Depois da privatização, os lucros da Vale aumentaram acentuadamente. Inclusive para o Tesouro Nacional.

2010 foi um ano eleitoral, e alguns candidatos pediram votos prometendo lutar pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce.

Nos anos anteriores, alguns políticos também defenderam a ideia; além deles, a internet já veiculou campanhas no mesmo sentido, supostamente espontâneas, patrióticas.

Todos escondiam o cerne da questão: a reestatização é um empreendimento caríssimo para os cofres públicos; afinal, e felizmente, não estamos numa ditadura, e o direito à justa indenização nos processos de desapropriação é uma garantia constitucional.

2011 não é ano eleitoral e por isso mesmo o tema anda esquecido; saiu da pauta da mídia tradicional, mas blog é um veículo menos condicionado ao tempo, mais relacionado com o interesse específico dos leitores que usam o Google como ferramenta de seus interesses.

Neste sentido, recolho e transcrevo algumas informações sobre o tema, originalmente publicadas num artigo de Suely Caldas, na edição de 31/10/10 d’O Estado de São Paulo:

Antes da privatização, em 1997, a Vale era a 20.ª maior produtora de minério de ferro do mundo. Hoje é líder global nesse segmento, a segunda maior mineradora do mundo e a maior empresa privada da América Latina; 

seus 11 mil empregados do período estatal saltaram para 112 mil (próprios e terceirizados), dos quais 90 mil no País; 

em 54 anos como estatal a Vale investiu US$ 26,47 bilhões. Em 11 anos como privada, até 2009, US$ 73,5 bilhões, com programação de investir mais US$ 12,9 bilhões em 2010;

seu lucro líquido somou US$ 10,57 bilhões em 54 anos nas mãos do Estado e US$ 55,39 bilhões, privada, até 2009. E, de julho a setembro de 2010, disparou para US$ 3,890 bilhões, mais de um terço do que obteve em 54 anos; 

e, entre impostos, dividendos e royalties, a Vale privada pagou à União US$ 13 bilhões, mais 659% do que em 54 anos estatal.”

O crescimento da Vale depois da privatização (o governo ainda possui participação acionária) é tão óbvio que a tendência de quem toma conhecimento destes números é querer conhecer a motivação da campanha pró-reestatização (além das eleições políticas, citadas na abertura deste texto).

Uma explicação — também negativa para o país — está em um trecho anterior do mesmo artigo de Suely Caldas, especialmente dirigido para os projetos (hoje esquecidos) da então candidata à presidência Dilma Rousseff:

Por trás da ‘soberania nacional’ e do ‘não entregar nossa riqueza a estrangeiros’, a campanha de Dilma de ataques à privatização esconde sua real intenção de preservar espaço nas estatais para partidos políticos, cargos para aliados, negociatas com empreiteiras em troca de financiamento de campanha, enfim, uma gestão voltada para a obtenção de vantagens políticas com as estatais, não para torná-las eficientes e lucrativas para seus 190 milhões de acionistas. Atos corruptos viraram banalidade no governo Lula. Exemplos? O da Infraero é o maior (o dinheiro sumiu e os aeroportos não foram construídos), mas há ainda os da Eletrobrás e suas subsidiárias e as denúncias do TCU de práticas de superfaturamento em obras da Petrobrás.

(Ainda que a reestatização da Vale não tenha sido uma bandeira exclusiva da campanha eleitoral de Dilma — tem simpatizantes bem variados —, os exemplos citados pela articulista podem ser substituídos por muitos outros na história do país, só mudando momento e local, marcando a relação entre empresas públicas e maus políticos.)

Minha geração conheceu a longa sequência de escândalos e prejuízos bilionários causados pelo uso político de empresas públicas, mas patriotas ingênuos continuam se unindo a ativistas políticos (de interesses pessoais bem ocultados), com a finalidade de ressuscitar a ideia do Estado-Pai.

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: