Gerente do MacDonalds no RS engorda 30 quilos com a Mac-comida e diz que era exigência da empresa

Na última década do século 20, quando fiz minha primeira viagem aos Estados Unidos, fiquei chocado com a obesidade do povo norte-americano.

No SeaWorld, parque de Orlando (Florida) tematizado no mundo marinho, gravei na memória a cena de uma mulher quarentona, claramente nativa do país, que estava na fila do caixa da lanchonete, logo à minha frente.

Obesa – ainda que abaixo das faixas dramáticas da escala –, prendia uma torta doce (embalada em plástico, reconheço) no sovaco esquerdo ao mesmo tempo em que segurava um copo de 700 mililitros de refrigerante com a mão esquerda; com a mão direita segurava um hambúrguer atolado em batatas fritas, e com os dedos manuseava o dinheiro.

E durante o acerto com o caixa virava a cabeça para o lado esquerdo para sorver o refrigerante pelo canudinho.

Mais triste era o caso dos inúmeros obesos que, com sérias dificuldades de locomoção, passeavam pelo parque em carrinhos motorizados.

O MacDonalds é o símbolo da má alimentação e da obesidade daquele povo; a abundância de gorduras e açúcares usada nos seus alimentos lança para as alturas a quantidade de calorias ingeridas, que acabam acumuladas no abdome, culote, seios, papadas.

Publicações do tipo Mundo Bizarro se esbaldaram com o caso de um ex-gerente de uma de suas franquias no Rio Grande do Sul, que ganhou uma indenização de R$ 30 mil por ter engordado mais de 30 quilos por culpa da empresa. Segundo a matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 28/10/2010, “conforme o Desembargador João Ghisleni Filho, relator do acórdão, as provas indicaram que o ex-gerente era obrigado a degustar produtos da lanchonete – alimentos calóricos, como hambúrguer, batata frita, refrigerante e sorvetes”.

Há algum tempo li um texto sobre a história do sucesso empresarial do MacDonalds: o maior crédito se deveu à ousadia de um executivo que defendia, há coisa de meio século atrás, a vendagem de maiores quantidades de refrigerante como incentivo para o comilão.

Argumentava que vender dois copos de refrigerante com 250 ml a 1 dólar cada (estou inventando o exemplo, obviamente) pode até parecer mais lucrativo do que vender um copo de 500 ml a 1 dólar e 20 centavos, mas a primeira opção dava trabalho e ainda causava alguma “vergonha” ao usuário, enquanto a segunda incentivava a comilança. Estava certo.

Hoje o copo padrão – que eles chamam de pequeno, small – cabe meio litro; algumas redes como o Burger King, maior concorrente do MacDonalds, permitem que o freguês encha o copo quantas vezes quiser (refil free).

O copão de refrigerante é o atual alvo do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg; segundo matéria do Bom Dia Brasil, telejornalístico da TV Globo, edição de 01/06/2012, “no próximo dia 12, a prefeitura de Nova York vai submeter ao Conselho de Saúde da Cidade a polêmica proposta de proibir a venda, em restaurantes e lanchonetes, de copos de refrigerantes com mais de 473 mililitros. Na medida americana, são 16 onças. É o tamanho pequeno nos Estados Unidos, mas quase todas as empresas de fast food oferecem, com desconto, como acompanhamento de hamburguers e cachorros quentes, um copo bem maior, de 700 mililitros, que será proibido se a proposta for aprovada”.

A princípio, pode parecer estranho o envolvimento do próprio prefeito numa questão como o tamanho do copo que, afinal, é apenas um recipiente que pode ser enchido pelo freguês quantas vezes quiser.

Mas Bloomberg quer atuar no mesmo alvo do velho executivo do MacDonalds: o estímulo psicológico irracional da população.

Ambos perceberam que o fator psicológico pode ter mais influência do que os fatores objetivos, racionais.

Para acesso à matéria sobre o gerente que inchou, cliqueaqui.

E para acesso a matéria sobre o fim do copão de Nova York, cliqueaqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: