Quando Xuxa afirma que sofreu vários abusos sexuais na infância, por homens diferentes, torna-se necessária uma reflexão sobre o machismo

Em um ato de grande coragem, Xuxa – a apresentadora – abriu seu coração e contou ter sido sexualmente abusada na infância.

Certamente haverá quem – e são muitos – acredite que a entrevista não passou de um golpe publicitário.

Não há como negar que tal possibilidade existe; Xuxa estaria longe de ser o primeiro profissional da mídia de entretenimento a abusar do impacto para atrair audiência.

Mas as confissões são tão fortes, tão íntimas, que minha tendência pessoal é acreditar na sinceridade; talvez tenha sido uma espécie de catarse, uma forma de expor traumas do passado para melhor conviver com eles.

E a entrevista foi no Fantástico, programa de grande penetração; foi o destaque de 20/05/2012.

Tocou no assunto, inicialmente, de forma meio nebulosa, genérica: “Pelo fato de eu ser muito grande, chamar a atenção, eu fui abusada, então eu sei o que é. Eu sei o que uma criança sente. A gente sente vergonha, a gente não quer falar sobre isso.”.

Depois adicionou detalhes, mas ainda sob névoas: “Eu não me lembro direito porque eu era muito nova, eu me lembro do cheiro. Tinha cheiro de álcool, tinha cheiro de alguma coisa e eu não sei quem foi. E depois aconteceram muitas vezes. Parou aos 13 anos, quando eu consegui fugir.”.

Não citou nomes, mas deu pistas em pelo menos dois casos: “uma das vezes que aconteceu foi com o melhor amigo dele, que queria ser meu padrinho. Eu não podia falar pra minha mãe, porque uma das vezes também foi com um cara que ia casar com a minha avó, mãe dela”.

E mais pistas, mais casos: “Professores. Um professor chegou pra mim e disse: ‘Não adianta você falar porque entre a palavra de um professor e de um aluno eles vão acreditar no professor, não no aluno.’”.

Uma sucessão de casos na infância; alguém chamaria este blogueiro – pré-candidato a analista comportamental – de machista, se ele levantasse a hipótese de aquela criança, dotada de uma imaturidade natural à idade, ter confundido carinho, ou palavras paternalistas, com tentativa de abuso sexual (em um ou mais casos)?

Mas a falta de detalhamento dos alegados abusos tira parte da força da matéria: entende-se a resistência dela para entrar em detalhes – pela sua condição de vítima – mas eles são indispensáveis para o espectador definir a gravidade das ocorrências.

Xuxa aproveitou a catarse para deixar mal o ex-namorado Pelé: “E ele foi uma pessoa muito importante pra mim, eu gostei muito dele. Aprendi muita coisa boa, muita coisa ruim.”. Começa com elogio, mas inverte o conceito quando usa o advérbio ruim.

E não poupou o próprio pai, a quem definiu como “uma pessoa militar, distante, a gente tinha que chamar de Seu Meneghel. A gente nunca falava ‘pai’”.

Mas não tocou na relação desfeita com o ator Luciano Szafir, pai de sua filha (única) Sasha; certamente combinou antecipadamente com a equipe do programa a exclusão do tema.

Só queria acertar as contas com o passado.

Particularmente, o que me impressionou foi o conjunto, a citação de vários casos de abusos, em momentos diferentes, por homens diferentes.

Afinal, um só já seria suficiente para denegrir a classe masculina.

Se ela não mentiu ou exagerou – o que seria deplorável –, uma sequência tão grande de abusos é um sério indício de uma deturpação social, da constatação de que a sociedade brasileira põe em risco permanente as suas crianças.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

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