Rita Lee ganha, em 1ª instância, processo movido por policiais militares sergipanos que se sentiram ofendidos por ela

Matéria do site UOL – que pertence ao jornal Folha de São Paulo – informa em 26/02/2013:

O juiz substituto do 7º Juizado Especial Cível, Alexandre Lins, julgou improcedentes os pedidos de indenização por danos morais feitos por 35 policiais militares que se sentiram ofendidos pela cantora Rita Lee durante um show ocorrido em janeiro do ano passado durante o Verão Sergipe, na Atalaia Nova, município de Barra dos Coqueiros (região metropolitana de Aracaju). Cada militar entrou com uma ação especifica, cobrando uma indenização no valor de R$ 24.880.”.

A veterana artista, de 67 anos – e com aposentadoria anunciada –, xingou os policiais que estariam maltratando espectadores.

O governador sergipano estava presente e escolheu, claramente, o seu lado (texto da Folha de São Paulo, edição de 29/01/2012):

O governador Marcelo Déda (PT), que também assistiu à apresentação, disse ter testemunhado ‘um espetáculo deprimente` por parte de Rita. ‘A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]`, declarou. 

Para o governador, a cantora tentou colocar o público – estimado em 20 mil pessoas pela organização – contra os policiais, o que poderia levar a uma ‘confusão generalizada`.

A matéria da Folha também postou alguns vídeos amadores com som e imagem do episódio; o melhor deles, com 4min35seg de imagem razoável e bom áudio, parece conter toda a cena, inclusive a saída do governador.

Na fala da velha roqueira, o único momento que me pareceu grave foi o uso da pesada expressão “filhos da puta” (ela também fez comparações com cavalos e cachorros, que soaram ofensivas, ainda que algo genéricas).

No mais, foi um longo teatro espontâneo em que ela criticava, reclamava, mas também brincava com a presença dos policiais, se referindo diretamente a quatro deles, que não apareceram de frente na imagem.

Não está claro na matéria, mas parece que todos os 35 policiais que entraram com as ações judiciais estavam presentes no local (a leitura de outros textos na internet não ajudou a elucidar a dúvida).

E todos foram representados por um único advogado (Plínio Karlo de Almeida, ligado à Associação dos Militares de Sergipe – Amese), que pediu um valor igual de indenização para cada cliente.

O espertalhão não teve trabalho nem com a digitação da petição, usando o copiar-colar o tempo todo, mas usou a malandragem de impetrar as ações em locais distintos (diversos fóruns de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros), certamente esperando decisões diferentes, emitidas por juízes diferentes.

E certamente haverá quem entenda que os policiais militares também foram os ativos da história, tentando ganhar dinheiro fácil à custa do destempero verbal de quem defendia seus espectadores ou fãs.

O que chamou a minha atenção foi o fato de policiais acionarem a Justiça Comum em processos pessoais.

Não seria uma forma de insubordinação junto à hierarquia militar?

Afinal, se alguma instância superior anular a decisão do valente juiz substituto, os policiais receberão uma indenização pecuniária, embora estivessem representando o Estado durante o evento.

É um caso complexo, desconheço a existência de precedentes, mas me parece inadequado para os padrões das corporações policiais ou militarizadas.

Da matéria sobre a decisão judicial acrescento, a título de informação e curiosidade:

Ø “No caso em tela, as imagens do vídeo juntado aos autos deixam claro que todo discurso da acionada foi dirigido a um grupo restrito de policiais que estava próximo ao palco. Então, indaga-se: pode qualquer policial militar postular compensação por dano moral? O que justificaria tal pleito? A dor decorrente da solidariedade aos colegas de farda? Poderia, assim, um policial militar de outra unidade da federação também pedir que lhe fossem compensados os danos morais?”, questionou o magistrado na sentença. 

Ø Segundo a decisão judicial, no caso de Rita Lee, não foram proferidas ofensas abrangentes, extensíveis a todos os policiais militares ou a todos os policiais presentes na festa. “As imagens não deixam dúvida de que a requerida, durante todo tempo, dirigiu-se a um grupo restrito de policiais que estava próximo ao palco. Xingamento, ironia, deboche, tudo ocorreu sem referência genérica a policiais ou policiais militares. Aliás, durante o episódio sempre houve contato visual entre a acionada e o grupo de policiais a que se dirigia”, sentenciou. 

