O formato atual de greve no Brasil – com escala mínima de atividade – incentiva a longa duração da paralisação

Após aproximadamente 40 dias de paralisação, o metrô de Belo Horizonte voltou a funcionar no final de junho deste 2012.

Foi uma greve meia-boca, pois os trens funcionaram nos dois horários de pico (de manhã cedo e no final da tarde).

Atendeu o formato moderno de greve no Brasil: os grevistas precisam manter uma escala mínima de trabalho, definida pela lei número 7.783, de 28 de junho de 1989, e por acordos entre sindicatos e o Poder Judiciário.

Para a população, a existência de uma escala mínima de atendimento parece um fator positivo mas, por outro lado, incentiva o prolongamento da paralisação e das negociações (por atenuar as consequências).

Para o patrão ou gestor, a questão também é ambígua, pois a atividade funciona em parte e a receita chega (também em parte). O prejuízo é atenuado.

A situação mais confortável é a do empregado: trabalha menos e tem a sensação de estar levando vantagem, pois ganha um relativo repouso remunerado sem perder salário. E reza para não sofrer retaliações futuras.

Uma situação bem diferente dos grandes movimentos grevistas dos anos 1970 e 80, que conseguiam interromper suas atividades de forma bem mais ampla, lançando uma grande pressão sobre os empresários e sobre o governo.

Grande parte dos líderes da época – ironia das ironias – entrou para a política e hoje, graças ao domínio eleitoral do Partido dos Trabalhadores, atua no lado oposto, representando o poder público.

E – retornando ao caso da greve dos metroviários belo-horizontinos – uma pesquisa na internet não ajudou a entender as suas consequências, a entender se ela gerou ganhos reais para a classe que por 40 dias mesclou trabalho com repouso.

A falta de notícias reflete uma prática corriqueira, mas negativa, da mídia: quando um fato deixa de causar impacto social ele é esquecido, ainda que contenha consequências importantes.

A justificativa para o final da greve foi a marcação, para cinco dias depois, de um dissídio coletivo (procedimento jurídico para a solução do conflito) junto ao Tribunal Regional do Trabalho, cujo resultado nenhum jornal publicou.

O curioso é que o Sindicato dos Empregados em Empresas de Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais não fez, ou não publicou no seu site, um indispensável relatório com as consequências da greve e do dissídio; encontrei apenas um aviso, mais de um mês depois, dizendo que aguarda uma publicação do TRT.

Seria uma despreocupação com a prestação de contas aos metroviários ou seria uma forma de disfarçar o fracasso da greve?

Anúncios

Três fotos relacionadas ao Grande Prêmio Brasil, de turfe

 

Didimo, uma pronúncia duvidosa para o nome do cavalo campeão

Afinal, qual é a pronúncia correta do nome do cavalo que ganhou o tradicional Grande Prêmio Brasil de turfe? Dídimo ou Didimo? Proparoxítona ou paroxítona?

Ele foi registrado sem o acento, mas a palavra Didimo não é reconhecida pelos dicionários. E como nome próprio não precisa seguir as regras gramaticais, o mundo do turfe não sabe o que fazer. Ou o que dizer.

Mas o mais importante foi o evento, com sua vitória. E do outro lado da grade ainda consegui sacar esta imagem da cabeça do Didimo-Dídimo e a alegria do jóquei Ângelo Márcio Souza no meio da multidão que invadiu a pista de grama do Hipódromo da Gávea em 05/08/2012 para comemorar:

 

O Menino Veterinário chegou com apetite no final da corrida de cavalos

Ficou boa a foto abaixo, quem concorda? O cavalo é o Vet Boy (=Menino Veterinário), que chegou com apetite ao final do quarto páreo do dia 04 de agosto (2012) disputado no Hipódromo da Gávea. E ainda consegui uma boa composição de imagem com a placa publicitária.

 

É Conclusivo, é o ganhador da milha internacional do turfe

O dia nublado prejudicou o detalhamento dos corpos equinos, mas quem gosta de turfe vai se interessar pela foto (abaixo) da chegada de Conclusivo, ganhando a milha internacional do festival do Grande Prêmio Brasil, disputada em 05/08/12 no Hipódromo da Gávea. É a segunda carreira em importância da festa maior e mais tradicional do turfe brasileiro.

