João Ubaldo Ribeiro critica e goza o mau uso da língua portuguesa

O baiano João Ubaldo Ribeiro é, para mim, o melhor escritor brasileiro vivo; pelo menos no sentido mais comum da palavra escritor, aquele que escreve ficção, romances, artigos e crônicas.

Em 2007 (22/4) ele publicou no seu veículo semanal, o jornal O Estado de São Paulo, uma crônica sobre o mau uso da língua portuguesa; não achei muita graça no título “A decadentização da língua”, mas ele tem merecidos direitos de propriedade…

São tantos tópicos interessantes que decidi republicá-los em pílulas, para intervalar meus textos deste blog (que são razoavelmente grandes, pelo menos para o padrão da internet atual).

E Ubaldo sempre adiciona uma pitada de humor, tornando a leitura mais agradável.

Abro com o primeiro tópico da coluna, em que ele relata o empobrecimento da língua e acha que “daqui a pouco, estaremos falando um dialeto primitivo de umas 300 palavras para as pessoas cultas e umas 25 para a maioria”.

Dou a palavra ao João, que atira a primeira pedra:

Começa-se, é claro, com as chamadas ‘palavras-ônibus’. Servem para tudo e, em português brasileiro, as mais comuns atualmente são ‘maravilha’ e seus derivados, ‘super’, ‘parada’ e ‘valeu’, que, com alguns acréscimos, podem constituir toda uma conversação. 

– Eu super me dei bem naquela parada – diz o primeiro. 

– Ah, aquilo sempre foi uma maravilha – responde o segundo. 

– Ah, supervaleu! – despede-se o primeiro.

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