A morte de Hugo Chávez se assemelha à agonia de Tancredo e também enseja problemas econômicos

A atual geração de jovens brasileiros desconhece o custo político-administrativo da doença e morte de Tancredo Neves, em 1985.

O último governo militar (João Baptista de Oliveira Figueiredo, 1979-85) foi um misto de incompetência e inoperância administrativas, mesclado com escândalos de corrupção.

Gerou um ativismo popular que depositou todas as fichas no veterano Tancredo Neves, que nem chegou a ser empossado, pois adoeceu na véspera e morreu no mês seguinte.

Os líderes políticos optaram por convalidar a posse do vice-presidente José Sarney.

Não tinham a opção da eleição popular e direta, extinta pela Constituição que havia sido imposta em 1967 pelo regime militar.

O momento era de ruptura com o sistema político-militar, agravado por uma crise econômica e inflação crescente.

Sarney e os dois sucessores (Collor e Itamar) eram fracos tanto em capacidade administrativa quanto em prestígio junto ao povo e à classe política; a nação só reacertou o passo no final do governo Itamar, que delegou a Fernando Henrique Cardoso a execução do Plano Real, responsável por estabilizar a economia e, de consequência, a política.

Na Venezuela, Hugo Chávez morreu em circunstâncias semelhantes: foi constitucionalmente reeleito – já doente – para o mandato que se iniciaria em 2013, o vice-presidente foi empossado enquanto ele agonizava no hospital e, dias depois, o líder morreu.

Mas havia uma diferença importante: a previsão de novas eleições, permitindo uma substituição democrática.

A Venezuela realizou a eleição em 12 de abril, superando as especulações quanto à simples continuidade do novo mandato pelo vice-presidente Nicolás Maduro.

Venceu, empurrado pela emotividade popular, mas águas turvas esperam por esse piloto de pouca tarimba e de base pessoal modesta.

Na economia está localizado o foco de risco do herdeiro-presidente: a queda da receita advinda da exportação de petróleo, principal fonte de renda do país.

Mac Margolis, jornalista norte-americano que vive no Brasil (é colunista do ‘O Estado de São Paulo’, correspondente da ‘Newsweek’ e edita o site http://www.brazilinfocus.com) analisou a decadência venezuelana em artigo publicado no Estadão de 03/03/13.

Abre o segundo parágrafo com uma imagem criativa:

Entre o jubileu e o jazigo, corre um Orinoco de possibilidades. Já a saúde da economia venezuelana não deixa mistério nenhum. Depois de mais de uma década de bonança, a maior petropotência sul-americana está raspando o barril.

À frente lança números comprovadores:

Seguem alguns sintomas preocupantes: a dívida externa venezuelana chegou a US$ 108 bilhões (192% acima do passivo de 2008); os gastos públicos subiram 26% acima da inflação, em 2012, ano da reeleição chavista; a inflação ruma para 33%, a maior da região; o dólar não para de subir; a fuga de capital saltou de US$ 61 bilhões, em 2008, para US$ 156 bilhões.

A Venezuela derrapa ao mesmo tempo em que a vizinhança decola, aproveitando o sopro da economia global revigorada. Destaque para a economia peruana que, na mão do repaginado Ollanta Humala, desviou do acidentado percurso bolivariano, abraçou a sobriedade fiscal e saudou o capital privado. O Peru deve crescer 6,2% em 2013. Na mesma toada seguem Colômbia e Chile, que devem crescer 5% neste ano, seguidos por México (3,5%) e Brasil (3%).

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

João Ubaldo Ribeiro critica a falácia dos governistas que continuam culpando as fantasiosas “elites”

Bem poucos anos atrás, flagrei um comentário interessante numa conversa entre dois (razoavelmente veteranos) participantes de movimentos de esquerda (atuaram em sindicatos e partidos):

– Não são bons tempos para os militantes de esquerda!

