Alexandre Garcia duvida da capacidade brasileira de resolver o problema da ocupação ilegal das margens das estradas brasileiras

Em 02/09/12 publiquei no meu blog original (http://marcio.avila.blog.uol.com.br/) um texto sobre a questão aventada no título, mas depois descobri que no ano anterior eu havia escrito outro, não publicado e esquecido na pasta virtual do Windows.

O tema era o mesmo, mas o gancho foi um editorial curto, formato para televisão, do jornalista Alexandre Garcia, datado de 16/05/2011.

A minha argumentação foi semelhante à do texto mais recente, mas ainda assim opto por publicar, abaixo, o original (reconheço um sentimento egoístico de não perder o tempo e o trabalho despendidos naquela oportunidade).

E segue o meu texto, que inclui a transcrição do comentário-editorial de Alexandre Garcia (mudo apenas a fonte dos caracteres para identificar melhor o novo/velho texto):

A construção de casas irregulares à margem das rodovias brasileiras é um problema cíclico e aparentemente insolúvel: invasores são desapropriados ou expulsos de uma delas enquanto outros chegam a outra. 

Só muda o local. 

E as consequências alimentam as estatísticas dos acidentes e dos atropelamentos com morte, diariamente retratados no noticiário midiático. 

É fácil entender a múltipla motivação dos invasores, resumível em localização e custo, por facilidade de acesso a fontes de dinheiro e terrenos públicos. 

E o Tesouro Nacional, além de pagar para construir, paga para expulsar, paga para indenizar e paga para reformar. Ou para construir desvios de estradas que algum dia vão reiniciar o ciclo. 

O Estado não tem eficiência para cortar o mal pela raiz, expulsando os invasores assim que cheguem, antes de levantarem as paredes, antes de se organizarem socialmente. 

E se cala quando a mídia abre microfones para os que choram seus mortos, ou pedem novas casas, ou se proclamam injustiçados. 

Em 16/05/2011 o jornalista Alexandre Garcia abordou o assunto num editorial veiculado no telejornalístico Bom Dia Brasil, que transcrevo abaixo: 

“A origem do problema está na ocupação desordenada do solo, no crescimento de qualquer jeito. As estradas federais foram construídas e, depois, nas margens, de forma espontânea, fizeram casa, comércio e escola. Aí a estrada ficou uma barreira entre um lado e outro. O resultado esta aí. As estatísticas mostram 1.550 mortes em 2010 só nas estradas federais, e 5.046 atropelamentos, a maior parte com sequelas que ficam para sempre. 

Dá 14 por dia. São números parecidos com os desastrados bombardeios da Otan sobre a Líbia, mas poder ser o dobro. Como as estatísticas sobre o trânsito sempre ficaram abaixo da realidade, não seria irreal imaginar uns dez mil atropelamentos por ano nas BRs. A maior parte no fim da tarde e início da manhã, porque há veículos de farol apagado nesse horários e não são vistos por pedestre, nem por outros motoristas. 

Não dá para tirar agora as pessoas das margens das estradas. E vai ser complicadíssimo mudar as estradas. Aí aparece essa solução barata da barreira eletrônica, que está emperrada por licitações. 

Existe a solução da passarela, mas o pedestre tem que subir escadas, e a lei do menor esforço conduz os pedestre a passarem pelo mesmo nível. Especialistas em trânsito dizem que o ideal é a estrada mergulhar e o pedestre passar pelo mesmo nível, já que a pessoa tem prioridade sobre o veículo, mas isso ficaria muito caro para um país com muito imposto, e onde o imposto escorrega pelo ralo.”

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