A internet – especialmente o Facebook – está se tornando uma fonte de informações prévias às paqueras

Fui criado nos anos 1960 e 70 com a ideia de que só havia três modos de formação de um casal: namoro, noivado e casamento.

O namoro era um compromisso pessoal, mas bastante valorizado pelas duas partes do casal; o noivado implicava praticamente na obrigação do posterior casamento que, por sua vez, seguia cerimônias e comportamentos bem definidos, como a lua de mel, que culminava com o rompimento da virgindade feminina.

O que fugia de tais práticas era pouco valorizado, desprezado mesmo.

O divórcio só virou lei em 1977; antes dele, os legisladores criaram a estranha e extinta figura do desquite (separavam-se os bens, mas não era permitido outro casamento formal).

O compromisso era tão valorizado que justificava a exibição pública de um símbolo: os noivos usavam a aliança na mão direita e os casados na esquerda; uma prática menos conhecida era o uso de duas alianças por quem enviuvava.

A aliança tinha uma função sinalizadora: quando presente, era um sinal vermelho, impeditivo para novos compromissos, e sua ausência era um sinal verde da mulher para a corte masculina.

Poucas décadas se passaram e a revolução se instalou no comportamento intersexual (nos relacionamentos de casal), tornando naturais formatos como o relacionamento exclusivamente sexual, o ficar dos adolescentes, e as uniões não formalizadas.

“O que vão pensar de mim?”. A grande preocupação de quatro décadas atrás virou conversa de gente fora de época, um comportamento anacrônico.

Isto sem falar dos formatos mais atípicos, como os casamentos heterossexuais abertos, os casamentos gays e a dispensa da fidelidade.

De consequência, há quem tenha irmãos germanos (mesmos pais), irmãos paternos e, ainda, irmãos maternos. E os pais namoram outros parceiros, que já possuem filhos anteriores.

Quanto às alianças – aqueles caros anéis, joias douradas –, a tradição é tão forte que continuam muito usadas nos casamentos.

Mas perderam o caráter obrigatório, o que também prejudicou seu velho papel de instrumento de sinalização verde-vermelho.

Paquerar alguém que ostente uma aliança ainda tem um sabor de traição, mas a ausência dela não significa mais o antigo sinal verde, pois o uso tornou-se opcional, não obrigatório.

Para o homem que faz a corte ou a paquera – também vale para a mulher, ainda minoritária na iniciativa – perdeu-se a baliza da aliança, e muitas vezes ele faz o assédio que nem deveria ter iniciado.

Investe na mulher que não usa aliança e, com frequência, descobre que ela já está comprometida.

Mas a expansão da internet criou uma alternativa para a função sinalizadora que pertencia à aliança e tornou-se uma boa fonte de pesquisas desde que se saiba, pelo menos, o nome da pessoa-alvo (não vale para os contatos fugazes com desconhecidos, como nas festas).

E o Facebook – reinando entre as redes sociais – está se tornando a principal fonte; tem, inclusive, a opção de registrar compromissos amorosos no próprio perfil do usuário.

Certamente nem todos os “comprometidos” o informam, mas quem publica algo como “Em relacionamento sério com Fulano/a” está brandindo no dedo uma aliança virtual, está bloqueando paqueras.

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