Mas uma leitura simplista e crédula dos discursos de autoridades constituídas indica o contrário: muitos dizem fazer uma administração “de esquerda”, portanto a “esquerda” parece fazer parte do Poder.

A contradição se explica pela amplitude do conceito de esquerda-direita, que permite a adaptação a qualquer uso.

O contrassenso ocorre com o poder central brasileiro (PT, PSB), que usa o mesmo discurso, mas mantém a base capitalista (historicamente associada à “direita”).

Outra falácia comum é situar os adversários do povão na classe etérea das “elites”.

Com tal figura, os governantes que se dizem esquerdistas explicam – ou tentam explicar – as dificuldades para resolver com rapidez as diferenças socioeconômicas da população.

E seguem remando…

Mas o mestre da ironia não perdoa: com a crônica “Que elites, que esquerda?”, publicada na edição de 17/03/2013 do jornal O Globo (e em vários jornais do país, pois é vendida por agência), João Ubaldo Ribeiro criticou e ridicularizou os inimigos das elites.

Escolheu o alvo: “…esse de o governo ser de esquerda. Só se querem dizer que a maior parte do nosso cada vez mais populoso bando ministerial é constituído de canhotos”.

Critica um dos argumentos dos esquerdistas de ocasião: “Também se diz que as elites dominantes querem derrubar o governo. Que elites dominantes? A elite política, que se saiba, é a que exerce o poder político.”.

E mais outro: “Finalmente, temos a imprensa golpista. Que imprensa golpista? Que editorial ou comentário pediu golpe?”.

E aproveitou para implodir realizações governamentais: “[…] do descalabro inacreditável em que se tornaram as trombeteadas obras do rio São Francisco, hoje uma vasta extensão de ruínas e destroços, tudo abandonado ao deus-dará, em pior estado do que cidades bombardeadas na Segunda Guerra? Ou o que está acontecendo com a Petrobras, que, da segunda posição entre as petrolíferas, despencou para a oitava e pode despencar mais, acrescida a circunstância de que ninguém explica direito qual é mesmo a situação do hoje já não tão radioso pré-sal?”.

Para aqueles que não se autoproclamam esquerdistas, informo que o texto completo pode ser acessado clicandoaqui.

 

Mario Vargas Llosa – em cruzada contra o populismo – não se comoveu com o pranto histérico dos venezuelanos nos demorados funerais de Hugo Chávez

Hugo Chávez – falecido em 05/03/2013 – foi um bom ou um mau líder político para a Venezuela?

A julgar pela quase unanimidade dos analistas que escrevem na grande mídia, foi um fracasso, apesar de toda a idolatria popular.

(No mínimo, perdeu uma oportunidade ímpar de aproveitar a vasta popularidade e deixar uma obra duradoura.)

Um dos mais influentes do grupo – ainda que não tenha título de cientista social – é o escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura (2010).

No dia 10/03/2013 o jornal O Estado de São Paulo traduziu e publicou seu artigo “A morte do caudilho”, um necrológio destruidor.

Informa e afirma que “as políticas do caudilho deixaram [o país] empobrecido, dividido e conflagrado, com a inflação, a criminalidade e a corrupção mais altas do continente, um déficit fiscal que beira a 18% do PIB”.

Mais adiante reitera o fracasso administrativo do Comandante:

Nos 14 anos que Chávez governou a Venezuela, o preço do barril de petróleo ficou sete vezes mais caro, o que fez desse país, potencialmente, um dos mais prósperos do planeta. No entanto, a redução da pobreza nesse período foi menor que a verificada, por exemplo, no Chile e no Peru no mesmo período.”

E associa o culto à personalidade de Chávez a fatores antropologicamente tribais: “aquele medo da liberdade que é uma herança do mundo primitivo, anterior à democracia e ao indivíduo, quando o homem ainda era massa e preferia que um semideus, ao qual cedia sua capacidade de iniciativa e seu livre-arbítrio, tomasse todas as decisões importantes de sua vida”.

