João Ubaldo Ribeiro critica a falácia dos governistas que continuam culpando as fantasiosas “elites”

Bem poucos anos atrás, flagrei um comentário interessante numa conversa entre dois (razoavelmente veteranos) participantes de movimentos de esquerda (atuaram em sindicatos e partidos):

– Não são bons tempos para os militantes de esquerda!

Mas uma leitura simplista e crédula dos discursos de autoridades constituídas indica o contrário: muitos dizem fazer uma administração “de esquerda”, portanto a “esquerda” parece fazer parte do Poder.

A contradição se explica pela amplitude do conceito de esquerda-direita, que permite a adaptação a qualquer uso.

O contrassenso ocorre com o poder central brasileiro (PT, PSB), que usa o mesmo discurso, mas mantém a base capitalista (historicamente associada à “direita”).

Outra falácia comum é situar os adversários do povão na classe etérea das “elites”.

Com tal figura, os governantes que se dizem esquerdistas explicam – ou tentam explicar – as dificuldades para resolver com rapidez as diferenças socioeconômicas da população.

E seguem remando…

Mas o mestre da ironia não perdoa: com a crônica “Que elites, que esquerda?”, publicada na edição de 17/03/2013 do jornal O Globo (e em vários jornais do país, pois é vendida por agência), João Ubaldo Ribeiro criticou e ridicularizou os inimigos das elites.

Escolheu o alvo: “…esse de o governo ser de esquerda. Só se querem dizer que a maior parte do nosso cada vez mais populoso bando ministerial é constituído de canhotos”.

Critica um dos argumentos dos esquerdistas de ocasião: “Também se diz que as elites dominantes querem derrubar o governo. Que elites dominantes? A elite política, que se saiba, é a que exerce o poder político.”.

E mais outro: “Finalmente, temos a imprensa golpista. Que imprensa golpista? Que editorial ou comentário pediu golpe?”.

E aproveitou para implodir realizações governamentais: “[…] do descalabro inacreditável em que se tornaram as trombeteadas obras do rio São Francisco, hoje uma vasta extensão de ruínas e destroços, tudo abandonado ao deus-dará, em pior estado do que cidades bombardeadas na Segunda Guerra? Ou o que está acontecendo com a Petrobras, que, da segunda posição entre as petrolíferas, despencou para a oitava e pode despencar mais, acrescida a circunstância de que ninguém explica direito qual é mesmo a situação do hoje já não tão radioso pré-sal?”.

Para aqueles que não se autoproclamam esquerdistas, informo que o texto completo pode ser acessado clicandoaqui.

 

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