Em geopolítica internacional, a incoerência é praticada sem receios

É comum ouvir as pessoas criticarem, nos bate-papos, a incoerência da política internacional, o jogo ambíguo e falso da geopolítica.

(Não confundir com os chats, onde raramente rola conversa séria.)

De fato, o Ocidente vendeu um poderoso arsenal para o ex-presidente do Iraque Saddam Hussein e depois o apeou do poder; as armas que se enfrentaram tinham a mesma origem de fabricação e vendagem.

Os Estados Unidos ensinaram a arte da guerrilha para Bin Laden e seus seguidores (década de 1980), e depois sentiram as consequências no coração de sua cidade-símbolo (o inesquecível 11 de setembro de 2001).

São dois fatos históricos recentes que comprovam as incertezas da geopolítica e a incoerência dos líderes mundiais, mas perdem tempo os que se preocupam com longas discussões morais, pois esta nunca foi a preocupação real deles.

Eles agem de acordo com os interesses de momento, com as estratégias da geopolítica. O futuro se resolve no futuro.

O caso mais recente é o da Líbia: o Ocidente vendeu armas e criou infraestrutura para o país, o que facilitou a permanência de uma ditadura sangrenta, brutal, desumana, antidemocrática; depois o mesmo Ocidente estimulou o bombardeio da própria estrutura que criou.

O ditador da Líbia, Muamar Kadafi, já foi aliado do Ocidente e depois virou inimigo; acabou executado pelos próprios compatriotas adversários, municiados por nações que criaram a avançada tecnologia das armas de guerra.

Nos casos do Iraque e da Líbia, o Brasil foi aliado e fornecedor de bens, serviços e tecnologia quando Saddam e Kadafi estavam no poder, mas omitiu-se na hora das guerras que derrubaram os ex-aliados.

Ao negociar com regimes ditatoriais, nosso país teve uma postura puramente comercial, ignorando o lado humanitário, a situação das pessoas perseguidas e assassinadas por estes ditadores.

Critica o frio capitalismo do Primeiro Mundo e age tal e qual, negando a clara incoerência, a mentira política.

Assim segue, e certamente seguirá, a história da humanidade.

Como dizia um velho provérbio ora em fase de esquecimento, os cães ladram e a caravana passa.

(Que reproduzo antes que seja relegado ao esquecimento, pois provérbios são modismos e o desuso do verbo ladrar como sinônimo de latir não ajudará sua permanência.)

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