Parece mentira, mas em Nova York há golpistas impunes e descarados como os nossos

Em julho último tive a agradável oportunidade de fazer minha segunda viagem a Nova York, apelidada de “capital do mundo”.

Peguei logo um mapa gratuito no aeroporto e comecei a destrinchar a geografia da Big Apple.

Mas tive logo a atenção voltada para um anúncio da loja Lafnac Digital Computer Ltd, localizada na esquina da famosa Quinta Avenida (entrada pela rua 42), oferecendo câmeras profissionais Canon e Nikon por 300 dólares.

Eram modelos fora de linha, mas ainda avançados para o mercado brasileiro.

Passei lá dias depois e o vendedor me mostrou um exemplar da Nikon, usado, só para demonstração.

Estava um pouco desconfiado pois já sabia da existência de lojistas golpistas – geralmente latinos ou chineses – em NY e Miami, mas a minha preocupação maior recaiu em um detalhe: os modelos oferecidos só trabalhavam com 220 volts.

Parecia uma questão de pouca importância, pois a energia elétrica só interessa para o carregador de bateria, e um adaptador seria uma opção fácil.

Tentando deslindar o porquê do destaque da voltagem no anúncio, e também carregando uma pequena desconfiança (por que um varejista ainda teria um estoque de câmeras fora de linha?), resolvi fazer uma pesquisa na internet.

Descobri que estava perdendo o meu tempo com trambiqueiros disfarçados de primeiríssimo mundo.

Basta lançar o nome da loja no Google que aparece uma enorme sequência de acusações de fraude, roubo, golpes.

Um destes posts era de um turista e blogueiro de minha cidade (Belo Horizonte), que publicou sua queixa em inglês, no ano de 2005, com a intenção de ajudar outros incautos.

Outra vítima, esta de 2008, contou a história de um casal de amigos que foi enganado na compra de um notebook, mas pelo menos conseguiu o dinheiro de volta (CliqueAqui para acesso ao link desta história).

O site Rippoff Report, especializado em denúncias, tem uma sequência de sete mensagens de vítimas da Lafnac (acesse ClicandoAqui).

Treze anos antes eu havia feito minha primeira viagem aos Estados Unidos e em Miami descobri que as lojas de latinos e chineses são mais perigosas que as do Paraguai.

Os turistas acreditam que qualquer comerciante no mercado norte-americano é confiável, mas os vigaristas trabalham com outro raciocínio: este tipo de comprador não reclama pois não quer fazer nada que prejudique o seu passeio.

Além disso, muitos compradores só descobrem os defeitos quando já retornaram para a terra natal.

A lição que eu deveria ter assimilado acontecera em 1997, também em Nova York: meu companheiro de viagem, Carlos Antônio, entrou numa loja semelhante à Lafnac e perguntou pelo preço de uma bateria para telefone sem fio.

A resposta foi “14 dólares” mas, como ele não se decidisse, o preço foi baixando de dois em dois dólares até chegar a … dois dólares.

É opcional escrever hum ao invés de um?

O hábito faz o monge” e “o uso do cachimbo deixa a boca torta” são dois ditados populares em decadência, quase em desuso.

Enquanto alguns leitores ainda se lembram deles, aproveito estes lugares-comuns da sabedoria popular para ilustrar alguns casos de pequenos truques contábeis que, de tão frequentes, as pessoas passam a usar indiscriminadamente.

Um exemplo é o uso de “hum” no lugar de “um” ao preencher um cheque. Continue lendo »