Uma indicação de leitura: Perda Total, ótimo livro de Ivan Sant’Anna sobre três recentes e graves acidentes aéreos brasileiros

Li, bem recentemente, o livro Perda Total, de Ivan Sant’Anna, sobre os três últimos grandes acidentes aéreos do Brasil, ocorridos em 1996, 2006 e 2007.

Acidentes aéreos são um tema de grande impacto e popularidade, certamente por causa da palavra medo.

Os especialistas repetem a todo instante que o risco de perecer em desastre aéreo é estatisticamente irrelevante – e certos estão –, mas o medo de personalizar esta microfração de ponto percentual faz com que muita gente, a cada decolagem, faça o sinal da cruz, ou ore para seus protetores espirituais, ou entre em algum grau de stress.

Ou tome um tranquilizante prévio.

Ivan Sant’Anna ganhou um bom prestígio com três livros: Caixa-preta, Plano de Ataque e o citado Perda Total.

Ganhou por seus méritos: mistura leveza de texto com pesquisa aprofundada e bem fundamentada (parece um jornalista por seu estilo, mas tem uma formação aparentemente oposta, a de analista do mercado financeiro, agora aposentado).

A primeira parte da obra é sobre o Fokker 100 da TAM que caiu no bairro de Jabaquara (SP) no dia 31/10/1996, matando 99 pessoas.

Uma falha no reverso (um sistema auxiliar do freio), que abriu durante a subida, foi a causa maior; na página 82 o autor resume o conjunto de causas: “um relé defeituoso, uma junção frágil entre duas partes de um cabo de aço e a ausência de treinamento da tripulação para aquela conjuntura específica derrubaram o voo 402”.

O segundo caso foi bem bizarro: um choque de dois aviões num espaço aéreo monstruosamente grande e deserto, que resultou na morte de 154 tripulantes e passageiros do avião da Gol que voava de Manaus para Brasília em 29/09/2006.

O outro avião atingido no choque era um jatinho Legacy, pilotado por dois norte-americanos pouco familiarizados com o equipamento e com o tráfego aéreo brasileiro; com lesões não fatais, fez um pouso de emergência, com sucesso.

E Sant’Anna assim resumiu as causas (pag. 213): “imperícia e negligência dos pilotos do jatinho, imperícia e negligência dos controladores de voo e afobação do fabricante e do operador (ExcelAire) na hora de entregar e de receber o avião”.

Infelizmente, comprovou-se que a culpa maior cabe aos controladores brasileiros, despreparados e displicentes.

E a falha do reverso voltou a ser a causa de outro acidente, o maior da história da aviação brasileira: “em 17/07/2007 uma aeronave de passageiros Airbus A320-233, da TAM, ultrapassou o fim da pista 35L do Aeroporto de Congonhas durante o pouso e se chocou contra um depósito de cargas da própria TAM, provocando a morte de 199 pessoas” (resumo extraído da Wikipedia).

Um erro do comandante desencadeou a tragédia: posicionou o manete – controlador da turbina – em posição de aceleração durante a frenagem.

Mas a desgraça só aconteceu porque outros erros se somaram, assim resumidos por Ivan Sant’Anna (página 290): “liberação da pista sem grooving, o estresse dos pilotos por causa do apagão aéreo, a estúpida e repetitiva mensagem retard, retard, retard do A-320”.

Recomendo a leitura.

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