Saudades do trem Vera Cruz, um transporte que o Brasil despreza e o Primeiro Mundo valoriza, cada vez mais

Provavelmente o trem é o meio de transporte que mais tem evoluído e se valorizado no Primeiro Mundo (EUA, Europa, Japão).

O trem-bala é a tecnologia mais recente.

No Brasil ocorre o contrário: as poucas linhas ainda existentes são precárias e lentas; tornou-se um meio de transporte inexpressivo, insignificante, supérfluo.

O jornal televisivo Bom Dia Brasil fez uma viagem naquele que a reportagem classificou como “o último trem diário de passageiros em funcionamento no Brasil. Foram 13 horas surpreendentes entre Belo Horizonte e Vitória”.

Rodrigo Alvarez, até recentemente correspondente da Globo nos EUA, conta: “Entre Belo Horizonte e Cariacica, no Espírito Santo, vão ser 664 quilômetros. Carregando 57 carros, com a média de 51 km/h, a locomotiva vai levar 13 horas para chegar ao destino. 

Houve um tempo em que o trem era um luxo tão popular no Brasil que levava 100 milhões de passageiros por ano. Era o equivalente dos ônibus ou aviões de hoje em dia. 

Mas isso foi nos século passado, até os anos 60. Hoje, o trem derradeiro – mantido por força de um contrato de privatização com a Vale – leva pouco mais de 900 mil passageiros por ano.”.

Para acesso ao texto e vídeo, cliqueaqui.

Eu tive a oportunidade de usar um ótimo trem que desapareceu, o Vera Cruz, que ligava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.

Fiz duas viagens: a primeira aos 12 anos, final da década de 1960, e a segunda em 1972, ainda menor de idade.

O jornal Estado de Minas fez uma boa reportagem sobre o Vera Cruz em 12/11/2012; começo por extrair dela o relato que o jornalista Otacílio Lage fez sobre sua viagem de 1973, mesma época de minha experiência:

Antes, já havia ido à capital fluminense, mas de ônibus, pela Viação Cometa, da qual os belo-horizontinos, então, eram reféns. Era início de abril e a noite estava fresca. Viajei em um carro de 76 poltronas, nem todas ocupadas. A composição oferecia carro-leito, com cabines individuais, mas o dinheiro era curto para tanto conforto. Tão logo embarquei, fui para o carro-restaurante tomar cerveja e jantar. Havia muitos casais, poucos solteiros, mas deu para entrosar. Por serpentear muito entre as montanhas de Minas e ter de cruzar as serras da Mantiqueira e do Mar, o Vera Cruz gastava 14 horas para fazer a viagem de 640 quilômetros – por rodovia eram, à época, 445, percorridos em sete horas. Confesso que desembarquei na Estação Dom Pedro II, no Rio, meio mareado. Mais tarde, ajudei a noticiar as sucessivas interrupções do Vera Cruz, que em 15 de março de 1990 foi aposentado de vez. Contudo, aquela viagem, em 8 de abril de 1973, ficou para sempre na minha lembrança”.

A reportagem dissecou o destino dos velhos trens, e o resultado é triste: “partes da composição estão hoje em pátios ferroviários de Belo Horizonte, Santos Dumont e Juiz de Fora, ambas cidades na Zona da Mata, com os vidros das janelas quebrados, o assoalho trincado”.

E lembra que “o Vera Cruz partia às sextas-feiras e domingos de Belo Horizonte, da Estação Central, e do Rio de Janeiro, da Central do Brasil, às 20h15. A composição era formada por sete ou oito vagões” e que “a primeira viagem da composição foi em 29 de março de 1950, portanto, exatos 40 anos antes de sua saída de circulação”.

Abaixo estampo uma foto da única viagem que fiz pelo trem Vitória-Minas em 25/10/2004; a curva me permitiu incluir na imagem a parte posterior do trem e a seca paisagem da região leste de Minas Gerais:

trem_vitoria

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Uma resposta to “Saudades do trem Vera Cruz, um transporte que o Brasil despreza e o Primeiro Mundo valoriza, cada vez mais”

  1. Sydney Castro Says:

    O brasil anda sempre na contra mão, deixa as ferrovias e passa para o rodoviário e marítimo, o marítimo se acaba nos portos e fica lá esperando cair algo do céu
    Os sindicatos se metem em tudo e nada fazem ,o governo idem
    E nós cada dia pior nos transportes


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