Cardeais brasileiros são azarões nas listas dos papabili, os candidatos a Papa

Está marcado para a próxima terça-feira – 08/03/13 – o início do conclave que vai eleger o novo Papa, substituto do surpreendente renunciante Bento 16.

As especulações têm pouco impacto no Brasil, que não conhece os personagens.

Eu me lembro que, na eleição do sucessor de João Paulo II, os analistas diziam que o cardeal Joseph Ratzinger tinha pouca chance porque era idoso, mas nas bolsas de apostas de Londres ele era o favorito.

O veterano jornalista José Maria Mayrink, também conhecido pelos seus laços com o catolicismo, elaborou boa análise na matéria intitulada “Quatro nomes ganham força na lista dos papáveis”, publicada n’O Estado de São Paulo, edição de 24/02/13.

Extraio, abaixo, o primeiro parágrafo, que sintetiza a disputa:

“Dois cardeais italianos, um austríaco e um canadense aparecem com quase unanimidade na lista dos papáveis. São o arcebispo de Milão, Angelo Scola, de 71 anos, o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, Gianfranco Ravasi, de 70, o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, de 68, e o prefeito da Congregação para os Bispos, Marc Ouellet, de 68.Essa relação é especulação de especialistas que buscam o perfil ideal do próximo líder da Igreja.”.

Os cinco cardeais brasileiros não estão cotados – embora algumas listas incluam D. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.

Se algum brasileiro acabar eleito, a mídia vai ficar desesperada para levantar perfil, histórico, ideias.

Até as décadas de 70 e 80 os líderes religiosos nacionais – principalmente os cardeais – eram bem conhecidos do grande público, frequentadores da mídia.

A concorrência das outras igrejas, a secundarização de alguns embates políticos-ideológicos e até o perfil dos mais recentes líderes católicos, mais voltados para os interesses internos da Igreja, interferiu no papel midiático de intermediação entre fonte de notícia e o grande público.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

Acrescento, no velho estilo post scriptum: Esqueci-me de dizer que o fator principal de uma eleição interna – até para Papa – é a rede de relacionamento com os reais eleitores. Na época da sucessão de João Paulo II os analistas citavam argumentos que se revelaram especulações inúteis, como a necessidade de escolha de um negro, ou de um brasileiro, ou de um norte-americano. Usavam motivos geopolíticos ou propagandísticos. Havia quem era contra um cardeal dos Estados Unidos por causa da situação de destaque deste país no cenário político-econômico internacional; e havia quem era a favor exatamente pelo mesmo motivo. A verdade é que, quem tiver mais prestígio entre os cardeais-eleitores e correr atrás do cargo de forma mais resoluta, leva.

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