O jornalismo pode estar tingido do vermelho de sangue, rosa de gay, verde-natureza e até marrom de sujo

É muito forte o simbolismo que envolve as cores, por isso elas podem ser usadas em incontáveis metáforas.

Por exemplo, para algumas formas de fazer jornalismo.

O vermelho sempre foi associado ao jornalismo policial, policialesco, ao crime; na época em que seu paradigma era o extinto jornal Notícias Populares, do Grupo Folha, as pessoas gostavam de brincar dizendo que, quando se espremia este tipo de jornal, saía sangue…

Também metaforiza a mídia de esquerda, pela tradicional vinculação do comunismo à cor vermelha.

A imprensa cor-de-rosa seria a imprensa gay; hoje a preferência tonal é pelo arco-íris, que é o conjunto das cores.

O marrom, cor da sujeira, do barro, sempre foi associado ao jornalismo desonesto, voltado para chantagens, para tomar dinheiro; a técnica preferencial é publicar notícias acusatórias e agressivas, em forma de campanha que se interrompe assim que o acusado cede à chantagem, pagando em dinheiro (vivo ou sob a forma disfarçada de publicidade).

Provavelmente qualquer cidade brasileira de médio ou grande porte – ou, pelo menos, a maioria delas – tem pelo menos um jornal que coloca o pé na lama…

Trabalhei na década de 1970 no Jornal de Minas (Belo Horizonte); já naquela época, e até o fim de sua existência, praticava um tipo de jornalismo bem próximo disso.

Lembro-me de um dia em que o dono do jornal deixou uma ordem na redação para que todos os repórteres – independentemente da especialização – levantassem dados ou escrevessem textos para atacar a MBR – Minerações Brasileiras Reunidas.

Pode parecer que a finalidade fosse ecológica – a acusação básica era a dilapidação da Serra do Curral –, mas nós percebíamos claramente que a ecologia era o último dos sentimentos que moviam quem ordenou a campanha.

E se a ecologia fosse a motivação verdadeira dos duros ataques, o jornal se enquadraria na imprensa verde, desconhecida na época, respeitada hoje.

Na atualidade, a internet compete com o tradicional jornalismo impresso; mudam os veículos, mas não muda o comportamento humano.

Sites e blogs refletem as posições ideológicas ou comerciais de seus mantenedores; seguindo pela metáfora, possuem cores, nuances.

Talvez o jornalismo colorido que menos migrou para a grande rede seja o vermelho, certamente porque o extrato social que mais consome morbidez e violência seja o menos integrado à internet.

O rosa (ou arco-íris) e o verde são – virtualmente – bem representados.

E, infelizmente, o marrom também cravou suas garras peçonhentas na nova mídia.

Em Belo Horizonte há um site que pratica o jornalismo marrom; critica pessoas, empresas privadas e órgãos públicos, e depois troca o silêncio por uma compensação financeira.

Chegou a ser fechado pelas autoridades, mas migrou para provedores internacionais, dificultando a reação.

Prefiro não divulgar o nome, não vale os aborrecimentos, pressões e confrontos que podem advir; meu blog se especializou em assuntos variados, esta é a minha escolha editorial.

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