Aécio Neves é um jogador profissional de carteado – pelo menos na metáfora

Quando a mídia informou – primeiro semestre deste 2012 – que o Partido dos Trabalhadores (PT) iria disputar a prefeitura de Belo Horizonte através de Patrus Ananias, cheguei a acreditar na possibilidade de uma derrota eleitoral do senador Aécio Neves.

Patrus Ananias tem um histórico político respeitável, distante do grupo do mensalão, fator ideal para lançar uma candidatura reforçada com o prestígio do presidente Lula, que seria seu maior avalista.

Acreditei que essa estranha e incondicional adoração popular ao ex-operário e ex-sindicalista Luís Inácio Lula da Silva ainda estava no auge de sua força, ainda estava acima do prestígio local de Aécio Neves.

Engano. O atual prefeito, Márcio Lacerda, com o decisivo apoio de Aécio, ganhou em primeiro turno; um vídeo divulgado nos últimos dias da campanha, com duríssimas críticas do candidato a vice-prefeito da própria chapa de Lacerda – e dirigidas a este – passou quase despercebido, virou folclore.

A vitória evidenciou a melhor metáfora para Aécio Neves: um jogador profissional de cartas, que faz seus lances com paciência e esperteza para ganhar mais vezes do que os outros.

Sabe a técnica de estudar os adversários, avaliar suas forças e fazer os lances mais adequados ao momento específico.

Em 2008 articulou com o PT um surpreendente acordo para a eleição vitoriosa do empresário Márcio Lacerda; desfeita a aliança, o atual senador foi o fator da reeleição do prefeito quatro anos depois, impingindo decisiva derrota aos ex-aliados.

Quando, no primeiro semestre deste 2012 o (ainda) vice-prefeito (petista) Roberto Carvalho rompeu com Lacerda e liderou um movimento pela chapa própria para o partido, analistas levantaram a hipótese de que Aécio pretendia aproveitar a chance para eleger Lacerda e fixar-se como líder político supostamente imbatível no Estado, cacifando suas futuras pretensões de nível nacional.

Cheguei a acreditar que estava assumindo um grande risco de derrota quando se evidenciou que o enfrentamento seria com a dupla Patrus-Lula; suspeitei que a qualificação de mito atribuída a Lula pelo imaginário popular penderia o eleitorado para este lado.

Hoje acredito que Aécio identificou – com a indispensável assessoria de personalidades a dedo escolhidas – uma redução do peso do fator Lula.

E entendeu que era o momento da demonstração de força, elegendo em primeiro turno o prefeito da capital.

Cacifou-se mais para as eleições presidenciais de 2014, mas sendo o jogador que aparenta ser, não se importará – caso seja a melhor opção – em voltar ao governo de Minas e esperar, com paciência, outra chance de gritar “bati”.

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