O eleitor latino-americano vota com o coração e os líderes populistas aproveitam

A mídia internacional já começou a detectar sinais de que o longo governo de Hugo Chávez na Venezuela (desde fevereiro de 1999) perde apoio popular.

Coincidência ou não, ele anunciou recentemente que está com câncer e fazendo tratamento — inclusive com quimioterapia — em Cuba, mas a insuficiência de informações e detalhes deixa no ar dúvidas quanto à real gravidade do caso e também quanto à possibilidade do uso político do seu drama pessoal.

E sempre há quem acredite na farsa total.

O apelo aos sentimentos populares através da manipulação de dramas pessoais enfrentados pelos líderes é um recurso antigo e corriqueiro, muito frequente nos países pouco politizados.

Uma variante está ocorrendo na Argentina: o maior líder recente, Néstor Kirchner, faleceu em 27/10/2010; a comoção popular até aumentou a popularidade, então em declínio, da viúva e atual presidente, Cristina Kirchner.

A comprovação veio numa sequência que culminou com sua fácil reeleição; começou pelas pesquisas e depois pelas prévias eleitorais, quando a população condoída deu a ela uma vitória por maioria absoluta.

(A estranha prévia argentina funciona como um ensaio eleitoral pois cada partido apresenta um candidato.)

E repetiu nas eleições, garantindo a reeleição em primeiro turno.

Foi o prevalecimento das emoções sobre a lógica racionalista, até porque ela parecia ser uma presidente-satélite, já que os analistas concluíram, quando de sua eleição (2007), que o desejo maior do povo argentino era a continuidade administrativa de Néstor Kirchner.

No Brasil, a atual presidente Dilma Rousseff teve oportunidade semelhante em abril de 2009, quando anunciou estar com um câncer; naquele momento ela era ministra da Casa Civil e pré-candidata à presidência.

Ou por questões éticas, ou porque confiava no prestígio eleitoral do então presidente Lula, ela não usou a doença para sensibilizar os eleitores, mas não é certo que vá ter postura idêntica caso tente a reeleição dentro de três anos, pois políticos não desprezam oportunidades.

Isto se, obviamente, conseguir algum trunfo emocional, algum fato concreto que trafegue por este sentido; uma doença, de preferência.

Infelizes os povos cuja administração pública depende mais de fatores subjetivos e sentimentais do que de fatores objetivos, racionais e lógicos.

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