Analista Celso Ming diz que a Embrapa perdeu o bonde e está em decadência por influência política e ideológica

Sempre fico decepcionado com a dificuldade brasileira de associar a eficiência com o longo ou longuíssimo prazo.

Segundo o jornalista Celso Ming, especialista em economia e colunista do jornal O Estado de São Paulo, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), de participação decisiva na evolução tecnológica da agricultura brasileira, está em franca decadência.

Na coluna de 01/04/20112 diz que “há cinco anos, sementes com tecnologia da Embrapa respondiam por 50% da produção de soja do Brasil; hoje, não passam de 10% – estima a consultoria Céleres. Esse encolhimento não se deve apenas à insuficiência de recursos para pesquisa, mas também a graves equívocos estratégicos do passado”.

E detalha:

Durante bom tempo, contaminada por preconceitos ideológicos, a administração da Embrapa se recusou a avançar no desenvolvimento de técnicas de modificação genética. Temia pela produção de aberrações vegetais e de prejuízos para a saúde e para o meio ambiente. Bastou isso para que a pesquisa nacional do setor se ananicasse. Abriu-se espaço enorme, hoje dificilmente recuperável, para sementes transgênicas de grandes multinacionais, como Monsanto, Syngenta e Bayer CropScience. 

A regulamentação para liberação das culturas transgênicas no Brasil ocorreu em 2005. Desde então, a CTNbio, organismo encarregado de aprovar sementes geneticamente modificadas no País, liberou 32 variedades, duas produzidas pela Embrapa. Nenhuma delas está no mercado.”.

Ming foi bem direto no título do artigo: “A Embrapa perdeu o bonde”.

Ele não se aprofunda na questão político-ideológica, mas é fato que grupos de ecologistas-radicais aninhados no PT sempre foram contrários ao latifúndio e ao agronegócio, atividades que souberam usar as tecnologias aperfeiçoadas pela Embrapa.

Os mesmos grupos torcem o nariz para os alimentos transgênicos, muitas vezes com argumentos embasados em fantasia pura.

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