O sociólogo e cientista político Sérgio Abranches diz que a relação entre Dilma e militares é de tensão constante

No início de março/2012 a presidente Dilma Rousseff aplicou a insossa pena de advertência aos militares que assinaram manifestos elaborados por clubes (também militares), nos quais ela é criticada por não ter censurado ministras que pediram a revogação da lei de anistia.

A classe que governou o país de forma ditatorial entre 1964 e 85 guarda uma relação de tensão permanente com os governos civis, e democraticamente eleitos, que se sucederam.

O sociólogo e cientista político Sérgio Abranches publicou no jornal virtual gaúcho Sul21 um longo e aplaudível artigo intitulado “A crise militar do governo Dilma”, que prioriza os confrontos com o poder executivo federal desde a transformação dos ministérios militares em Ministério da Defesa.

Opina que “Fernando Henrique acertou na criação do ministério da Defesa como parte importante do processo de estabelecimento da hegemonia civil no governo do estado democrático de direito. Mas errou na escolha dos ministros e ao admitir o esvaziamento da autoridade do ministro civil pelos militares. Ministros fracos e más escolhas originais contribuíram para dar fôlego longo à insubordinação dos militares.”.

Para o sociólogo, o cerne da questão é que “o problema dos desaparecidos e torturados permaneceria como o fio da navalha, ou do sabre, no caso, sempre ameaçando a autoridade civil com o veto militar”.

Historiando confrontos, relembra que, durante o governo Lula, o diplomata e ministro da defesa José Viegas não se calou quando o comandante do Exército, teoricamente seu subordinado, emitiu uma nota sobre tema semelhante; sem o suficiente apoio do presidente, demitiu-se e disse “com todas as letras que havia sido desautorizado e que permanecia o veto inaceitável dos militares à plena elucidação dos atentados aos direitos humanos durante a ditadura”.

Afirmou que a nota “representa a persistência de um pensamento autoritário, ligado aos remanescentes da velha e anacrônica doutrina da segurança nacional, incompatível com a vigência plena da democracia e com o desenvolvimento do Brasil no Século XXI”.

Abranches acrescenta que Viegas “insistiu na crítica ao pensamento autoritário persistente entre os militares“ e transcreve as palavras do então ex-ministro: “é incrível que a nota original se refira, no Século XXI, a ‘movimento subversivo’ e a ‘movimento comunista internacional’. É inaceitável que a nota use incorretamente o nome do Ministério da Defesa em uma tentativa de negar ou justificar mortes como a de Vladimir Herzog. É também inaceitável, a meu ver, que se apresente o Exército como uma instituição que não precise efetuar ‘qualquer mudança de posicionamento e de convicções em relação ao que aconteceu naquele período histórico”.

O autor do artigo só não se aprofundou no fato concreto de que Madame Rousseff jamais será plenamente aceita pela categoria, por ser a(o) única(o) chefe da nação que pegou em armas contra o regime militar.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

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