Barack Obama venceu uma eleição cheia de confrontos ideológicos, mas o voto dos latinos foi decisivo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reelegeu-se em 07/11/2012, numa disputa difícil, em que alguns analistas prenunciaram a sua derrota.

Ele só venceu porque praticamente entregou a administração do país para os secretários-ministros, e viveu o clima eleitoral a cada 24 horas.

E esta foi a eleição mais antagônica, em que os dois candidatos mais se distanciaram em questões ideológicas.

Provavelmente a presença de um mestiço branco-negro no cargo símbolo do poder foi o fator que acirrou espíritos conservadores.

E provavelmente o candidato derrotado, o republicano Mitt Romney, nem é – pessoalmente – um direitista radical: ele e sua assessoria acreditaram que apostar no segmento conservador parecia a melhor estratégia.

Erraram.

O jornal Estado de São Paulo comprou, traduziu e publicou (18/11/12) um artigo (“Mais do que apoiar Obama, latinos votam contra Romney”) do analista de política do Miami Herald, Andres Oppenheimer, que centralizou nos eleitores de origem latina a definição do pleito presidencial.

Afirmou que:

O êxito de Obama entre os latinos na eleição de terça-feira (o democrata obteve os votos de 71% dos eleitores latinos dos EUA, contra 27% de Mitt Romney) indica que, nos próximos anos, nenhum candidato a presidente dos Estados Unidos poderá dar as costas para os hispânicos ou propor medidas amplamente impopulares entre eles, como o republicano fez durante esta campanha.

E que:

O desempenho desastroso de Romney entre os hispânicos, que foi um dos principais fatores que o fizeram perder a eleição, não é de espantar: em temas como imigração, saúde, impostos, educação e controle de armas, ele invariavelmente cerrou fileiras com a extrema direita do Partido Republicano, aliando-se até à ala dos radicais xenófobos, defensores de políticas anti-imigração.

Oppenheimer argumenta que “a economia não apresentou a piora que ele previa e o número de latinos que compareceu às cabines de votação superou suas expectativas”. E acrescenta: “em 2012 os hispânicos atingiram uma participação recorde no eleitorado americano, representando 10% das pessoas aptas a votar”.

E tira suas próprias conclusões: “a grande vitória que Obama obteve entre os latinos deveu-se, em parte, ao fato de que o Partido Republicano deslocou-se tanto para a direita em relação à maioria dos temas abordados durante a campanha, que muitos hispânicos – mais do que votar em Obama – votaram contra Romney”.

É assustador que a política contemporânea se reduza a um jogo de estratégias de marketing, até mesmo no Primeiro Mundo.

Para acesso ao artigo, cliqueaqui.

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