Ø Para o juiz, ainda que algum agente público fora daquele grupo tenha se sentido ofendido, não há, objetivamente, dano a ser compensado. 

Ø O magistrado disse na sentença que no caso dos autos, o nome e a fisionomia dos policiais não eram e não ficaram conhecidos, exceto se o próprio agente público cuidou para que isso acontecesse. “A honra daqueles servidores não foi atingida, mas sim a imagem da polícia e do próprio estado”, decretou o juiz. 

Ø Ainda na decisão, o juiz indeferiu a concessão da gratuidade judiciária pois os policiais são membros de carreira organizada e remunerada em patamar superior ao que se enquadraria na linha da pobreza, tendo em vista que a Constituição de 1988 exige prova da alegada pobreza. 

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

Para acesso ao inteiro teor do artigo da Folha, com os vídeos do discurso de Rita, cliqueaqui.

O tráfico de mulheres existe, mas é bem diferente do formato surrealista com que é tratado na novela Salve Jorge

Nos anos 1960 a televisão ainda era precária, com aparelhos pequenos, imagem em preto e branco, de pouca definição; mas as telenovelas já tinham farta audiência.

Uma característica da época era o surrealismo dos enredos; talvez o grande exemplo tenha sido O Sheik de Agadir: transmitida pela TV Globo entre 1966 e 1967, acontecia nos desertos árabes (mas filmada na praia de Cabo Frio) e a jovem atriz Marieta Severo era uma serial killer que matou metade dos personagens.

A TV Globo seguiu investindo, melhorou os enredos e a qualidade técnica, mas, ocasionalmente, volta a apelar para o surrealismo.

Foi o caso de O Clone (2001-2002): como o próprio nome sugere, dois homens, mais do que irmãos, são clones, cópias genéticas. Parte da história se passa no Marrocos e novamente as línguas se misturam, mas os autores resolvem a questão sem dificuldade, desaparecendo com o árabe (a produção disfarçou com a licença para que os atores mais competentes criassem sotaques e trejeitos engraçados).

Ou em Caminho das Índias, de 2009, onde brasileiros e indianos se comunicavam como se falassem a mesma língua (nem indianos falam a mesma língua, é o país recordista em dialetos).

O humorístico Casseta e Planeta foi bem feliz na satirização do Caminho: qualquer fala de personagens era motivo para todo mundo iniciar as dancinhas indianas.

O mais recente ataque de surrealismo está no ar com a estranhérrima Salve Jorge, em que atrizes com cara de madame do soçaite (Vera Fischer, Claudia Raia, Totia Meirelles) interpretam bandidas violentas, cotidianamente envolvidas com o submundo do crime. Completas caricaturas.

A história (tráfico de mulheres para prostituição) se passa na Turquia, e novamente a produção passa bem ao largo das dificuldades naturais dos contrastes com a cultura e uma língua oriental.

Sei que estou criticando milhões de mulheres e milhares (ou apenas alguns milhões a menos?) de homens, mas prestar atenção e até se envolver emocionalmente com pessoas e situações tão inverossímeis é muito esquisito.

Agora, viajar na maionese é a explicação que a autora Glória Perez deu para o título: “A ideia surgiu no momento em que assisti a retomada do complexo do Alemão. [… ] O título surgiu da constatação do quanto essas pessoas foram guerreiras para conseguir sobreviver sob o domínio do tráfico [… ] Quando se fala em guerreiro se pensa no mito de São Jorge”.

Parabenizo pelo sentimento humanitário mas, e a Turquia, onde entra?

Só rindo.

Para ler outras justificativas e comentários de Glória Perez, cliqueaqui.

Artur Xexéo, colunista do jornal O Globo, elegeu as três letras mais incompreensíveis da música popular brasileira

No livro Na Toca dos Leões (2005), o jornalista e escritor Fernando Morais conta que, lá pelos inícios dos anos 90, o colunista do jornal O Globo Artur Xexéo promoveu um hilariante concurso com a finalidade de escolher o verso mais incompreensível da música popular brasileira. Ao vencedor seria entregue o troféu “Zum de Besouro”. Os seus leitores foram os eleitores e o resultado foi o seguinte:

1.º lugar – Gilberto Gil – música Refazenda

Abacateiro teu recolhimento é justamente

O significado da palavra temporão

Enquanto o tempo não trouxer teu abacate

Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão

Abacateiro sabes ao que estou me referindo.

