Um vizinho amigo que vai embora: morre José do Carmo Braga, o Juquita

Faleceu dia 24/02/2013, em Belo Horizonte, José do Carmo Braga, o Juquita. Tinha 73 anos e não resistiu a complicações de um melanoma.

Antigo morador do bairro de Santa Tereza, viveu quando jovem perto da extinta ponte do Cardoso com os pais e nove irmãos. Após casar-se com a nortista Belmira, a “Mirinha”, viveu inicialmente no segundo quarteirão da rua Dores do Indaiá e depois em apartamento próprio na rua Divinópolis. O casal teve três filhos: Márcia, Paulinho (falecido na infância de leucemia) e Roberta. Márcia é casada com Júnior, filho do conhecido fotógrafo mineiro José Góes, com quem tem um casal de filhos. A mãe de Juquita, de 95 anos, estava presente ao velório que, como o enterro, aconteceu no cemitério do Bonfim.

Na maior parte de sua vida ele trabalhou no Bemge – Banco do Estado de Minas Gerais, incorporado nos anos 1990 pelo Banco Itaú. Trabalhei com ele durante poucos meses na virada de 1975-76. A esposa Mirinha sempre foi íntima amiga de minha tia Celma, falecida em 2007.

A foto abaixo, tirada durante a festa dos 80 anos de minha mãe Genny, em 2005, não está muito precisa mas foi a melhor que encontrei para deixar aqui a lembrança.

José do Carmo Braga, o Juquita

José do Carmo Braga, o Juquita

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Relembrando um cantor esquecido: Milton Carlos, com sua inconfundível voz de falsete

Não me acostumo com o esquecimento a que certos fatos e pessoas são relegados; é como se não tivessem ocorrido, ou existido.

A perplexidade tem sido estimulada em mim com frequência, agora através do cantor Milton Carlos, que morreu em 1977, com apenas 22 anos de idade, no auge do sucesso.

Extraí da internet este resumo da tragédia: “Ele morreu […] quando vinha de Jundiaí para São Paulo a bordo de seu Passat. Viajava em companhia de sua noiva, a também cantora Mariney Lima e do empresário Genildo de Oliveira. O acidente ocorreu num trecho da via Anhanguera quando o Passat do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania Vabis e bateu em um caminhão Chevrolet. Com o choque, o carro do cantor desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Milton Carlos e sua noiva morreram na hora.”.

Perdeu-se um talento que tinha tudo para efetuar uma carreira brilhante, pois o precoce artista já tinha emplacado vários sucessos nas paradas musicais.

Sua voz era ímpar, sui generis: um aparente falsete que pode até levar o ouvinte que não o conhece a pensar que está ouvindo uma mulher.

Encontrei diferentes análises para essa voz incomum.

O pesquisador Bruno Negromonte, em seu blog Musicaria Brasil, afirma que a voz de Milton “não era falsete. Milton Carlos foi uma criança que não teve mudança de voz. Ele crescia, mas sua voz continuava infantil e com o tempo feminina. Era uma voz ímpar, bastante peculiar porque continha, além da beleza esfuziante, uma evidente androginia. E isso chamou a atenção das gravadoras, que logo o convidaram para gravar por volta de 1970. E o que podia ser uma coisa negativa se tornou positiva”.

Outro texto da internet, assinado por Aparecido Barbosa (2011), compara sua voz com a de Maria Creuza e o classifica como “contratenor, porém nestes trata-se de um dom natural, não exigindo o treinamento a que se submetem os cantores líricos para alcançar este timbre”.

Ambos desmentem meu título, o qual mantenho, pois a classificação “falsete” permite melhor identificação do público, que não precisa entrar em questões técnicas complexas.

Milton trafegava por dois estilos: música romântica e samba.

Compunha em parceria com a irmã Isolda, uma garota, três anos mais nova; ela seguiu no ramo e foi responsável por vários sucessos de Roberto Carlos (que já tinha gravado três músicas da parceria deles).

Mas lá pelos anos 1990 a mídia noticiou que Isolda estava magoada, pois Roberto Carlos não estava mais gravando suas composições – e ela perdeu sua galinha de ovos de ouro.

Milton Carlos, apesar de todas as suas qualidades e da grande vendagem de seus sucessos, não tem uma página na Wikipedia, nem sequer um site oficial; encontrei, apenas, uma elogiável mas muito modesta página em fansites, criada e mantida por algum fã, que exagerou um pouco no título: “O maior cantor de todos os tempos”.

Tem uma reduzida biografia redigida pelo bravo divulgador da MPB, Ricardo Cravo Albin (para acessá-lo, cliqueaqui).

Gravava as músicas compostas em parceria com Isolda e também as de outros autores; talvez o maior sucesso de sua autoria tenha sido o Samba Quadrado, carro-chefe do álbum de igual nome, produzido em 1973.

E das músicas em que atuava exclusivamente como intérprete, o maior sucesso foi Memórias do Café Nice, uma referência à mais famosa – já extinta – cafeteria do Rio de Janeiro, ponto de encontro de várias classes sociais.

A letra é uma bela homenagem aos músicos e sambistas do passado, e foi composta por Artúlio Reis – nome raro nas paradas de sucesso –, e embute uma curiosidade: Monalisa, filha de Artúlio, figura como parceira, mas era apenas um bebê na época; o registro deve ser debitado ao entusiasmo paterno.

No ano da morte, 1977, Milton lançou o quinto LP e já estava nas paradas de sucesso com a regravação da marchinha-bolero Dorinha meu amor.