Sugiro a leitura completa; para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

Marina Silva está à caça de 500 mil assinaturas de apoio ao registro do Partido Rede Sustentabilidade

A ex-senadora Marina Silva, terceira colocada nas eleições presidenciais de 2010 com quase 20 milhões de votos, tem a minha simpatia por causa de seu espírito de luta, da inexistência de manchas comprovadas no seu passado, da importância do seu tema predileto (ecologia e sustentabilidade) e minha crença de que ela tem uma postura política equilibrada, não radical.

Mas conheço opiniões divergentes, de quem a vê como militante radical e cita o seu confronto com o comunista Aldo Rebello na questão do Código Florestal como prova.

Para manter a minha simpatia, é indispensável que ela atue mais como política do que como militante, pois a ecologia é um tema que precisa ser tratado com equilíbrio (como tudo na vida): desmatadores e poluidores são perigosos para a sociedade e, no extremo, o ecochato tem mais poder de desagregação do que de aglutinação.

Deixou o PT quando o Partido dos Trabalhadores virou um ninho de gatos se arranhando, e de ratos roubando o queijo da geladeira pública.

A nova luta de Marina é pela constituição de um partido; os trechos que selecionei abaixo, de uma matéria jornalística (Financiamento expõe ‘pirâmide social’ da rede de Marina, O Estado de São Paulo, 24/02/2013), explicam melhor o projeto:

Ø O partido que a ex-senadora Marina Silva pretende criar neste ano, o Rede Sustentabilidade, deverá consumir pelo menos R$ 500 mil no processo de captação de assinaturas pelo País.

Ø Os organizadores do partido esperam a obtenção do CNPJ da Rede, que deve sair na próxima semana, para começar a arrecadar as contribuições.

Ø De acordo com a legislação eleitoral, são necessárias quase 500 mil assinaturas em pelo menos nove Estados para fundar uma nova legenda. Para que o partido esteja apto a disputar a eleição em 2014, quando Marina deverá ser candidata a presidente, precisa obter o registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até um ano antes da eleição.

Ø Os maiores entraves apontados por quem procura criar um partido são a burocracia nos cartórios eleitorais e a demora dos Tribunais Regionais Eleitorais, a segunda instância no processo, para homologar as listas de apoio enviadas, depois, ao TSE.

Ø Há hoje 30 partidos fundados no País – e, pelo menos, mais 30 na corrida para a formalização. A regra é demorar mais de ano para obter as assinaturas.

Ø A exceção foi o PSD (Partido Social Democrático), do ex-prefeito Gilberto Kassab. Da aprovação da ata de fundação até o registro final, em setembro de 2011, foram apenas seis meses, um recorde. A legenda não divulgou o quanto foi gasto no processo, mas Barroso, conhecedor do processo, aposta que as questões políticas pesaram mais que o dinheiro gasto na empreitada. “Não acredito na questão do dinheiro. Teve grande interesse do governo de fundar o partido do Kassab para quebrar o DEM e o PSDB. O partido da Marina sai em menos de um ano se for do interesse do governo”, avaliou.

Para acesso ao inteiro teor da reportagem, cliqueaqui.

Pesquisei na internet e encontrei, com alguma dificuldade, o site do partido: http://www.brasilemrede.com.br/.

Tem até um passo a passo para a assinatura de apoio, incluindo a ficha que deve ser impressa, preenchida a caneta e enviada por correio para o escritório estadual.

Ela só tem valor como apoio ao registro do partido; não implica em filiação ou qualquer compromisso de voto nas próximas eleições.

Observação final: também ouvi quem a vê como radical religiosa (é evangélica), e obstáculo certo a algumas bandeiras da própria esquerda – setor do espectro político ao qual sempre foi relacionada –, como a união gay.

As manifestações contra a blogueira cubana Yoani Sánchez no Brasil evidenciaram as contradições dos remanescentes da esquerda

A agressiva recepção brasileira à dissidente cubana Yoani Sánchez é o mais recente exemplo das contradições ideológicas dos militantes de esquerda.