2.º lugar – Cazuza e Ezequiel Neves – música Codinome Beija-Flor

Que só eu que podia

Dentro da tua orelha fria

Dizer segredos de liquidificador. 

3.º lugar – Jorge BenJor – música Alô, Alô, W/Brasil (Chama o Síndico)

Jacarezinho, avião, Jacarezinho, avião

Cuidado com o disco voador

Tira essa escada daí,

Essa escada é pra ficar aqui fora

Eu vou chamar o síndico

Tim Maia! Tim Maia! Tim Maia! 

Só o próprio “zum de besouro“, verso da música Açaí, de Djavan, consegue competir na mesma estratosfera.

A música “Açaí”, de Djavan, virou sinônimo de letra estapafúrdia

A letra não é uma companheira indispensável da melodia mas, quando existe, deveria ser compreensível, ter algum significado.

Até reconheço que não é fácil a vida do letrista musical, pois o andamento ritmado exige um número razoavelmente pequeno de palavras, o formato é de poesia (versos) e é necessário um casamento com os acordes melódicos.

Mas há exageros.

E um dos mais conhecidos é a letra da música Açaí, de Djavan (1982), cujo verso principal virou sinônimo de incompreensibilidade musical:

Açaí, guardiã / Zum de besouro um imã / Branca é a tez da manhã

A música só tem três versos e os outros dois também são altamente fantasiosos:

Solidão de manhã,/ Poeira tomando assento/ Rajada de vento,/ Som de assombração, coração/ Sangrando toda palavra sã 

A paixão puro afã,/ Místico clã de sereia/ Castelo de areia,/ Ira de tubarão, ilusão/O sol brilha por si

Um blog especializado em música brasileira (http://mpbbossa.blogspot.com.br) relata, em 02/10/2012, que:

No programa Som do Vinil (Canal Brasil, sextas, 21h30), Djavan disse que não entendia o porquê da incompreensão. ‘O verso é claríssimo’, disse.

• No Norte, o açaí tem grande importância na manutenção das famílias. É uma fruta abundante, de considerável valor comercial e bastante nutritiva. Ela é a guardiã desse povo, daí ‘Açaí, guardiã’. 

• Também no Norte, os sertanejos ficam atentos a qualquer barulho vindo da natureza, fazendo-os ficar atentos e apontarem qual bicho está emitindo aquele som. É algo que os atrai, daí ‘Zum de besouro um imã’.

• Por fim, depois de uma noite escura, o sertanejo abre os olhos às 5h da manhã e se depara com um dia branco, claro. Daí ‘Branca é a tez da manhã’. (Tez, para quem não sabe, é a pele do rosto). 

Convencido da ‘simplicidade’ do seu verso, Djavan sapecou: ‘Não posso ser culpado pela ignorância e falta de conhecimento de algumas pessoas’.

Relembrando um cantor esquecido: Milton Carlos, com sua inconfundível voz de falsete

Não me acostumo com o esquecimento a que certos fatos e pessoas são relegados; é como se não tivessem ocorrido, ou existido.

A perplexidade tem sido estimulada em mim com frequência, agora através do cantor Milton Carlos, que morreu em 1977, com apenas 22 anos de idade, no auge do sucesso.

Extraí da internet este resumo da tragédia: “Ele morreu […] quando vinha de Jundiaí para São Paulo a bordo de seu Passat. Viajava em companhia de sua noiva, a também cantora Mariney Lima e do empresário Genildo de Oliveira. O acidente ocorreu num trecho da via Anhanguera quando o Passat do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania Vabis e bateu em um caminhão Chevrolet. Com o choque, o carro do cantor desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Milton Carlos e sua noiva morreram na hora.”.

Perdeu-se um talento que tinha tudo para efetuar uma carreira brilhante, pois o precoce artista já tinha emplacado vários sucessos nas paradas musicais.

