Os antigos pousos para tropeiros eram essenciais para garantir o transporte de mercadorias para as pequenas cidades do interior

Os caminhões são os principais transportadores de mercadorias dos tempos contemporâneos; graças a eles a população recebe os produtos indispensáveis à alimentação, vestuário, trabalho e lazer.

No passado não tão distante este papel era representado pelos tropeiros, que faziam um trabalho bem mais árduo do que os sucessores motorizados.

As mercadorias eram transportadas de cidade para cidade no lombo de burros, sob intempéries, em caminhos cansativos e perigosos.

Era a única forma que nossos antepassados possuíam para receber os produtos de subsistência, e nas pequenas cidades e vilas o sistema perdurou até meados do século 20. Meados, repito.

E o perigo de assaltos que hoje ronda o caminhoneiro já existia: um velho vizinho recentemente falecido contou que foi tropeiro até madura idade e acrescentou que, naqueles tempos e em certos lugares, a justiça se fazia à margem do Estado.

Contou o caso de dois rapazes que furtaram o dinheiro que estava na sela de uma mula mais afastada do lote mas acabaram descobertos.

Boletim de ocorrência? Queixa na delegacia? Denúncia anônima? Na região de Medina, cidade mineira, a realidade era bem mais objetiva, e mais crua: foram executados na beira de um riacho.

Como os caminhoneiros dependem dos postos de parada, os tropeiros também dependiam de pontos de apoio que, muitas vezes, montaram estruturas profissionalizadas.

Esta era uma fonte de renda adicional do coronel Juca Cândido, dono de uma fazenda no distrito de Milho Verde, município do Serro, a 312 quilômetros da capital Belo Horizonte.

Seu filho Herth Terezinho Alves, que completou 85 anos em 07/06/2012 (Parabéns!), gravou uma entrevista em 2005 (disponível no YouTube) relatando que o pai instalou um pouso para tropeiros e alugava o pasto onde os animais passavam a noite ou mesmo descansavam de dia, quando necessário.

Extraí da entrevista esta descrição: “Ele cobrava 200 ou 300 réis por cabeça e as mercadorias mais comuns que eram levadas para Diamantina eram queijo, café e toucinho. E voltavam de Diamantina fazendo carreto para as lojas do Serro com querosene, sal, sabão. Vinham da região da mata: Sabinópolis, Guanhães, Itabira. Eram cinco, seis lotes por dia.”.

Os herdeiros do coronel administram o Hotel Rancho Velho e as terras estão hoje nas mãos de Herth e de seu irmão mais velho Zezé.

Assim era a vida de nossos antepassados, seja como consumidores, seja como parte desta cadeia econômica.

Os costumes mudaram com tanta rapidez que as pessoas típicas das grandes cidades só sabem da importância – ou até mesmo da existência – dos tropeiros por algum vínculo familiar ou por estudos de História.

Mas qualquer enquete informal vai indicar que a maioria de seus avós e bisavós vieram de pequenas cidades e vilas que dependiam de tal forma de transporte, e as hoje pequenas e históricas Serro, Diamantina, Conceição do Mato Dentro e Ouro Preto, com o auxílio de algumas outras, formam a base da população da capital Belo Horizonte.

Para acesso ao vídeo da entrevista, cliqueaqui.

Capturei a imagem abaixo de Herth dando a citada entrevista:

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3 Respostas to “Os antigos pousos para tropeiros eram essenciais para garantir o transporte de mercadorias para as pequenas cidades do interior”

  1. Débora Says:

    Olá meu nome é Débora sou neta de Wasty Maria Alves, irmã de Herth. Quero estudar sobre a história da minha familia. Vc tem mais artigos sobre? Ficou agradecida se puder me contar um pouco mais sobre meus antepassados. Abraços

    • Márcio (blogueiro acima) Says:

      Débora, saudações de seu parente. Dª Wasti era prima do meu avô Francisco Nominato (em 1º grau), mas provavelmente bem mais nova do que ele. Estou fazendo a árvore genealógica da família e publico as informações no site http://www.geneaminas.com.br, ao qual sugiro que você acesse. O link para a página de sua avó é http://geneaminas.com.br/genealogia-mineira/pessoas/96/4296-Wasti-Maria-Alves.html. Não tenho outras informações sobre ela, gostaria que você me enviasse ou então se cadastrasse e fizesse os lançamentos. Os dados requeridos são datas de nascimento e morte, nome e outros dados de marido, filhos, netos. Muitos parentes estão se encontrando e se conhecendo desta forma.
      No ano passado estive com o Zezé, irmão do Hertinho, em Milho Verde. Infelizmente estava muito envelhecido. Você é filha da Stelinha? Me informaram que a Stelinha poderia me fornecer algumas informações.

    • Márcio (blogueiro acima) Says:

      Uma correção: estive com o Totó, não com o Zezé.


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