Psicanalista diz que novela Avenida Brasil explora o machismo feminino e que o brasileiro gosta de odiar

Machismo vem de macho, masculino, mas a psicanalista Betty Milan transplanta o conceito – com sua pesada conotação – para a série de confrontos entre duas mulheres da ficção, Nina e Carminha, personagens centrais da novela Avenida Brasil, da TV Globo.

Em entrevista publicada no caderno Aliás, de O Estado de São Paulo, edição de 29/07/2012, ela opina sobre o que a novela espelha, da sociedade brasileira:

A começar, o gosto pela violência, que a novela explora para emplacar. Depois o gosto pela vingança, próprio do machismo, cuja ética é tão contrária à mulher quanto ao homem, mas que pode estar tão implícito na conduta feminina quanto na masculina. Nina é tão machista quanto Carminha, as duas se espelham o tempo todo. As duas, por sinal, são mulheres originárias do lixão, onde a sobrevida implica força e, portanto, é o padrão masculino que prevalece.”.

Acrescentou que:

Colocar em cena uma mulher vingativa não deixa de ser uma novidade. A vingança aqui no país sempre foi para os homens. Doca Street, Lindomar Castilho… As mulheres, que são ultrajadas de diferentes maneiras, consciente ou inconscientemente, se sentem recompensadas.”.

A repórter Mônica Manir perguntou se “o brasileiro gosta de odiar”, e a resposta foi afirmativa:

É um traço da nossa cultura, provavelmente de origem mediterrânea. São três as paixões humanas: a do amor, a do ódio e a da ignorância, que é a paixão do não saber, de negar a realidade. A paixão do ódio, o machismo cultiva.”.

Quanto à influência negativa da história-folhetim sobre a população, ela se resume a “mas me pergunto se era o caso de colocar em cena algo que avalize a perversão”.

Para acesso à entrevista, cliqueaqui.

Nelson Prudêncio, que agora é Doutor (PhD), é um exemplo da transição do esporte para a vida de sucesso

Aos 18 anos, no auge de minha inexperiência, fui contratado como repórter do Jornal de Minas, jornal diário de Belo Horizonte.

O ano era 1973 e o regime político brasileiro era ditatorial-militar, com o qual o jornal tinha fortes vínculos.

Recebi ordens para fazer uma entrevista com o expoente maior do atletismo brasileiro, o triplo saltador Nelson Prudêncio.

Ele estava alojado numa dependência militar, provavelmente da Aeronáutica, pois verifico agora, em sua biografia, que ele trabalhou lá por três anos, a partir de 1971.

(Um dia ainda resgato esta minha primeira entrevista como jornalista; cheguei a guardar durante anos a página inteira mas, provavelmente, ela estava num pacote que teve que ir para o lixo depois que se transformou em ninho de ratos, baratas e formigas.)

O oficial que me encaminhou explicou que a entrevista teria que ser compartilhada com todo o grupo de atletas do qual Prudêncio fazia parte.

Provou que não entendia de jornalismo, pois nenhum editor daria a atletas comuns o mesmo destaque atribuído a um medalhista olímpico, então a única estrela de renome nacional no atletismo.

Criou-se uma situação esdrúxula: eu só fazia perguntas para Nelson Prudêncio, os outros viraram plateia; se fiz alguma pergunta aos demais, ela provavelmente nem foi datilografada.

Dez anos mais velho do que eu, ele provavelmente foi paternal com as minhas perguntas, certamente simples e óbvias.

Leio em 29/06/12, no site UOL Notícias, que Prudêncio é Doutor (ou PhD) desde 2006, quando “depois de uma pesquisa de cinco anos, concluiu a tese específica sobre a técnica do salto triplo”. Um trabalho importante para coroar a sua extensa carreira como professor de educação física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Parabéns!

O Brasil tem no alto triplo seus melhores resultados no atletismo, com seis medalhas olímpicas: ouro – Adhemar Ferreira da Silva – Helsinque-1952; ouro – Adhemar Ferreira da Silva – Melbourne-1956; prata – Nelson Prudêncio – Cidade do México-1968; bronze – Nelson Prudêncio – Munique-1972; bronze – João do Pulo – Montreal-1976; bronze – João do Pulo – Moscou-1980.

Cheguei a conhecer o mais importantes deles, Adhemar Ferreira da Silva, mas só de vista: sessentão ainda bastante empertigado, gostava de frequentar o Hipódromo de Cidade Jardim, São Paulo.

Era discreto, não o via em rodas; faleceu precocemente, provavelmente por conta do cigarro que usara até em sua fase de atleta.

Tinha uma particularidade interessante: altamente ligado à cultura e aos estudos, ficou famoso pela longa passagem por várias universidades: “escultor formado pela Escola Técnica Federal de São Paulo (1948), Educação Física na Escola do Exército, Direito na Universidade do Brasil (1968) e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Casper Libero (1990).” (fonte: 1000 Que Fizeram o Século 20 – Isto É – The Times).

A história mais impressionante é a do terceiro deles, João Carlos de Oliveira (o João do Pulo): conquistou quatro medalhas de ouro, em salto em distância e salto triplo, nos Jogos Pan-americanos de 1975 e 79, tendo na versão de 75 alcançado o recorde mundial do salto triplo. Foi medalha de bronze nas Olimpíadas de 1976 e 1980. Nesta última, realizada em Moscou, foi novamente favorito para o salto triplo, mas novamente ficou com a medalha de bronze, superado por dois soviéticos, depois de ter seus melhores saltos anulados por fiscais que estariam, supostamente, protegendo os representantes locais. Pode parecer teoria da conspiração, mas provavelmente a suposição é verdadeira: os líderes do regime comunista viam no esporte a principal forma de publicidade ideológica positiva. Mas em 1981 um motorista bêbado, dirigindo na contramão, bateu no carro de João do Pulo, que teve a perna direita amputada. Entrou para a política e cumpriu dois mandatos de deputado estadual. Morreu aos 45 anos, em 1999; segundo a Wikipedia, “devido a cirrose hepática e infecção generalizada, solitário e com dívidas financeiras”.

Agruras do destino não permitiram a ele desfrutar dos louros.

Para acessar a matéria sobre o doutorado de Nelson Prudêncio, cliqueaqui.

O enfraquecimento do poder econômico das grandes e médias empresas de mídia (comunicações) pode resultar em perda de qualidade das informações jornalísticas

O jornal Hoje em Dia, sediado em Belo Horizonte, estreou em junho deste 2012 um novo formato chamado de tablóide, de tamanho menor.

Segue a experiência do concorrente O Tempo, deixando para trás o tamanho padrão – mais conhecido pelo nome inglês de standard –, dos tradicionais jornais brasileiros.

Ignoro se existe uma razão industrial; provavelmente é mais uma tentativa de mudar a cara para conquistar público, tentando aumentar a tiragem (número de exemplares) e a receita.

Nos últimos anos, os tradicionais jornais impressos lutam – às vezes com mudanças radicais, extremadas – para aumentar seu público, com poucos casos de sucesso.

A redução global do número de leitores de jornais é um fenômeno facilmente explicável pelo avanço da internet e de outros veículos modernos de comunicação; e danoso para as empresas constituídas, organizadas, cheias de contas a pagar.

A mudança gráfica não tem sido a única opção para produzir algum choque; cito também a substituição da equipe de administradores (como já acontecera com o mesmo Hoje em Dia) e mudanças drásticas da linha editorial.

Na tentativa às vezes desesperada de buscar mais clientela, alguns jornais optaram pelo caminho do impacto informativo: reportagens mais bombásticas, temas mais duros, agressividade no trato.

Um exemplo adequado: como a classe política tem baixa popularidade, os autores do “choque editorial” dão preferência às reportagens sobre corrupção, nepotismo ou supersalários, ainda que sacrificando a imparcialidade e até mesmo a realidade dos fatos.

Mas são perceptíveis os indícios de que a luta desesperada dos jornais diários tem grande chance de insucesso, pois os avanços das comunicações tendem a multiplicar os veículos e a priorizar a rapidez da distribuição da notícia para o público.

Tendem a queimar as etapas da impressão em papel e da distribuição física do produto, obrigatórias na mídia impressa.

Infelizmente, é previsível outra consequência negativa: a queda de qualidade de informações, já que as empresas tradicionais são as contratantes que pagam repórteres, analistas, articulistas, redatores, editores e outros profissionais do ramo.

Um equipamento humano essencial para a pesquisa, seleção e redação das informações coletadas.

A perda do poder econômico das empresas contratadoras leva à redução deste pessoal, tanto em quantidade quanto em qualidade; a consequência inevitável será a queda da qualidade da informação disponível ao público.

O vínculo profissional é importante para tal trabalho ­– como para qualquer outro; noticiaristas amadores têm mais espaço na internet, também têm a vantagem da ausência do controle dos chefes e patrões, mas lhes falta a segurança da certeza de que alguém, ao final do mês, estará depositando um salário fixo em sua conta corrente.

