Alguns autores estão publicando livros virtuais mal editados (culpa do custo zero?)

O regime militar brasileiro (1964-85) foi muito marcado, entre outros atos ditatoriais, pela censura à imprensa: havia censores oficiais trabalhando dentro das redações de jornais, como também havia a obrigatoriedade de enviar uma cópia do livro ou filme para análise (com risco de proibição), antes da distribuição.

Isto sem falar no direito de recolher alguma obra já publicada.

A consequência era a insegurança do produtor cultural, tanto do criador (escritores, poetas, diretores de cinema) quanto do investidor financeiro (editores de livros, produtores de filmes, donos de empresas de mídia, patrocinadores).

Apesar do clima desfavorável à produção cultural, existia a crença de que escritores e jornalistas não conseguiam conter o ímpeto criativo e suas gavetas estavam abarrotadas de material pronto para divulgação quando houvesse a distensão do regime.

Não foi o que se viu depois; a verdade é que a maioria das pessoas não gosta de escrever só para si, para guardar, ou para uma publicação incerta, duvidosa.

Preferem escrever apenas quando já existe um veículo de publicação em mente, previamente destinado.

E publicar em tempos pré-internet era caro; no caso dos livros, era indispensável a intermediação de uma editora, com todo o seu componente empresarial e industrial.

A internet mudou o sistema, pois permite a publicação de textos, e até mesmo livros amadores (sem perspectiva de lucro e vendagem) a custo baixo, praticamente zero.

Seus primeiros formatos exigiam a interveniência de programadores, mas até isso acabou principalmente por causa da criação do sistema de blogs e, mais recentemente, pela possibilidade de mimetizar os velhos livros através do formato PDF, criado pelo programa Adobe Acrobat.

Na fase de preparação, com um pouco de domínio do editor de textos Word é possível criar livros graficamente semelhantes aos tradicionais, impressos no papel.

Como toda novidade cultural, são conhecidos pelo nome inglês, são os e-books.

Mas, como em qualquer criação humana, a popularização e o barateamento facilitam a produção de baixa qualidade: alguns textos e e-books são meros ajuntamentos de letras, de ideias mal concatenadas, ou sem um mínimo de qualidade gráfica que cative o leitor.

Outra consequência é o descuido com a qualidade do texto e com a revisão.

O elevado custo da publicação impressa funcionava como filtro, obrigando criadores e financiadores a exigir rigor na busca da qualidade; a ausência deste fator permite a distribuição virtual (via internet) de material inexpressivo, descartável; ou simplesmente mal revisado, incompleto.

Um fenômeno observável até entre profissionais da escrita, que talvez optaram pela divulgação apenas para não perder o tempo dispendido na elaboração de algo que pode ter sido importante no momento da criação, mas que na sequência já não tinha mais o mesmo interesse do autor.

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