Aprovação de aluno ruim (Escola Pagou-Passou) tem consequências danosas para a sociedade

A geração de meus avós, e até mesmo a dos meus pais, mal e mal teve acesso à universidade; aquilo era algo especial, para poucos, para os eleitos.

A grande mudança aconteceu no Regime Militar, mais especificamente sob a batuta do ministro da educação, Jarbas Passarinho (que está discreto, longe dos noticiários, certamente retraído por limitação da idade, já que completa 92 anos no próximo janeiro).

Duas leis mudaram bastante a organização do ensino no país: a Reforma Universitária (4.024/68) e a Reforma do 1º e 2º graus (5692/71).

Foram anunciadas como a reformulação total e positiva do ensino, mas nós, brasileiros, bem sabemos que a distorção é uma consequência inevitável na história da terra cabralina.

A iniciativa privada avançou sobre o novo mercado que se abriu, mas a avidez dos lucros distorceu a proposta oficial: boa parte — se não a maior parte — das escolas privadas de ensino fundamental, médio e superior têm na qualidade uma bandeira meramente retórica.

Garantem o sonhado diploma mas não a qualidade do ensino; é a chamada “Escola Pagou Passou”, ou “Escola PP”.

De consequência, desorganiza-se o mercado de trabalho, pois o grau de escolaridade deixa de ser importante para o empregador. Torna-se necessário pagar a um profissional para reavaliar o candidato ao emprego.

E, de outra consequência, ilude o estudante menos aquinhoado em capacidade intelectual, que perde tempo e dinheiro na disputa de vestibulares e concursos públicos.

Tenha uma parenta que, de posse de um diploma de segundo grau (ensino médio) fornecido por alguma escola pouco exigente, alguma PP, tentou o vestibular de medicina por vários anos consecutivos.

Na época, a divulgação dos resultados era restrita, mas um erro na totalização obrigou a Universidade Federal a publicar os detalhes, e os familiares descobriram que ela estava entre os últimos colocados.

Perdia tempo e dinheiro com uma ilusão.

Duas décadas se passaram e a injusta situação permanece, fazendo outras vítimas, como uma faxineira que gasta parte do seu salário para fazer cursos com o objetivo de se transformar em auxiliar de enfermagem.

A escola recebe o seu dinheiro e os instrutores não a alertam sobre a impossibilidade de realizar os sonhos: ela não tem capacidade para exercer tal profissão, e ponto.

Capitalismo selvagem e humanitarismo trafegam por linhas paralelas.

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