Carona institucionalizada: os cubanos reduzem a deficiência de transporte público com a venda de bancos livres nos carros

Fiz uma proveitosa viagem a Cuba em 2005; um pouco antes da partida andei me informando sobre a cultura local, mas a todo dia me surpreendia.

É uma nação geográfica e culturalmente ilhada.

Com uma economia incapaz (até pelo bloqueio comandado pelos Estados Unidos) de atender boa parte das necessidades da população, a administração usa até a imaginação para reduzir os problemas.

Em matéria de transporte, vi de tudo: tração animal, humana e mecânica; carrocerias de ônibus montadas em chassis de caminhão e de trem.

E um engenhoso método de aproveitar os bancos vazios dos automóveis, que explico extraindo a informação do meu Diário de um Turista em Cuba, disponível em formato PDF na coluna da direita deste blog, ou pelo link http://marcio.avila.blog.uol.com.br/cuba.htm:

Ainda em Matanzas, pedi a Cesar [o motorista] para dar uma parada pois queria observar e entender melhor uma situação que eu já havia visto em outros trechos da viagem: um sistema de profissionalização da carona. Nas entradas e saídas das cidades um funcionário público, sempre vestido com um uniforme amarelo-creme e boné do tipo usado pelos antigos carteiros brasileiros, trabalha em pontos de carona, liderando um grupo de candidatos a passageiros. Nas mãos, uma prancheta com uma tabela de preços, de acordo com os trajetos previstos. Quando passa um carro público com lugar disponível, ele o pára e verifica se há algum carona que vai utilizar o mesmo trajeto. Quando isto acontece, ele cobra o valor da passagem de acordo com a tabela e guarda o dinheiro. Uma espécie de “cobrador de rua”, vinculado ao ponto de parada e não à empresa de transporte. A guia Nelia me garantiu que isto só acontece com os carros públicos, do governo ou de seus órgãos, e o motorista é multado quando não obedece a ordem de parar. Ela destacou que carros de turismo, táxis e carros particulares não participam do sistema, frisando que o carro particular é respeitado naquele país comunista como propriedade privada, da mesma forma que acontece nos países capitalistas. “O dono faz o que quiser com seu bem”, garantiu. Sem dúvida, algo bem diferente do que geralmente se pensa em relação ao comunismo.”.

Tirei algumas fotos dos “cobradores de rua”, mas acho que elas não ficaram suficientemente boas para mostrar o fato e os trabalhadores; ainda assim, selecionei a que estampo abaixo, sacada em 02/11/2005 na província de Matanzas, estrada para Varadero. O funcionário está à esquerda, de uniforme amarelo escuro:

02nov2005 - Cuba - Província de Matanzas - Estrada para Varadero

02nov2005 – Cuba – Província de Matanzas – Estrada para Varadero

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