O jornalista Villas-Bôas Correa deixa seus livros na internet para download gratuito

Antes mesmo da metade do século 20, o jornalista Villas-Bôas Correa já era um ícone de sua — nossa — profissão, e ainda está na ativa, escrevendo e produzindo rotineiramente.
Eu tinha uma certa resistência ao seu estilo de texto e raramente o lia; mudei de posição ao receber por empréstimo o livro Conversa com a memória, originalmente publicado em 2002.
Um primor de texto e de informações sobre política, jornalismo e costumes brasileiros entremeiando a própria biografia, suas memórias de vida.
Dinâmico e renovador, criou um site pessoal na internet (http://www.vbcorrea.com.br) e nele disponibilizou a Conversa com a memória em formato pdf, para leitura gratuita. Continue lendo »

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Hotel Del Rey, um luxo abandonado no centro de Belo Horizonte

Matéria publicada na edição de 21/07/2010 do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, anuncia que o antigo Hotel Del Rey — fechado há anos — está sendo vendido para um grupo hoteleiro.

(Na contramão de outros órgãos, o Hoje em Dia retirou do site o conteúdo de seus textos no formato em que são publicados no jornal impresso. Também na contramão dos concorrentes, não abre esta opção para os assinantes. As notícias do site só servem de chamarisco para o leitor, pois são independentes da versão impressa.)

O Del Rey já foi o melhor e mais luxuoso da cidade; segundo a mesma reportagem, tem 23 andares e quase 200 quartos; recebeu a graduação 4 estrelas da Embratur na época em que esta classificação seguia rigores técnicos e não era um mero artifício comercial, como o é hoje.

Estava fechado havia anos por mera conveniência da proprietária Ana Lúcia Pereira Gouthier, uma dos três principais herdeiros do multimilionário Antônio Luciano Pereira Filho, que morreu em 1990.

A também multimilionária, que mora em Londres, não se importava em deixar o imóvel fechado, sem dar lucro e ainda pagando altos impostos, pois este montante não passa de uma migalha no meio de sua fortuna e ela não herdou a gana por dinheiro que marcou a história paterna. Continue lendo »

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Observando o (mau) comportamento social do brasileiro

Há dias em que assumo o papel de observador social, quando comparo as atitudes e comportamentos do cotidiano brasileiro com os padrões de uma sociedade idealizada.

O 21 de julho de 2010 foi um deles.

Estacionei o carro numa rua tranquila do bairro Cidade Nova, em Belo Horizonte; logo apareceu um tomador de conta de carro, essa estranha pseudoprofissão que engloba uma multidão espalhada por todo o país.

Premido pelo natural receio das consequências de uma recusa, fiz um gesto qualquer que foi entendido pelo pseudoprofissional como anuência.

Uma situação complexa, em que eu estava consciente de que não deveria pagar, mas moro num país violento e tenho que medir os riscos que se apresentam dia após dia. Continue lendo »

Aposenta-se Jorge, o mais antigo sapateiro de Santa Tereza

Jorge Sapateiro, o mais antigo e conhecido sapateiro do bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, decidiu fechar a sua tradicional sapataria da rua Dores do Indaiá no mês de julho de 2010.

Com a aposentadoria, aos 74 anos, ele encerra um ciclo de 60 anos na profissão, sendo 46 deles no segundo quarteirão da mesma rua, onde começou como auxiliar de João Batista de Sá (seu João), a quem sucedeu a partir de 1979. Seu João Sapateiro também deixou lembranças entre os mais antigos moradores de Santa Tereza e já tinha quase 90 anos quando se aposentou e passou o ponto para Jorge. Faleceu com quase um centenário de vida. Continue lendo »

As favelas querem acabar com o preconceito, mas faltam os sinônimos

Palavras possuem elevado valor na sociedade, na comunicação social, e são temidas quando geram preconceito.

Na tentativa de contornar o preconceito, as pessoas correm atrás de um sinônimo ou um substituto mais brando para a expressão indesejada e temida.

É o caso da palavra favela. Continue lendo »

A mídia está constrangida em falar da vida privada de Eliza Samudio, a “amiguinha” do goleiro Bruno que sumiu

A descoberta de que Eliza Samudio, a desaparecida ex-namorada do jogador Bruno, levava uma vida moralmente condenada pela sociedade — embora não criminosa — está criando alguns constrangimentos na mídia.

O primeiro é a relação dela com Bruno: a opção mais frequente é se referir a ela como “ex-namorada”, que não pode ser considerada a qualificação mais apropriada, inclusive porque ele já estava casado na época.

O segundo constrangimento é quanto à ocupação: as opções mais freqüentes são “estudante” e “modelo”. Nada li sobre o curso que ela estaria prestando e garanto que as autênticas modelos já estão preocupadas com a comparação, com a equivalência. A biografia recente indica que Eliza era uma desempregada, uma palavra evitada por carregar conotação negativa. Na redação de textos jornalísticos a questão da ocupação é importante, pois é quase uma regra o uso de substitutivos do nome próprio para evitar repetições. Continue lendo »

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Os crimes do goleiro Bruno e a tragédia da infância carregada de carência e abandono

Estamos na segunda semana do segundo semestre de 2010, e o mistério permanece: onde está Eliza Samudio?

Para os dois ou três gatos pingados que não estão acompanhando o conturbadíssimo caso policial, ou para quem só vai ler este comentário meses ou anos depois de escrito — graças à perenidade da internet —, trata-se da moça cujo desaparecimento está sendo atribuído ao goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes das Dores de Souza.

O pessimismo e o cheiro da morte predominam entre familiares dela e delegados da polícia, que suspeitam de um crime perpetrado pelo atleta e seu séquito de funcionários, alguns de idoneidade duvidosa.

Encontrei um elo comum no casal que centraliza a história: o fracasso da geração anterior, dos pais deles, em formar uma família ou, pelo menos, promover a formação moral e educacional dos filhos. Continue lendo »