Fernando Gabeira, de petista a antipetista. E também antiLulista

Político e jornalista, ex-guerrilheiro e ex-petista, Fernando Gabeira apareceu muito na mídia em torno de 2005, quando expôs a sua decepção com Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Ao rever uma entrevista que ele deu à Folha de São Paulo em 04/09/2005, intitulada Gabeira vê em Lula “despreparo” de Severino, meu lado de historiador amador me orientou a republicação de alguns trechos que bem demonstram a opinião de uma pessoa qualificada sobre um período importante da política brasileira contemporânea:

Faço a minha autocrítica. Blindamos o Lula com o argumento de que as pessoas que achavam que ele dizia coisas sem sentido eram preconceituosas. Existe na sociedade brasileira, sobretudo na classe média, um sentimento de culpa em relação aos pobres. Daí a grande adesão à tese de que a classe operária teria um papel messiânico. Apesar de ter contribuído para a campanha do Lula e de me sentir responsável por ajudar a meter o Brasil nessa encrenca, acho que temos que superar essa fase de culpa diante dos pobres e dos incultos. Minha experiência pessoal é a de um homem que também não era rico. A diferença é que certas pessoas têm curiosidade e outras não têm. Se você é pobre e tem curiosidade, você estuda. Temos que acabar com o elogio da ignorância. 

[…] 

Ele é tão pragmático que percebeu que a esquerda tinha uma fantasia a respeito do papel do operário. E resolveu encarná-lo. Ele ainda não se deu conta de que não foi a classe operária que chegou ao poder. No script da esquerda, ele representa a classe operária. Mas o script é dos intelectuais, que fantasiam muito a respeito do operariado. Uma filósofa como a Marilena Chaui, quando ouve o Lula, diz: ‘O Lula, quando fala, tudo se esclarece, tudo se ilumina’. 

[…] 

Uma pessoa como eu deveria ser proibida de ter grandes sonhos. Percebo que, não só não realizamos tarefas básicas, como cometemos uma série de atrocidades em nome dos sonhos. Nós, da esquerda, formulamos a idéia de um novo mundo, de um novo homem. Hoje, penso que devemos aceitar as pessoas tais como elas são, tentando melhorá-las, mas sem essa perspectiva do novo homem. É preciso trabalhar com a realidade. Sem medos nem esperanças.”. 

São subsídios válidos para a compreensão da adoração popular que levou Lula à condição de mito; uma tentativa de compreender a incapacidade coletiva de fazer uma análise objetiva de suas qualidades e defeitos.

E já que a minha pretensão é de republicar subsídios de valor histórico, é indispensável contextualizar: o Severino do título da Folha – que não aparece nos trechos republicados – é o político Severino Cavalcanti, ex-deputado federal de baixa formação intelectual (daí a comparação com Lula) que foi transformado em presidente da Câmara Federal em fevereiro de 2005 com amplo apoio do baixo clero (deputados de pouco prestígio), e que teve que renunciar logo em setembro após ser flagrado cobrando propinas com a ajuda de ameaças.

Gabeira foi o principal responsável pela desmoralização pública de Severino após fazer-lhe acusações duras e diretas em plenário, largamente transmitidas e repetidas pela mídia televisiva. Atualmente com 82 anos, Severino está sem mandato político.

Para acesso ao texto integral, cliqueaqui.

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