Alguns casos estapafúrdios dos anos 1960, narrados com a ironia fina de Stanislaw Ponte Preta (XIII)

Sigo republicando, abaixo, trechos do livro Febeapá: Festival de Besteiras Que Assola o País, de 1966, escrito pelo jornalista e redator humorístico Sérgio Porto (1923-68), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Foram extraídos da primeira parte, que é uma coletânea de casos reais selecionados do noticiário jornalístico e comentados pela ótica irônica do inesquecível agitador cultural, então muito revoltado com a revolução de 1964, que chamava de “Redentora”, dois anos antes do endurecimento da ditadura militar e da criação da censura prévia.

Seguem alguns parágrafos e espero que meus leitores se divirtam como eu me diverti na primeira leitura (anos 80) e em releituras:

E o Secretário de Turismo da Guanabara, Sr. Rio Branco, mudava a ornamentação para o Carnaval, na Avenida Rio Branco, por uma outra mais leve, e saía-se com esta: ‘Deus me livre acontecer um acidente na Avenida do Vovô’. 

Era dos mais democratizadores o caso criado pelo Coronel Comandante do Batalhão de Carros de Combate, sediado em Valença (RJ), que cercou Barra do Piraí com 800 soldados e exigiu que a Câmara de Vereadores local elegesse os membros da mesa conforme listinha que entregou ao presidente da Assembleia. Dizem que foi a e eleição ‘democrática’ mais rápida que já houve. Num instante estavam eleitos os candidatos do Coronel e, se mais rápida não foi essa eleição, é porque alguns vereadores, ao verem tanto soldado embalado, tiveram que ir primeiro lá dentro, cumprir prementes necessidades fisiológicas. 

Na cidade de Mantena (MG) o delegado deu tanto tiro que a cidade deixou de ter população e passou a ter sobrevivente. Em Tenente Portela (RS) um policial chamado Neider Madruga prendeu toda a Câmara de Vereadores porque o candidato da sua curriola não foi eleito na renovação da mesa diretora. Mesmo com o habeas-corpus aos vereadores, dado pelo juiz local, o Madruga levou todos em cana para Porto Alegre, preferindo ‘fazer democracia com as próprias mãos’. 

Manchete do jornal ‘Correio do Ceará’: ‘Todo fumante morre de câncer a não ser que outra doença o mate primeiro’.

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