Fechamento da edição impressa da segunda maior revista semanal dos EUA (Newsweek) permite algumas previsões pessimistas

No dia 31 de dezembro de 2012 a tradicional Newsweek, segunda revista semanal de informação mais importante dos Estados Unidos, distribuiu seu último exemplar impresso e passa a ser produzida exclusivamente em formato digital, com o nome de Newsweek Global.

Matéria da revista Exame (datada de 18/10/2012) informa que:

A Newsweek, fundada em 1933, tem se mantido como a segunda revista semanal mais lida na mídia americana, atrás apenas da Time, durante a maior parte dos seus 79 anos de existência. A publicação está em crise desde 2008, quando passou a registrar perdas financeiras e a passar por mudanças numa tentativa de evitar o colapso. 

Em agosto de 2010, o grupo Washington Post vendeu a Newsweek para Sidney Harman, um pioneiro da indústria de equipamentos de áudio. Circulou no mercado a informação, não confirmada pela empresa, de que Harman teria pago 1 dólar pela revista, além de assumir suas dívidas.

 Em novembro do mesmo ano, a Newsweek se uniu ao site de notícias The Daily Beast, fundado por Tina Brown, que passou a comandar também a revista. ‘The Daily Beast atrai mais de 15 milhões de visitantes por mês, número 70% maior que o do ano passado. Grande parte desse tráfego é gerado todas as semanas pelo jornalismo dinâmico e original da Newsweek’, diz o texto de Tina e Shetty.

 Os dois afirmam que não estão abandonando a revista: ‘Esta decisão não é sobre a qualidade da marca ou do jornalismo. É sobre os custos desafiadores de imprimir e distribuir a revista em papel’. Eles admitem, porém, que haverá corte de pessoal: ‘Infelizmente, antecipamos que haverá redução da equipe e enxugamento das nossas operações editoriais e comerciais, tanto nos Estados Unidos como em outros países.’”.

Para acessar a matéria, cliqueaqui.

Vista de forma isolada, a quebra da Newsweek poderia se entendida, apenas, como parte da dinâmica empresarial.

No entanto, ela exemplifica uma expectativa de decadência constante da mídia impressa.

A consequência mais funesta desta decadência é a perda de qualidade das informações disponibilizáveis ao público, por redução do orçamento destinado às fontes.

O maior exemplo recai sobre o trabalho de reportagem: só a certeza do recebimento do salário mensal dá ao repórter segurança para se dedicar, diariamente, a uma atividade com frequência dura e arriscada.

Acrescente-se a segurança de que qualquer empresa de mídia sólida possui um departamento jurídico, indispensável neste tipo de trabalho.

A empresa contratante também precisa de boa saúde financeira para as indispensáveis funções de suporte, como pessoal de apoio e equipamento.

Mas a qualidade da informação está longe de se resumir a isso, pois o orçamento precisa incluir a remuneração de artigos técnicos que o repórter generalista não é capaz de produzir.

E também a capacidade de adquirir informações de agências internacionais.

Por tudo isso, e mais alguns detalhes e tópicos que poderiam ser acrescentados, o enfraquecimento do poder de fogo da grande mídia tende a afetar, negativamente, a qualidade da informação.

(Embora, contraditoriamente, a internet tenda a aumentar o número de leitores, a globalizar o acesso e acelerar a velocidade da mensagem.)

O processo civilizatório é bastante dinâmico, mas raramente seus efeitos são exclusivamente positivos.

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