O PT se beneficiou de três mitos: operariado, índios e sem-terras

A sociedade humana não vive, nem progride, sem a produção de bens, necessários da subsistência ao desenvolvimento.

A agropecuária supre a alimentação humana desde que algo parecido com civilização se instalou.

E nos últimos dois a três séculos a indústria se tornou a grande fonte de produção de outros bens de consumo.

Ambos utilizavam uma mão de obra numericamente extensa, o que vem se revertendo com o advento das novas tecnologias baseadas em automação e maquinário avançado.

No século 20 ainda predominou a mão de obra farta, valorizando as classes trabalhadoras e até criando mitos que se tornaram a retórica e a bandeira de alguns partidos políticos, como foi o caso do PT, que hoje domina a alta administração nacional.

Encontrei um bom texto sobre os mitos relacionados ao PT, escrito em 2008 pelo filósofo José de Souza Martins, publicado em O Estado de São Paulo, edição de 17/05/12.

Para o autor, “a formação do PT se deu baseada em três mitos de origem, no sentido quase antropológico da definição. Um desses mitos se refere à indústria e ao mundo moderno e político e dois deles se referem à terra e ao mundo tradicional e pré-político”.

Extraí os trechos abaixo de sua descrição dos três mitos:

O primeiro mito é o do novo sindicalismo que, liberto do peleguismo varguista, daria à classe operária uma pureza política que lhe fora tolhida por manipulações do próprio Estado. Na verdade, o novo sindicalismo pouco difere do velho. Os dirigentes sindicais, libertos do Estado que os cavalgava, passaram a cavalgar por conta própria. A figura carismática desse mito é, sem dúvida, Lula. O mito do novo sindicalismo deu mais projeção ao PT lá fora do que aqui dentro, sobretudo porque acalmou as potências e o grande capital internacional quanto a essa nova lógica nas relações entre as classes sociais, oposta à da concepção comunista. 

O segundo mito foi o dos povos da floresta, convergência mítica de índios e seringueiros no restabelecimento imaginário do Éden. […] A figura carismática desse segundo mito de origem foi, sem dúvida, Chico Mendes, o suave ser humano assassinado quando estava sob proteção da polícia e do Estado. Também nesse caso, o mito produziu mais admiração lá fora do que aqui dentro […] 

O terceiro mito de origem do PT é o relativo ao sem-terra, mito em oposição aos teóricos marxistas da história, que negam ao campesinato um lugar no progresso social e político das sociedades contemporâneas. O MST e a Pastoral da Terra levantaram-se valorosamente contra o pensamento de esquerda e transformaram o lúmpen, como o definia um dos dirigentes do MST, em personagem do processo político, capaz de colocar a reforma agrária na agenda do Estado. E a colocou.”.

Na segunda metade do artigo, Martins se debruça sobre a questão agrária: o enfraquecimento político do campesinato, seu uso político pelo PT e o crescimento do agronegócio em detrimento da agropecuária tradicional.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

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