Sua voz era ímpar, sui generis: um aparente falsete que pode até levar o ouvinte que não o conhece a pensar que está ouvindo uma mulher.

Encontrei diferentes análises para essa voz incomum.

O pesquisador Bruno Negromonte, em seu blog Musicaria Brasil, afirma que a voz de Milton “não era falsete. Milton Carlos foi uma criança que não teve mudança de voz. Ele crescia, mas sua voz continuava infantil e com o tempo feminina. Era uma voz ímpar, bastante peculiar porque continha, além da beleza esfuziante, uma evidente androginia. E isso chamou a atenção das gravadoras, que logo o convidaram para gravar por volta de 1970. E o que podia ser uma coisa negativa se tornou positiva”.

Outro texto da internet, assinado por Aparecido Barbosa (2011), compara sua voz com a de Maria Creuza e o classifica como “contratenor, porém nestes trata-se de um dom natural, não exigindo o treinamento a que se submetem os cantores líricos para alcançar este timbre”.

Ambos desmentem meu título, o qual mantenho, pois a classificação “falsete” permite melhor identificação do público, que não precisa entrar em questões técnicas complexas.

Milton trafegava por dois estilos: música romântica e samba.

Compunha em parceria com a irmã Isolda, uma garota, três anos mais nova; ela seguiu no ramo e foi responsável por vários sucessos de Roberto Carlos (que já tinha gravado três músicas da parceria deles).

Mas lá pelos anos 1990 a mídia noticiou que Isolda estava magoada, pois Roberto Carlos não estava mais gravando suas composições – e ela perdeu sua galinha de ovos de ouro.

Milton Carlos, apesar de todas as suas qualidades e da grande vendagem de seus sucessos, não tem uma página na Wikipedia, nem sequer um site oficial; encontrei, apenas, uma elogiável mas muito modesta página em fansites, criada e mantida por algum fã, que exagerou um pouco no título: “O maior cantor de todos os tempos”.

Tem uma reduzida biografia redigida pelo bravo divulgador da MPB, Ricardo Cravo Albin (para acessá-lo, cliqueaqui).

Gravava as músicas compostas em parceria com Isolda e também as de outros autores; talvez o maior sucesso de sua autoria tenha sido o Samba Quadrado, carro-chefe do álbum de igual nome, produzido em 1973.

E das músicas em que atuava exclusivamente como intérprete, o maior sucesso foi Memórias do Café Nice, uma referência à mais famosa – já extinta – cafeteria do Rio de Janeiro, ponto de encontro de várias classes sociais.

A letra é uma bela homenagem aos músicos e sambistas do passado, e foi composta por Artúlio Reis – nome raro nas paradas de sucesso –, e embute uma curiosidade: Monalisa, filha de Artúlio, figura como parceira, mas era apenas um bebê na época; o registro deve ser debitado ao entusiasmo paterno.

No ano da morte, 1977, Milton lançou o quinto LP e já estava nas paradas de sucesso com a regravação da marchinha-bolero Dorinha meu amor.

Para acesso à audição das músicas citadas, ou de qualquer música de Milton Carlos, basta fazer uma rápida e fácil pesquisa na internet (não veja necessidade de indicação de links).

Morre o homem, permanece a obra. Ainda que insuficientemente lembrados.

Produtores de Hollywood precisaram corromper autoridades brasileiras para filmar 007 Contra o Foguete da Morte, no Brasil

As edições dominicais dos jornais impressos sofrem de uma velha ambiguidade: são as mais vendidas, mas também as que possuem menos material noticioso, pois o dia anterior é sábado, meio expediente para muita gente, quase domingo.

(As edições das segundas-feiras também são carentes de notícias mas vendem menos exemplares, e por isso recebem menos páginas impressas.)

O Estado de São Paulo sempre entendeu a equação e há décadas produz uma edição dominical recheada, leitura para o dia inteiro.

E cheia de matérias frias – a velha gíria criada para as reportagens não urgentes – que podem ser lidas naquele dia, ou semanas e meses depois.

Aniversários de velhos eventos são sempre bons motivos para reportagens amplas, repletas de pesquisas, como foi o caso da matéria principal de recente domingo, 30/09/2012.

