Uma análise pessimista sobre a política brasileira: “Os escândalos são inevitáveis, pois os ocupantes de cargos públicos importantes são oriundos da classe política”

Não me recordo de outra sequência de escândalos e quedas de ministros semelhante a esta que lançou holofotes e manchetes sobre o primeiro ano do governo Dilma Rousseff.

Segue a lista dos demitidos, apenas para historiar: Antônio Palocci (Casa Civil), 7 de junho; Alfredo Nascimento (Transportes), 6 de julho; Nelson Jobim (Defesa), 4 de agosto; Wagner Rossi (Agricultura), 18 de agosto; Pedro Novais (Turismo), 14 de setembro; Orlando Silva (Esportes), 26 de outubro; e Carlos Lupi (Trabalho), 4 de dezembro.

Nelson Jobim era o único que não estava envolvido em acusações de corrupção na sua área de atuação: apenas chamou a ministra Ideli Salvatti de “fraquinha”.

O mais recente já ganhou o troféu de Mais Patético: em sessão da Câmara dos Deputados, 10/11/2011, “Lupi pediu desculpas públicas por ter declarado que só sairia do ministério ‘abatido a bala’ e disse amar a presidente Dilma Rousseff. ‘Presidente Dilma, desculpe se fui agressivo, não foi minha intenção: eu te amo.’” (trecho extraído da Folha de São Paulo).

De quebra, criou outro constrangimento para Madame Rousseff: o envolvimento do partido político do coração dela, de suas origens, que é o brizolista PDT.

Uma informação para quem não leu o suficiente, ou ainda acredita na propalada coerência de raízes do Partido dos Trabalhadores: Dilma Rousseff era membro do PDT desde a fundação e só passou para o PT em 2000, após indisposição com um grupo de Porto Alegre.

Mas não há como culpar a própria presidente pelas nomeações dos ministros demitidos: a distribuição de cargos aos partidos aliados é inevitável, não há outra forma de governar este complexo Brasil.

Um amigo que trafega pela área política, conhecedor dos seus meandros, diz que os escândalos são previsíveis e inevitáveis, pois os nomeados para cargos públicos são extraídos da classe política.

E que a classe política é isso que se vê…

Se as consequências são previsíveis e inevitáveis, e se o sistema não deve ser alterado (já que as outras opções de organização social testadas no passado tiveram ainda pior desempenho), resta-nos apenas torcer pela eficiência dos órgãos fiscalizadores (inclusive a mídia) para fazer a depuração, ainda que em longo prazo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: