Uma técnica jornalística de credibilidade duvidosa: relatar os fatos como se os houvesse presenciado

O jornal O Estado de São Paulo há décadas é classificado como conservador.

No plano jornalístico, ser conservador quer dizer: segue as técnicas e regras consagradas, prescritas pelos principais teóricos e pelos manuais.

Conservador que se preze só adota inovações quando elas são de uso corrente, deixam de ser novidade.

E, de fato, esta é a base editorial do Estadão.

Tenho observado uma curiosa exceção na editoria de política, e sempre em matérias assinadas pela repórter Vera Rosa (a quem não conheço, de quem nada sei).

Ela tem o hábito de contar, em detalhes, acontecimentos que certamente não presenciou, pois narra fatos e diálogos ocorridos reservadamente.

Mas não cita a fonte da informação, narra como se fosse uma escritora do tipo que os professores de linguística chamariam de onisciente.

Um claro exemplo é a matéria “Broncas em público, rotina do Planalto”, publicada na edição de 29/01/2012, narrando duras atitudes da presidente Dilma Rousseff com os ministros.

Destaco os trechos abaixo (não sequenciais), bem representativos do estilo:

“”Seu” Fernando levou bronca até no último dia de trabalho. Na segunda-feira, véspera de desocupar o gabinete em que deu expediente por quase sete anos, ele ficou sabendo que a chefe tinha um ressentimento guardado na geladeira. “Não pense que eu esqueci que o senhor ia direto falar com Lula, viu seu Fernando?”, disse a presidente Dilma Rousseff ao pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. 

[…] 

“Quando a Gleisi ligar para vocês, sou eu que estou ligando. Não adianta vocês tentarem mandar algum projeto direto para mim, sem crivo técnico, porque vou devolver”, avisou. 

[…] 

O recado era para Miriam Belchior, ministra do Planejamento, que vira e mexe é chamada às falas por causa da lentidão do PAC. 

[…] 

Para se precaver, [o ministro Guido Mantega, da Fazenda] envia todo dia para Dilma, por e-mail criptografado, dois boletins com informações sobre o cenário econômico no Brasil e no mundo. 

[…] 

“Você é muito conservador” ou “Se não sabe responder isso, deveria deixar de ser ministro” são expressões usadas com frequência pela presidente. Ela faz críticas duras e fala tudo “na lata”, sem rodeios. 

Para conferir dados e cobrar explicações, Dilma tem mania de pedir ligações urgentes para ministérios, durante as reuniões. “A presidente acha que quem entende do assunto tratado naquela hora nunca está na frente dela”, diz um auxiliar, em tom de ironia.”.

Se a repórter não implantou um chip (ou um microfone) debaixo da pele de Dona Dilma, fica difícil acreditar que tudo isso realmente aconteceu…

Para acesso ao inteiro teor do artigo, cliqueaqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: