessionária ainda incluiu meu nome no cadastro para propostas de negócios; posteriormente me telefonaram e, quando informei que não mais negociaria com eles, o vendedor deu um showzinho engana-trouxa: gritou para um suposto alguém ao lado que eu estava prestando uma queixa formal contra, nada mais nada menos, o recepcionista que registrou a entrada do meu carro.

Parece que a Cobrasa não existe mais; já vi este nome ligado a uma empresa de outro ramo.

Focando na questão da plaqueta publicitária que furou minha lataria, observo que casos semelhantes fazem parte do cotidiano do brasileiro.

Me lembrei do velho caso ao encontrar um adesivo de propaganda no interfone de minha casa, com o nome e telefone de um especialista em consertar este tipo de aparelho.

Tentei arrancar a unha e não tive sucesso; concluí que o “especialista” deve ter feito uma bela pesquisa de mercado para conseguir um adesivo difícil de ser arrancado, que gruda com força.

E certamente jamais passou pela cabeça dele, ou de quem mais comete irregularidade assemelhada, pedir autorização para estragar uma propriedade alheia.

Infelizmente é da índole dos brasileiros não aceitar a culpa quando precisam explicar casos como este, e usam subterfúgios como o “prejuízo meramente estético”. Os mais surrealistas são até capazes de acreditar que estejam fazendo um favor ao dono do automóvel, da casa ou de qualquer propriedade usada com a mesma finalidade, pois o “prejudicado” estaria ajudando um ser humano a lutar pelo seu trabalho, pelo seu ganha-pão.

A negação da responsabilidade por um pequeno delito abre o caminho para o delito maior: encontrar subterfúgios, desculpas, ou explicações decorrentes de interpretação pessoal, é sempre fácil. São só palavras.

A continuar assim, a palavra furto pode desaparecer no futuro; o único sinônimo que vai sobrar nos dicionários e no código penal é o roubo, que é um crime óbvio, por causa da mão armada.

Até porque, se este crime for legalizado, a sociedade vai se auto-explodir, pois não haveria mais um futuro viável.

Mais algumas belas imagens de São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, MG

São Gonçalo do Rio das Pedras é um distrito pertencente ao município do Serro, antiga e histórica cidade da região central de Minas Gerais.

São muitos os nomes usados no passado para definir povoamentos como São Gonçalo: vila, povoado, arraial.

Alguns estão decadentes, outros melhor conservados. Este é o caso de São Gonçalo, situado a 34 quilômetros do Serro e sete de Milho Verde, outro distrito bem conhecido.

Na sequência de três fotos a seguir, a primeira é a rua da subida para a praça da igreja matriz, com o calçamento de pedras:

 

A segunda é principal igreja local, dedicada ao santo Gonçalo (construída em 1787, ampliada em 1864 e reconstruída em 1934):

 

E a terceira é a aprazível e tranquila praça da igreja: