Psiquiatra garante que muitos torturadores dos anos 1970 eram psicopatas e outros roubavam das vítimas

A presidente da República Federativa do Brasil e ex-guerrilheira Dilma Rousseff criou a Comissão da Verdade para reinstalar na agenda pública a questão das torturas aos militantes esquerdistas durante a ditadura militar (anos próximos a 1970).

Ainda não conseguiu sensibilizar a mídia, mas eu aproveito o gancho para extrair dois trechos de uma entrevista do psiquiatra e também ex-guerrilheiro Reinaldo Morano Filho ao caderno Aliás, d’O Estado de São Paulo, edição de 19/05/2012.

O primeiro trecho exemplifica uma situação que apareceu, com frequência, em relatos de presos políticos: o uso deturpado do “patriotismo” para ocultar de roubos perpetrados por agentes públicos:

Eu mesmo tenho coisas que gostaria de tornar públicas. Fala-se pouco dos furtos cometidos por agentes da repressão na época. Obras de arte, objetos pessoais, etc. Eu tinha um fusquinha 1967, adquirido com meu salário de funcionário do Banco do Brasil. Comprei da mãe de um colega do curso de medicina. Quando fui preso, dia 15 de agosto de 1970, o levaram. Anos mais tarde, acho em um arquivo de Campinas uma série de documentos: primeiro, um auto de apreensão do Fusca, datado de 16 de abril de 1971, quase um ano depois. Então, um encaminhamento do juiz auditor alegando que o veículo fora adquirido ‘com dinheiro da organização terrorista’. Em seguida, o mais fantástico: o carro foi transferido para o delegado Renato D’Andrea, citado em todas as listas de torturadores.”.

E o segundo trecho lembra outra situação comum em relatos de presos políticos: agentes com sinais de depravação mental, psicopatas mesmo, que se aproveitaram da posição indefesa dos esquerdistas para dar vazão aos instintos criminosos:

A (psicanalista e membro da CV) Maria Rita Kehl usou uma expressão para ser referir a isso: gozo, um termo lacaniano. Eu chamo de prazer mesmo. Um prazer sádico, do poderoso que é dono da situação diante de alguém desamparado. Esse sadismo se manifesta às vezes de forma sexualizada. Por isso, a quantidade de estupros e abusos.”.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista, cliqueaqui.

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