Febeapá era o festival de besteiras que assolava o Brasil nos anos 1960, lavra do saudoso Stanislaw Ponte Preta

Nos anos 1950 e 60 o jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68) era um astro da comunicação no Brasil, um agitador cultural.

Muito versátil, escrevia crônicas, livros, produzia shows de teatro e televisão.

Na década de 60, a última de sua curta vida, tornou-se um grande vendedor de livros, inclusive da trilogia Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, usando o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. A palavra “festival” estava em pleno uso na época, por causa dos grandes concursos musicais.

Li o primeiro volume já na década de 80 e rolei de rir com a primeira parte do livro, uma coletânea de casos reais que haviam acontecido no Brasil. Só selecionou casos absurdos, ridículos, exóticos, sempre acompanhados de seus venenosos comentários.

(Curiosamente, o verbete do Stanislaw na Wikipedia diz que o Febeapá “tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério”. Certamente um equívoco do colaborador da Wikipedia, até porque seria arriscado para ele inventar fatos inverídicos, com conotação negativa, para depois atribui-los a dezenas de personalidades conhecidas. Provavelmente os fatos eram verdadeiros, o trabalho do Stanislaw consistia na seleção e na irônica apresentação.)

Os Febeapá foram escritos pouco antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia, quando ele ainda podia aproveitar a chance de ridicularizar a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”.

Em homenagem ao Stanislaw/Sérgio, e para repartir com leitores regulares ou irregulares deste blog a minha diversão, seleciono e publico, em pílulas, alguns trechos da primeira parte do Febeapá (copiei-colei de uma cópia escaneada do livro, existente na internet, pois não teria tempo para redigitar tanto texto).

E abro com a própria apresentação da primeira parte do livro, um parágrafo curto e direto:

É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País. Pouco depois da ‘redentora’, cocorocas de diversas classes sociais e algumas autoridades que geralmente se dizem ‘otoridades’, sentindo a oportunidade de aparecer, já que a ‘redentora’, entre outras coisas, incentivou a política do dedurismo (corruptela do dedo-durismo, isto é, a arte de apontar com o dedo um colega, um vizinho, o próximo enfim, como corrupto ou subversivo – alguns apontavam dois dedos duros, para ambas as coisas) iniciaram essa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar.

O punga malhado na frente do campeão das corridas de cavalo no Brasil

O cavalo Didimo, além de campeão das corridas, tem sido o campeão da seção de fotos deste blog. Começou quando eu o elegi campeão moral do GP São Paulo, em maio, depois de chegar em terceiro lugar mesmo ficando sem passagem na reta final.

Depois ele ganhou uma corrida em São Paulo e em agosto alcançou a vitória mais importante, o Grande Prêmio Brasil, no Hipódromo da Gávea (Rio de Janeiro). A foto abaixo foi feita no cânter (apresentação).

Para quem não é do ramo, o Didimo é o cavalo de trás, pelagem castanha. O da frente não é de corrida, o que é facilmente identificável pela pelagem pampa, que não existe na raça Puro-Sangue Inglês, a única que participa das corridas tradicionais dos grandes hipódromos. É um cavalo de trabalho, montaria dos cavaleiros que ajudam na contenção dos irritadiços corredores. É um punga.

Didimo, campeão PSI

A igreja matriz de Milho Verde (MG) é pouco conhecida pelos turistas

A plasticidade de uma imagem é o que define o seu sucesso. E a imagem mais conhecida do distrito de Milho Verde, no Serro (MG), é a igreja de Nossa Senhora do Rosário, pois fica no topo de uma colina, permitindo fotografias em que as montanhas figuram como um belo fundo de cena.

Mas ela é uma pequena igreja, praticamente uma capela. A igreja matriz é a de Nossa Senhora dos Prazeres, que estampo abaixo (cliquei em 05/04/12). Algo oculta entre árvores, não facilita uma imagem em que apareça completa.

Além disso, tem uma fachada discreta, tímida, Mas tem um interior bonito e adornado, sem ser uma joia do Barroco mineiro.

Amiga virou cacoete de linguagem no falar brasileiro (A influência da televisão na língua e no comportamento – II)

Há alguns anos, algumas novelas brasileiras começaram a usar a expressão amiga nos diálogos entre mulheres, como substituto do nome.

— Ei, amiga! Você viu como a Fulana tá mal vestida hoje?

— Amiga, tu tá um tesão com essa saia vermelha, bah! (esta poderia ser extraída de alguma telenovela gaúcha, se houvesse alguma).

Será que vai pegar?”, pensei, quando a onda começou.

Não chegaria ao exagero de dizer que esteja largamente difundida, mas realmente pegou, pois tem uso frequente nas conversas populares. Leia o resto deste post »

Este blog entra em férias

Por motivo de férias do único autor, este blog entra em férias até o miolo de outubro. Felicidades para todos!