Contextualizando: Yoani Sánchez é uma cidadã cubana que se tornou largamente conhecida, principalmente no exterior, por publicar o blog “Generación Y”, crítico ao governo ditatorial-comunista de seu país, onde é censurado (a publicação depende de ajuda internacional, externa). Atualmente ela também é articulista do jornal brasileiro O Estado de São Paulo. Ela estava proibida de sair da ilha-país e acabou sendo beneficiada por uma mudança da legislação imigratória aprovada em janeiro último. Observação final: geração Y é um conceito sociológico que engloba a geração humana nascida por volta de 1980 (Yoani é de 1975).

Yoani foi recebida no Brasil com manifestações de protesto: a mídia identificou que os agressivos manifestantes eram vinculados a entidades de esquerda, que defendem com unhas e dentes a ideologia socialista e o formato ditatorial da administração cubana, há meio século nas mãos da família Castro.

Pesquisando os sites de notícia mais respeitáveis para entender o perfil dos fanáticos manifestantes, encontrei referências ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e ao grupo denominado União da Juventude Socialista (UJS); o jornalista Reinaldo Azevedo definiu o conjunto como “uma tropa de choque formada por petistas e militantes do PC do B”.

E a revista Veja descobriu a participação do governo brasileiro: “reunião havida na embaixada de Cuba, em Brasília, sob o comando do embaixador Carlos Zamora Rodríguez. […] Disquetes com um dossiê contra Yoani foram distribuídos, e se combinaram ali atos de protesto contra a presença da blogueira no Brasil. […] Havia lá um funcionário graduado do governo Dilma. Trata-se do coordenador de Novas Mídias da Secretária-Geral da Presidência, Ricardo Augusto Poppi Martins, que viajou para Cuba em seguida. […] A pasta de Gilberto Carvalho emitiu uma nota espantosamente mentirosa sobre o caso, na qual havia uma única verdade: a confirmação de que o tal assessor participara mesmo da reunião. Rodríguez confessou uma outra ilegalidade: afirmou que agentes cubanos acompanham cada passo de Yoani no Brasil.”.

A Secretaria-Geral do Planalto, onde Ricardo Poppi está lotado, apresentou três explicações em quatro dias (segundo a Folha de São Paulo) sobre a denúncia, e na terceira afirmou que “um CD entregue a um funcionário da Presidência dentro da Embaixada de Cuba foi destruído assim que ele soube que incluía um dossiê sobre a blogueira dissidente cubana Yoani Sánchez”.

Entre os grupos militantes identificados, a situação mais ambígua, mais contraditória, é a da militância petista.

Afinal, o seu partido, o PT, desde que virou governo continuou se declarando esquerdista embora siga administrando a economia em formato claramente capitalista e, pior, já se envolveu em vários flagrantes de corrupção graúda.

Acrescente-se que democracia nunca foi um dogma da chamada “esquerda radical”: PT e PCdoB possuem um histórico de crítica às ditaduras conservadoras e apoio às ditaduras esquerdistas.

E conheço estudiosos que entendem que não existe contradição quando um militante esquerdista pretende cercear o direito de adversários, pois neste caso predomina a teoria de que a “ditadura do proletariado” é um dogma, que se superpõe ao ideal da democracia.

Nas manifestações contra Yoani Sánchez, a contradição se materializou em confronto no seio partidário: um dos mais conhecidos e tradicionais líderes petistas, o senador Eduardo Suplicy (regularmente eleito por milhões de votos), entrou em confronto verbal com os manifestantes – muitos dele petistas, como relatado pelas fontes da informação – em Feira de Santana ao defender e proteger a dissidente cubana, a quem ciceroneava.

E acrescento à análise um fator sociológico que já é nosso velho conhecido: o espírito reformador da juventude.

As imagens de fotos e vídeos mostraram claramente que quase todos os manifestantes extavam na faixa dos 20 e poucos anos.

