Emissoras de televisão e rádio, com receio da lei eleitoral, dão espaço aos candidatos nanicos ao cargo de prefeito

Virou moda chamar o processo eleitoral brasileiro de festa da democracia; e muitas vezes está mais para festa do que para democracia…

Possui várias distorções, e uma delas merece análise especial: a atenção que os telenoticiários estão dando aos candidatos nanicos ao cargo de prefeito.

A lei geral das eleições é meio genérica, superficial; o artigo 45 determina que “a partir de 1º de Julho do ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário: […] IV – dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação”.

O fato é que, ou para parecerem democráticas, ou evitar demandas judiciais, as emissoras transmitem, nos telejornais, imagens de campanha e entrevistas de candidatos que – aparentemente – não têm nenhuma chance de vencer.

É cômico, soa ridículo, quando ouvimos um desconhecido(a) dizer: “quando vencer as eleições vou reformar a cidade e fazer tais e tais obras em benefício da população pobre”.

No horário eleitoral gratuito o ridículo é o mesmo, mas pelo menos as declarações não se misturam às reportagens sérias, regulares.

Já nos telejornais um candidato sem chance de vencer promete fazer uma obra inviável e cinco segundos depois o telespectador ouve Obama falar de atos e planos que vão afetar todo o planeta.

Em Belo Horizonte, a candidata mais persistente é a professora Vanessa Portugal, que há duas décadas está sempre presente aos pleitos disputando cargos importantes; neste 2012 participa de sua sexta candidatura à prefeitura da capital, sempre pelo PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

A votação é sempre irrisória; os números até que não parecem ser tão ruins, mas correspondem ao de eleitores que tradicionalmente votam nos desconhecidos, nos sem chance.

As pesquisas indicam que esse tipo de eleitor não se identifica com os candidatos; é um voto de protesto, de deslocamento social, deslocamento de cidadania.

E o fenômeno é cíclico e duradouro: Dona Vanessa, que no início da carreira se assemelhava a uma jovem rebelde, já está uma senhora.

A persistência dos partidos nanicos e seus nanicocandidatos não é de explicação difícil: seus múltiplos interesses podem se resumir na palavra negócio, e incluem empregos, acordos, compra e venda de apoios, além de disputas classistas e sindicais.

A ideologia vem a reboque.

E retornando ao noticiário das campanhas via televisão, em Belo Horizonte as emissoras de televisão dividem a reportagem eleitoral por sete candidatos, dois com chance real de vitória e cinco nanicos.

A dificuldade maior dos editores de tevê ocorre em São Paulo: são 12 candidatos a prefeito, metade deles políticos com prestígio, mas a outra metade sem perspectiva, sem voto, sem projeto; os departamentos jurídicos das emissoras são constantemente acionados para orientar a redução do espaço destinado aos nanicos sem o risco de condenações judiciais.

Deixando de lado a questão dos interesses escusos, a disputa de espaço na mídia – e a tentativa de sensibilizar a massa eleitoral – por parte dos candidatos de baixos índices nas pesquisas resulta quase sempre inútil.

O processo eleitoral brasileiro já se cristalizou, é uma rotina bienal, não produz surpresas gritantes.

Quem entra nanico chega a, no máximo, nanico e meio…

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