A pretexto de lembrar o 50º aniversário da estreia de 007 Contra o Satânico Dr. No, o primeiro filme da série do espião James “007” Bond, o Estadão dedicou ao tema quatro páginas do Caderno 2.

Vários atores interpretaram o personagem, entre eles Roger Moore, hoje com 84 anos de idade, que fez sete filmes entre 1974 e 85, inclusive 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979, que teve cenas brasileiras rodadas no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu.

A reportagem relembra, ainda, um comentário de Moore que, apesar o vago elogio final, foi bem negativo para o nosso país:

Conhecer o Rio foi incrível. Lembro que foi difícil filmar no Pão de Açúcar. Havia certo clima de corrupção na época. Tivemos de negociar com autoridades para ter permissão para filmar lá. Em compensação, o brasileiro é um dos povos mais carismáticos que conheci.”.

Infelizmente, carisma vale bem menos do que corrupção na escala ética.

Para acesso à matéria que incluiu a crítica disfarçada de Roger Moore, cliqueaqui.

E para ilustrar o meu texto, estampo uma bela foto que fiz de dentro do bondinho do Pão de Açúcar. Embaixo, a bela enseada de Botafogo, com suas areias, lanchas e iates.

E para ilustrar o meu texto, estampo uma bela foto que fiz de dentro do bondinho do Pão de Açúcar. Embaixo, a bela enseada de Botafogo, com suas areias, lanchas e iates.

O falecido humorista Rony Rios, intérprete da Velha Surda da Praça, era um veterinário que exercia regularmente as duas profissões

Um dos personagens mais conhecidos e marcantes do humorismo brasileiro era a Velha da Praça, destaque dos programas Praça da Alegria e A Praça é Nossa, comandados por Manoel de Nóbrega e depois pelo seu filho Carlos Alberto de Nóbrega.

Em torno dos anos 1990 fiquei surpreso ao saber que seu intérprete, o humorista Rony Rios, era um médico-veterinário, profissão que mesclava com o trabalho de ator.

Encontrei uma identificação, pois eu mesmo misturei, durante um bom tempo, a medicina veterinária com o jornalismo (e não foi só).

Uma duplicidade que sempre causa estranheza nas pessoas, reação que sempre nos surpreende, nos devolve a estranheza (o nós inclui todos os que conciliam atividades profissionais muito distintas).

Ronald Leite Rios, mais conhecido como Rony Rios, nasceu em 1936 em Campos dos Goytacazes e morreu de câncer linfático, aos 64 anos, em 2001.

Informa a Wikipedia: “Além de ator, Roni também trabalhava como médico veterinário e era presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários. Até 2000, ele era diretor do Sindicato dos Artistas. No SBT, ele integrou o elenco de A Praça é Nossa desde a estreia em 1987. No fim da década de 50, Rony já trabalhava ao lado de Manuel da Nóbrega na Praça da Alegria.”.

E acrescenta que, no SBT, ele “destacou-se por seus papéis da Velha Surda (o mais conhecido de todos), Philadelpho (o Fifo) e o Explicadinho”.

Ele era, de fato, o mais popular ator da Praça, que não conseguiu substitutos à altura e vem perdendo pontos no Ibope.

Rony Rios ganhou o direito de ocupar um espaço neste blog pelo que representou como fonte de entretenimento, pelas décadas de alegria e diversão que produziu para os brasileiros.

Pena que as emissoras nacionais – com a honrosa exceção da Globo – não possuam boas opções de retransmitir seus antigos programas, o que daria a Rony Rios o seu real valor.

Só o YouTube cumpre este papel, mas com as limitações da qualidade.

Ademais, é notória a tendência brasileira – ou humana? – de preferir o imediato, o recente, ainda que o antigo tenha sido melhor, ou no mínimo ótimo.

Talvez uma consequência da também notória preguiça de pesquisar; uma letargia ligada à preguiça mental e à preguiça física.

Mas, pelo menos em seu não tão distante tempo, Rony Rios divertiu bastante seus conterrâneos. E teve uma vida bem ativa.

Para acesso ao verbete Ronald Leite Rios na Wikipedia, cliqueaqui.

 

 

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