Jovens possuem a tendência de simplificar ideias: acreditam que o comunismo é mais humanista por negar diferenças e atacam qualquer obstáculo à implantação de um regime de ideologia esquerdista.

José Dirceu e seus asseclas começaram assim…

Para acesso ao texto citado (revista Veja), cliqueaqui.

E para acesso ao texto da Folha sobre o funcionário do governo federal que se reuniu com o embaixador cubano, cliqueaqui.

Também indico um momento de descontração, onde o melhor humorismo virtual animado do país, o Charges do Maurício Ricardo, comprovou que os brasileiros estavam agindo tal e qual seus ídolos comunistas cubanos. Para acesso, cliqueaqui.

Dilma troca redução da conta de luz pelo aumento da gasolina para equilibrar inflação, mas especialista afirma que a Presidenta comprometeu receitas futuras

Assisti, recentemente, a uma boa – embora precoce – discussão: as chances de reeleição de Dilma Rousseff no pleito presidencial de outubro de 2014.

De um lado, um grupo convicto de que os atuais mais de 80% de popularidade já permitem a previsão do segundo mandato.

E do outro já havia quem objetasse que o aumento do preço de combustíveis determinado em 29/01/2013 começava a mudar o quadro, pois o bolso é a parte mais sensível do corpo humano.

Consciente disso, a esperta Búlgara – como a chama o pessimista do parágrafo anterior – preparou, com antecedência, um recurso econômico para reduzir o impacto: uma redução paralela das tarifas de energia elétrica.

Mas usou um recurso de ética duvidosa, como explica a jornalista Suely Caldas, especializada em economia, que escreve regularmente n’O Estado de São Paulo, sempre na página 2 do caderno de economia, aos domingos, na seção de Opinião: “antecipar receita dos chamados recebíveis de Itaipu (créditos que o Tesouro tem a receber da hidrelétrica até 2023) para bancar o desconto nas contas de luz”. (edição de 27/01/2013)

E fez uma comparação com dois casos anteriores, nada louváveis:

1º) “o ex-governador Luiz Fleury [de São Paulo] foi buscar no futuro recursos para sua gestão” antecipando “a venda de energia elétrica a grandes consumidores por prazos de três, quatro anos, oferecendo descontos pra lá de camaradas […], mas as elétricas (então) estaduais (Cesp, Eletropaulo e CPFL) teriam de fornecer energia sem nada receberem durante o mandato de Covas”. 

2º) “em 2002, o ex-governador Anthony Garotinho retirou dos cofres da Previ-Banerj um lote de títulos públicos que tratou de transformar em dinheiro vivo, vendendo-os no mercado com deságio. Garotinho apropriava-se de dinheiro que não lhe pertencia, tampouco ao Estado, já que era destinado exclusivamente a pagar, no futuro, a aposentados do antigo banco estadual, vendido ao Itaú”. 

No crítico artigo ela cita outros artifícios contábeis do governo Dilma, usando palavras duras: “o que alguns chamam de contabilidade criativa, mas, na verdade, não passa de manobras, truques e trapaças para driblar a inflação e o resultado fiscal. A palavra-chave da pajelança é postergar”.

Em artigos anteriores, Suely já criticava o governo por adiar aumentos necessários do preço de combustíveis produzidos pela Petrobrás, sugerindo motivos políticos.

Desta vez o aumento foi de 6,6% para a gasolina vendida nas refinarias e de 5,4% para o diesel; no dia seguinte ao aumento, uma reportagem do Jornal Hoje (TV Globo) completou:

Os economistas dizem que o governo acertou ao deixar para reajustar o combustível só agora. É que em fevereiro, o impacto desse aumento no índice de preços ao consumidor deve ser compensado pela redução na tarifa de energia elétrica. Isso deve ajudar a controlar a inflação.

E retornando ao tópico que originou a discussão – a reeleição de Dilma Rousseff –, me posicionei pelo vaticínio de que “só o futuro dirá”.

