Corrupção tem relação com índole, com atavismo, com herança genética?

A colunista política Dora Kramer conseguiu expor a fina flor de sua ironia na coluna publicada em 13/03/2011 n’O Estado de S.Paulo, em que o principal assunto foi a filmagem de um caso de corrupção envolvendo a deputada federal Jaqueline Roriz.

Os dois trechos mais inspirados (não sequenciais) foram:

Numa prova de que quem sai aos seus raramente degenera, a deputada Jaqueline Roriz, filha do ex-governador Joaquim Roriz, recorreu aos préstimos financeiros do pivô do penúltimo escândalo de corrupção política – que levou um governador (José Roberto Arruda) à prisão – e foi filmada recebendo o dinheiro.

[…]

O partido de Jaqueline Roriz, o PMN, divulgou nota oficial para ressaltar a “boa índole” e a condição de “filha zelosa, esposa amantíssima” de sua filiada; acabou autorizando a conclusão de que a índole do partido deixa muito a desejar.”

Para acesso ao artigo, CliqueAqui.

Escolta policial para turistas, uma tendência brasileira

Na última tarde que passei em Havana, numa pedagógica viagem turística que realizei em 2005, percebi que estava sendo seguido por um policial.

Relatei o fato nos meus diários de viagem, disponíveis na coluna da direita deste blog; republico o trecho específico:

Estava parado olhando o mapa e observei que um policial se aproximou. Parou bruscamente e puxou conversa com algumas pessoas que estavam sentadas num banco de praça, mas tive a sensação de que estava me vigiando. Após analisar o seu comportamento e comparar com o que já havia aprendido sobre o país, cheguei à conclusão – apenas hipótese, reconheço – de que ele estava apenas me protegendo. O turismo é tão importante em Cuba que os policiais são orientados a garantir a sua continuidade.”

Soube, posteriormente, que, para garantir o fluxo do turismo, o governo criara uma polícia destinada exclusivamente a proteger este segmento, tamanha é a necessidade de dólares por aquele país.

A moda chegou ao Brasil. Continue lendo »

Japoneses encaram seu segundo pesadelo atômico

A II Guerra Mundial foi o maior evento do século 20, e as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki o seu episódio mais assustador, mais terrível.

Fala Wikipedia! “(…) nos dias 6 de agosto e 9 de agosto de 1945 (…) a bomba atômica “Little Boy” caiu sobre Hiroshima numa segunda-feira. Três dias depois, no dia 9, a “Fat Man” caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares. As estimativas, do primeiro massacre por armas de destruição maciça, sobre uma população civil, apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação.”

As consequências não afastaram os japoneses da tecnologia nuclear; ao contrário, foi a escolhida para resolver o acesso à energia, pois o arquipélago é carente de outras fontes.

Segundo a mesma Wikipedia, o Japão tem 56 usinas nucleares em funcionamento, uma em construção e quatro desligadas. Continue lendo »

Até os jornais mais respeitados exageram nos títulos e manchetes

As manifestações na Líbia foram o grande assunto da mídia no dia 27 de fevereiro deste 2011, um domingo; o jornal O Estado de São Paulo dedicou várias páginas a ele.

O título principal da página 20 foi sugestivo e chamativo: “O brasileiro que Kadafi trocou por um arsenal”.

Imaginei que se tratasse da relembrança de algum episódio histórico envolvendo um possível resgate de refém brasileiro em troca de um terrível arsenal de guerra.

Li a enorme matéria até o final — três quartos de página — mas só encontrei a história de um geólogo da Petrobras que passou alguns dias de preocupação, lá na Líbia, enquanto se resolvia um problema internacional, cá no Brasil. Continue lendo »

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Mesas compartilhadas por desconhecidos criam constrangimento nas praças de alimentação

O fast-food, e posteriormente o self-service sem balança (quanto english!) criaram uma novidade para as refeições: as mesas compartilhadas por desconhecidos.

Até então, a tradição dos restaurantes era a mesa individual ou destinada a um grupo de pessoas que se conheciam.

Criou-se um problema, pois as pessoas ficam constrangidas em sentar numa mesa já ocupada por um desconhecido.

Não sabem se devem sentar, se não devem, se pedem licença, se não pedem…

Isso tem acontecido com frequência nos shopping centers, onde as praças de alimentação são comuns a vários restaurantes e lanchonetes. Continue lendo »

A multiplicidade de escândalos do ator Charlie Sheen

Charlie Sheen é o orgulho e a desonra de sua ilustre e respeitada família de artistas de Hollywood.

O pai Martin teve uma carreira sólida e o irmão Emilio Estevez fez alguns bons filmes e segue pela carreira de cineasta.

Charlie é o orgulho pois tem larga popularidade, o mais valorizado ingrediente da carreira.

Mas sua vida é uma sequência de escândalos envolvendo sexo e drogas (fora as brigas). Continue lendo »

O autoritarismo é um problema do policial brasileiro

Em meados da década de 1980 eu era aluno da Universidade Federal de Minas Gerais e pedi uma carona, a outro estudante, para retornar da Pampulha para o centro de Belo Horizonte.

No meio do caminho, o fusquinha branco foi abalroado por um caminhãozinho com reboque que estava trabalhando para a Copasa – Companhia de Saneamento Básico.

Aconteceu no cruzamento de duas grandes avenidas; enquanto os motoristas discutiam, chegou um soldadinho insolente que exigiu, em tom bastante autoritário, que os carros fossem retirados imediatamente. Continue lendo »