Para acesso à audição das músicas citadas, ou de qualquer música de Milton Carlos, basta fazer uma rápida e fácil pesquisa na internet (não veja necessidade de indicação de links).

Morre o homem, permanece a obra. Ainda que insuficientemente lembrados.

A morte precoce do jornalista e escritor Daniel Piza foi uma perda lamentável para a cultura brasileira. Um lágrima para ele

Todo domingo, sempre que possível, pego o carro e me desloco para comprar, em Belo Horizonte, o jornal O Estado de São Paulo.

A edição dominical é sempre especial, recheada de textos analíticos e crônicas.

No caderno de cultura sou leitor fiel dos textos de João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo e da coluna de Daniel Piza, que também é o editor responsável pelo setor. Era.

O primeiro dia e também primeiro domingo de 2012, foi a data do enterro de Daniel Piza.

Informa o próprio Estadão, em texto da internet:

O jornalista Daniel Piza, de 41 anos, morreu na noite desta sexta-feira, 30, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Estava em Gonçalves (MG), onde passava as festas de fim de ano com a família. Chegou a ser socorrido pelo pai, que é médico, mas não resistiu. […] Advogado, formado no Largo de São Francisco, era escritor, com 17 livros publicados, entre eles Jornalismo Cultural (2003), a biografia Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro (2005), Aforismos sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010). Traduziu títulos de autores como Herman Melville e Henry James e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira.

Uma perda lastimável para a inteligência brasileira, para um país carente de uma melhor e mais homogênea formação cultural, repleto de problemas que precisam ser melhor conhecidos e analisados.

Em sua coluna ele habitualmente usava o intertítulo “Uma lágrima” para falar de mortos recentes, principalmente na área cultural.

Blogueiros de todo o país já escolheram a mesma expressão para lamentar sua morte. Justa homenagem.

P.S.: E não consegui o jornal.

Jorge Sapateiro deixou saudade no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte

Jorge Soares Ferraz, mais conhecido como Jorge Sapateiro, faleceu em 15/09/2011 e deixou muita saudade no bairro de Santa Tereza (Belo Horizonte).

Segundo informações de vizinhos,dias antes ele fraturou o fêmur mas não resistiu ao posterior trauma operatório. Estava com 75 anos e tinha problemas cardiovasculares.

Como última homenagem, republico abaixo um texto que escrevi sobre a sua aposentadoria, intitulado “Aposenta-se Jorge, o mais antigo sapateiro de Santa Tereza” e publicado na internet em 21/07/2010: Continue lendo »

Maria da Conceição Ávila de Oliveira (convite para a missa de 7º dia)

Hoje, 12 de agosto de 2011, será realizada às 19 horas a missa de sétimo dia para Maria da Conceição Ávila de Oliveira, falecida em 06/08/11. A cerimônia está marcada para as 19 horas na Igreja de Santa Tereza, em Belo Horizonte.

Ela era minha tia, irmã de minha mãe Genny de Ávila Rodrigues, última sobrevivente das três filhas do casal Francisco Nominato de Ávila (nascido em Conceição do Mato Dentro, 24/08/1888, falecido em Belo Horizonte, 16/04/1959) e Maria Cândida Jorge (nascida no Serro, 27/01/1893, falecida em Belo Horizonte, 03/10/1989).

Estava com 87 anos e sofria do Mal de Alzheimer, doença pouco falada ou conhecida no passado, hoje de alta frequência e sempre assustadora, desumana, destrutiva. Já estava acamada e mal reconhecia alguns parentes.

Conceição nasceu no Serro (MG) mas mudou-se para a capital na década de 40; já no final daqueles anos passou a residir no bairro de Santa Tereza com pais e irmãs. Na casa da rua Dores do Indaiá viveu até o fim de seus dias.

Era muito conhecida no bairro tanto pelo tempo em que ali morou, quanto pela personalidade expansiva e alegre, quanto pelas décadas em que foi profesora primária no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, situado já nos limites com o bairro do Horto.

Suas irmãs mais novas faleceram antes: minha mãe Genny de Ávila Rodrigues (2008) e a caçula Celma de Ávila Figuerôa (2007). Esta última também foi vítima do mesmo Mal de Alzheimer.

Conceição era viúva do advogado Alberto de Oliveira (n. São Domingos do Prata-MG 18/04/05, f. Belo Horizonte-MG 30/01/93) e não teve filhos.

O best-seller de Saulo Ramos parece uma tribuna de acerto de contas pessoais

Adoro ler um bom livro, mas só descubro se ele é bom quando a leitura está bem adiantada ou terminada.

Para escolher um livro a ser lido nós, leitores, usamos vários critérios, inclusive a lista dos mais vendidos, os best-sellers (para usar uma consagrada expressão da inevitável língua inglesa).

Há dois ou três anos frequenta esta lista o “Código da Vida”, escrito pelo advogado e ex-ministro da Justiça Saulo Ramos. Continue lendo »

Marco Paulo Rabello, o principal construtor de Brasília, morre esquecido pela mídia

É impressionante como a vida é efêmera, como os acontecimentos podem ser efêmeros, como o que foi importante no passado pode passar despercebido anos ou décadas depois.

Este tipo de constatação é frequente, é lugar comum, mas não há como evitar, nem como não se impressionar.

Os exemplos são corriqueiros.

O mais recente, motivador desta análise, foi a morte do engenheiro e empreiteiro Marco Paulo Rabello, ocorrida em 07/06/2010, aos 92 anos. Continue lendo »