A situação econômica do Brasil no segundo semestre de 2014 vai definir a possibilidade de reeleição e a chance dos concorrentes, que hoje parecem ser Aécio Neves e Eduardo Campos.

E acrescentei o fator Lula: argumentei que, se ele quiser voltar ao poder, sua cria mergulha; mas em 20/02/2013 ele aparentemente enterrou esta possibilidade ao defender enfaticamente a reeleição da Búlgara.

Para acesso ao inteiro teor do artigo de Suely, cliqueaqui.

E para a matéria do Jornal Hoje, televisivo, sobre o aumento de combustíveis, cliqueaqui.

Fernando Gabeira, de petista a antipetista. E também antiLulista

Político e jornalista, ex-guerrilheiro e ex-petista, Fernando Gabeira apareceu muito na mídia em torno de 2005, quando expôs a sua decepção com Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Ao rever uma entrevista que ele deu à Folha de São Paulo em 04/09/2005, intitulada Gabeira vê em Lula “despreparo” de Severino, meu lado de historiador amador me orientou a republicação de alguns trechos que bem demonstram a opinião de uma pessoa qualificada sobre um período importante da política brasileira contemporânea:

Faço a minha autocrítica. Blindamos o Lula com o argumento de que as pessoas que achavam que ele dizia coisas sem sentido eram preconceituosas. Existe na sociedade brasileira, sobretudo na classe média, um sentimento de culpa em relação aos pobres. Daí a grande adesão à tese de que a classe operária teria um papel messiânico. Apesar de ter contribuído para a campanha do Lula e de me sentir responsável por ajudar a meter o Brasil nessa encrenca, acho que temos que superar essa fase de culpa diante dos pobres e dos incultos. Minha experiência pessoal é a de um homem que também não era rico. A diferença é que certas pessoas têm curiosidade e outras não têm. Se você é pobre e tem curiosidade, você estuda. Temos que acabar com o elogio da ignorância. 

[…] 

Ele é tão pragmático que percebeu que a esquerda tinha uma fantasia a respeito do papel do operário. E resolveu encarná-lo. Ele ainda não se deu conta de que não foi a classe operária que chegou ao poder. No script da esquerda, ele representa a classe operária. Mas o script é dos intelectuais, que fantasiam muito a respeito do operariado. Uma filósofa como a Marilena Chaui, quando ouve o Lula, diz: ‘O Lula, quando fala, tudo se esclarece, tudo se ilumina’. 

[…] 

Uma pessoa como eu deveria ser proibida de ter grandes sonhos. Percebo que, não só não realizamos tarefas básicas, como cometemos uma série de atrocidades em nome dos sonhos. Nós, da esquerda, formulamos a idéia de um novo mundo, de um novo homem. Hoje, penso que devemos aceitar as pessoas tais como elas são, tentando melhorá-las, mas sem essa perspectiva do novo homem. É preciso trabalhar com a realidade. Sem medos nem esperanças.”. 

São subsídios válidos para a compreensão da adoração popular que levou Lula à condição de mito; uma tentativa de compreender a incapacidade coletiva de fazer uma análise objetiva de suas qualidades e defeitos.

E já que a minha pretensão é de republicar subsídios de valor histórico, é indispensável contextualizar: o Severino do título da Folha – que não aparece nos trechos republicados – é o político Severino Cavalcanti, ex-deputado federal de baixa formação intelectual (daí a comparação com Lula) que foi transformado em presidente da Câmara Federal em fevereiro de 2005 com amplo apoio do baixo clero (deputados de pouco prestígio), e que teve que renunciar logo em setembro após ser flagrado cobrando propinas com a ajuda de ameaças.

Gabeira foi o principal responsável pela desmoralização pública de Severino após fazer-lhe acusações duras e diretas em plenário, largamente transmitidas e repetidas pela mídia televisiva. Atualmente com 82 anos, Severino está sem mandato político.

Para acesso ao texto integral, cliqueaqui.