Um ato de desrespeito e de desprezo à propriedade alheia: colar ou pregar material de propaganda sem autorização

Na década de 1980 comprei meu segundo carro: um Fiat 147, usado, fabricado em 1978, modelo popular da fábrica italiana recém-instalada em Betim, na região metropolitana de minha Belo Horizonte.

Algum tempo depois recebi pela caixa de correio uma propaganda com um plano de revisão barato, enviado pela Cobrasa, a maior ou única concessionária da fábrica em Belo Horizonte.

Jovem ainda, pouco vivido, acreditei que era a oportunidade de fazer uma boa revisão no carro, segura e barata (o preço anunciado no prospecto era convidativo).

O carro voltou com um monte de itens cobrados à parte, uma marca de colisão que não existia antes, e uma placa de propaganda da própria concessionária (a lataria foi furada para a colocação de parafusos).

Mandei uma carta de reclamação, de duas páginas, para a Fiat e para a concessionária.

Jamais foram respondidas e a concessionária ainda incluiu meu nome no cadastro para propostas de negócios; posteriormente me telefonaram e, quando informei que não mais negociaria com eles, o vendedor deu um showzinho engana-trouxa: gritou para um suposto alguém ao lado que eu estava prestando uma queixa formal contra, nada mais nada menos, o recepcionista que registrou a entrada do meu carro.

Parece que a Cobrasa não existe mais; já vi este nome ligado a uma empresa de outro ramo.

Focando na questão da plaqueta publicitária que furou minha lataria, observo que casos semelhantes fazem parte do cotidiano do brasileiro.

Me lembrei do velho caso ao encontrar um adesivo de propaganda no interfone de minha casa, com o nome e telefone de um especialista em consertar este tipo de aparelho.

Tentei arrancar a unha e não tive sucesso; concluí que o “especialista” deve ter feito uma bela pesquisa de mercado para conseguir um adesivo difícil de ser arrancado, que gruda com força.

E certamente jamais passou pela cabeça dele, ou de quem mais comete irregularidade assemelhada, pedir autorização para estragar uma propriedade alheia.

Infelizmente é da índole dos brasileiros não aceitar a culpa quando precisam explicar casos como este, e usam subterfúgios como o “prejuízo meramente estético”. Os mais surrealistas são até capazes de acreditar que estejam fazendo um favor ao dono do automóvel, da casa ou de qualquer propriedade usada com a mesma finalidade, pois o “prejudicado” estaria ajudando um ser humano a lutar pelo seu trabalho, pelo seu ganha-pão.

A negação da responsabilidade por um pequeno delito abre o caminho para o delito maior: encontrar subterfúgios, desculpas, ou explicações decorrentes de interpretação pessoal, é sempre fácil. São só palavras.

A continuar assim, a palavra furto pode desaparecer no futuro; o único sinônimo que vai sobrar nos dicionários e no código penal é o roubo, que é um crime óbvio, por causa da mão armada.

Até porque, se este crime for legalizado, a sociedade vai se auto-explodir, pois não haveria mais um futuro viável.

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