Um caso de violência irresponsável: briga de motorista e passageiro joga ônibus do alto de viaduto carioca e mata sete pessoas

Vou regularmente ao Rio de Janeiro desde que completei a maioridade e ganhei o direito legal de viajar sem autorização paterna/materna.

E já naquela época (meados dos anos 1970) conceituei os motoristas de ônibus locais como uma classe atípica (uma forma amenizada de dizer “meio louca”).

Arranques bruscos, alta velocidade, parar fora do ponto para pegar ou largar passageiros e trato rude eram características frequentes, absolutamente dominantes.

Um comportamento que sempre me chamou a atenção era a generalizada mania de não usar a embreagem: preferiam passar a marcha sempre “no tempo”, o que provocava arrancos e, obviamente, desgaste mecânico, gerando diminuição da vida útil e elevação de custos.

Ainda me lembro de dois casos de motoristas que me pareceram loucos de fato: um deles dirigia até devagar, mas tinha um olhar estranho e suava em bicas num dia meio frio…

…o outro dirigia em velocidade acima da já elevada média local; o cobrador me disse que já estava com dor na bunda de tanto socar sua cadeira…

…e acrescentou que foi obrigado a trabalhar naquele ônibus porque chegou atrasado ao trabalho; os colegas haviam recusado aquela companhia pois o motorista tinha saído do hospital psiquiátrico na semana anterior.

Acho que, nesse assunto, o Brasil mudou para pior, e outras cidades já aderiram à rudeza no transporte público.

Mas uma tragédia do início deste abril deste 2013 recolocou o transporte público carioca no noticiário triste: sete pessoas morreram na tarde de 02/04/13 por causa da queda de um ônibus de um viaduto na avenida Brasil, principal via de acesso ao Rio de Janeiro.

No dia seguinte já estava cristalizada a teoria sobre a causa (a matéria é da Folha de São Paulo; para acesso, cliqueaqui):

Uma briga entre um passageiro e o motorista pode ter provocado o acidente. Duas testemunhas ouvidas pelo delegado José Pedro Costa da Silva contaram que um passageiro, aluno da UFRJ, reclamou que o motorista seguia em alta velocidade […]. Os dois discutiram e o passageiro teria atingido o motorista com um chute, fazendo com que ele perdesse o controle do veículo.”

Matéria do site UOL (pertencente à Folha) informa que “testemunhas relataram que o condutor dirigia em alta velocidade. ‘A discussão teria começado porque o motorista não parou no ponto para o passageiro que o agrediu descer’, afirmou um homem que se identificou apenas como Antônio Carlos e disse ser filho de uma das vítimas. ‘Meu pai me contou que o motorista vinha em alta velocidade, e na hora da curva (no viaduto), passou direto e caiu na pista da avenida Brasil’.”.

A mesma matéria foi iniciada com outra informação negativa para a empresa: “O ônibus que caiu do viaduto Brigadeiro Trompowski, nas proximidades da Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, foi multado 47 vezes nos últimos cinco anos. […] uma a cada três multas aplicadas ao ônibus foi por excesso de velocidade, totalizando 15 infrações desse tipo desde março de 2008 […] Outras 12 multas recebidas pelo veículo foram por ultrapassar o sinal vermelho.”.

Os órgãos governamentais são culpados pela tolerância negligente à empresa de ônibus e também pela construção da ridícula mureta de proteção do viaduto.

Ainda que a tendência pareça ser a de direcionar a responsabilidade maior da tragédia para o estudante de engenharia Rodrigo Santos Freire, de 25 anos, tudo começou com a direção agressiva e irresponsável do motorista carioca, lídimo seguidor dos antecessores que chacoalharam minha coluna nas últimas décadas.