Sem a retribuição financeira, e sem o crachá do contratador, não podem se dedicar à apuração trabalhosa, demorada e muitas vezes perigosa de fatos importantes para o público.

Acrescente-se que a própria existência dessas empresas tradicionais dá mais respeitabilidade às informações: entre copiar um trecho de um blog qualquer ou de um órgão tradicional da imprensa, o redator independente optará sempre pela segunda fonte.

A razoavelmente lenta, mas progressiva, mudança do padrão tradicional (corporações de mídia) para o formato que se desenha (pulverização de veículos de informação) tem as desvantagens citadas, mas tem defensores.

Principalmente entre os adeptos de teorias conspiratórias, que acreditam na ampla deturpação dos fatos sociais e econômicos pelos meios de comunicação de massa, motivada pelos interesses comerciais dos proprietários.

Mesmo os analistas mais sóbrios reconhecem que a origem empresarial influencia as matérias publicadas, seus textos, reportagens, editoriais e artigos, mas são mais compreensivos quanto à necessidade da luta diuturna pela manutenção da estrutura econômica, pela sua própria existência no mercado.

Enfim, muda-se de um padrão com vantagens e desvantagens para outro perfil com outras e diferentes vantagens e desvantagens, que certamente não se equivalem.

São processos sociais inevitáveis, impossíveis de serem paralisados por desejos, posturas e enfrentamentos, sejam individuais ou de grupos constituídos.

O búfalo é o cavalo da Ilha de Marajó

Com este búfalo encerro a sequência de quatro fotos pessoais, tiradas em contato bem direto com animais selvagens da Amazônia. Neste caso, falar em selvagem é exagero, pois este era tão manso que até para montaria era meio lerdo. A foto foi tirada num passeio (ano de 2007) à Fazenda São Jerônimo, na Ilha de Marajó, município de Soure.

 

Marajó é a maior ilha fluviomarítima do mundo. Com uma área de aproximadamente 40 mil km² (o dobro do tamanho de Sergipe, o menor Estado brasileiro), é situada no Estado do Pará, na foz do Rio Amazonas. É cercada por água salgada ao norte, doce ao sul e intermediária a oeste e leste. É tão grande que possui 16 municípios, distribuídos em três microrregiões.

Enviar currículos, de forma indiscriminada, via e-mail raramente produz resultado positivo (só ajuda os espertalhões)

Entendo a ansiedade dos jovens à procura de trabalho – afinal, já fui um – mas a velha prática de enviar currículos (que não tenham sido previamente solicitados) para empresas ou órgãos públicos raramente resulta em uma convocação para entrevista ou contratação.

A indicação feita por pessoas consideradas confiáveis pelo empregador é o método largamente predominante, e só aí o currículo tem valor.

E a era da internet propiciou o envio massivo de currículos para os endereços eletrônicos de empresas, mas geralmente para os endereços expostos na homepage, destinados a assuntos gerais, e raramente os arquivos são repassados para o setor de recursos humanos.

Pessoas ganham dinheiro oferecendo o serviço de difusão de currículos de desempregados (ou interessados em mudanças); sempre alegam possuir uma listagem ampla de determinado perfil de empresas.

Observei numa empresa o recebimento, pelo e-mail geral, de vários currículos remetidos em horários e dias distintos, acompanhados de uma solicitação de cuidadosa análise, assinada por um mesmo – e desconhecido – remetente, que usava o título de Doutor. Um procedimento risível.

As empresas têm justas razões quando jogam na lixeira eletrônica os currículos-Word, pois seria necessário fazer uma investigação trabalhosa sobre cada um deles para identificar fraudes, distorções e exageros.

Afinal, provavelmente está em minoria o número de currículos que expressam a real e objetiva capacitação do candidato.

O jornalista e cronista Humberto Werneck usou a sua coluna de 15/05/2011 n’O Estadão para falar de suas lembranças no trabalho em redações, e dedicou a última nota a este tema. Transcrevo:

Nos muitos anos que passei em redações, raramente vi uma vaga ser preenchida após consulta aos currículos que não paravam de chegar. Em vez disso, em geral recorria à indicação de alguém da própria equipe. Até porque nos currículos se podiam ler às vezes pérolas como a que pesquei num aspirante à crítica de arte: ‘Conhece, de perto, Elizabeth Taylor’.”.

Para acesso ao inteiro teor da coluna, cliqueaqui.